Educação escolar cristã – Parte 2/4

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Expandindo o conceito de “Educação Escolar Cristã”

Poderíamos expandir o conceito de “Educação Escolar Cristã” como sendo o processo de comunicação de conhecimento e de treinamento dos dons naturais de uma pessoa que se baseia em quatro realidades que destacamos:

  1. O homem não é um ser neutro, nem um produto do meio, mas já nasce submerso em pecado, com a inclinação para o mal. Ele deve, portanto, ser submetido à correção e disciplina, na esperança de que venha a adquirir um comportamento correto e a reconhecer a Deus como o verdadeiro Criador e Soberano, e a Cristo como o único Salvador e Mediador entre Deus e os homens (Romanos 3.23; 3.10-18 e Eclesiastes 7.20).

Este princípio básico da educação escolar cristã contraria toda a filosofia humanista que afirma a neutralidade, ou a bondade natural do homem e constrói toda sua filosofia de educação sobre premissa errônea. O resultado obtido quando construímos sobre a base errada é a indisciplina, a irresponsabilidade e a imoralidade que vemos reinar em nossas salas de aula.

Esta situação é causada por gerações de crianças e adolescentes que foram simplesmente deixados às suas “inclinações naturais”, sem direcionamento e sem a devida correção. Se cremos e aceitamos a Palavra de Deus, temos a responsabilidade de proclamar o princípio bíblico da depravação e pecaminosidade humana e de instituir uma filosofia de vida e de educação coerente com este principio.

Por mais bem estruturadas que possam parecer às diversas escolas de psicologia educacional que negam este princípio, nunca poderão fugir ao fato de que chegaram às suas conclusões através de um raciocínio dedutivo de observações diversas, sujeitas ao subjetivismo dos observadores. Isto contrasta com a visão reveladora e verdadeira que nos é dada pelo próprio Criador do ser humano, o Deus da Bíblia, sobre a parte psicológica e metafísica deste. Nos capítulos 1 e 2 de Romanos, a natureza pecaminosa e rebelde do homem é apresentada como uma triste realidade. Não podemos fugir, ignorar e, muito menos, distorcer essa realidade, apresentando conclusões que não podem ser substanciadas, como se postula nas teorias seculares de educação.

  1. Deus criou as pessoas para servi-lo. Cada uma deveria ser encaminhada desde os primeiros passos com este propósito, dentro dos seus talentos naturais, adquirindo cada vez mais uma conscientização de sua finalidade de servir a Deus na terra, qualquer que seja o campo de trabalho ou ocupação em que venha a operar (Romanos 11.36; 1 Coríntios 10.31; Colossenses 1.17,18).

Em contradição a isto, a filosofia secular retira das pessoas a sua principal finalidade e as coloca como centro de todas as próprias ações e como se fossem o propósito último em si. As pessoas tornam-se alienadas e destituídas de um objetivo maior em suas vidas, cada uma buscando apenas a sua própria felicidade fora do contexto de glorificação do Criador.

  1. O Homem é um ser religioso e o conhecimento por ele adquirido sempre será interpretado e recebido dentro deste contexto religioso. O conhecimento, para ser legítimo deve, portanto, proceder do ponto de vista bíblico, fornecendo assim, às pessoas, uma visão integrada e correta da vida e da criação (Provérbios 1.7; 15.33; Romanos 2.15).

O pensamento secular trata a questão religiosa como se fosse um campo “opcional” às pessoas, como se elas não tivessem esta inclinação “religiosa” natural que serve de pano de fundo para a interpretação de tudo aquilo que aprende. Desconhecendo este fato, e postulando esta falsa “neutralidade” das pessoas, o pensamento secular não relaciona a “sabedoria” com o “temor do Senhor”. Essa premissa, de que existe ausência de religiosidade, ou de confessionalidade, para utilizar um termo mais contemporâneo, concorre para impedir a compreensão correta (e a integração) dos fatos comunicados durante o processo educacional.

  1. Todo ensinamento secular traz em si, em maior ou menor grau, filosofias anticristãs que direcionam o homem contra Deus (Provérbios 14.7; 16.22 e Judas 10).

Esta realidade complementa o raciocínio exposto no ponto anterior, sendo uma consequência lógica deste: se o homem é um ser religioso por natureza e se esta religiosidade influencia a sua interpretação dos fatos recebidos, certamente a mesma religiosidade influenciará a sua transmissão de fatos. Isso significa que a apresentação das diferentes disciplinas é filosoficamente influenciada. Isso pôde ser observado, quando examinamos a questão dos livros didáticos e textos elaborados por educadores seculares, verificando as distorções intrínsecas neles contidas, nos capítulos 17 e 18 da primeira seção (“O Cenário”).

Longe de estar descansando, Satanás tem se ocupado em colorir com religiosidade falsa dados e fatos supostamente “objetivos” que nos são transmitidos pelas escolas seculares, e, infelizmente, por uma grande parte de escolas nominalmente evangélicas que ainda não possuem o conceito adequado do que seja a Educação Escolar Cristã.

A Educação Escolar Cristã verdadeira, dentro desta definição, não é aquela que simplesmente insere a Bíblia no currículo, mas, sim, a que reestuda todas as disciplinas, apresentando-as biblicamente, como procedendo do Deus soberano. A Educação Escolar Cristã mostrará o entrelaçamento destas disciplinas entre si, evidenciará a harmonia reinante em um universo criado por Deus e apresentará os propósitos de Deus na história. Ela é, ao mesmo tempo, holística, mas, por natureza, interdisciplinar e transversal, elucidando a complexidade do universo.

De uma forma generalizada, todo educador reconhecerá a necessidade de integração na educação e representará as diferentes disciplinas como fatias que compõem uma única torta, ou pizza. Obviamente, as divisões curriculares ou matérias aqui mostradas, são meramente ilustrativas:

Uma grande parte de escolas evangélicas chega a apresentar a seguinte versão desta “torta da educação”:  Acreditamos, contudo que a simples inserção da Bíblia como uma das matérias, ou até outras tentativas semelhantes de mera “cristianização” da secularização reinante em escolas ditas “evangélicas”, não é suficiente para nos conceder a verdadeira Educação Escolar Cristã. No entanto, a Bíblia não é para ser simplesmente inserida separadamente no currículo, mas ela é central ao processo de ensino e aprendizado. Ela age como elemento purificador e de integração entre todas as áreas de conhecimento. Ela serve de alicerce e prumo, para que possamos compreender o universo que nos cerca. Ela é um lembrete constante de que não podemos ter um processo educacional íntegro se sonegarmos a verdade da existência do Deus Soberano do Universo, e da comunicação que a divindade estabeleceu com a criação – pela natureza, pela Palavra Escriturada (a Bíblia), pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito.

O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos

Neste livro, Solano Portela faz uma avaliação crítica do cenário atual da educação brasileira, tanto secular como religiosa. Segundo ele, a proposta pedagógica predominante no Brasil vai além de uma metodologia educacional e contém sérias contradições com os princípios da fé cristã. A partir dessa análise, Solano propõe o desenvolvimento de uma pedagogia para a educação escolar cristã, chamada de pedagogia redentiva, ao apontar para uma educação de excelência fundamentada em uma cosmovisão bíblica sobre a vida e o mundo.

 

CONFIRA

Por: Solano Portela. © 2017 Editora Fiel. Website: editorafiel.com.br. Traduzido com permissão. Fonte: Extraído do livro: Solano Portela, O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos?

Original: Educação escolar cristã – Parte 2/4. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados.

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