Ser solteira – Deleitando-se no dom de Deus na meia idade

O casamento é bom — afinal, foi uma ideia de Deus! Então, por que ele não me concede um cônjuge?

Essa pergunta, tão desconcertante em nossos vinte e trinta anos, pode se tornar completamente dolorosa à medida que as décadas nos encaminham para a meia idade e nossas perspectivas matrimoniais diminuem. Afinal de contas, conhecemos as estatísticashá uma chance maior de [insira uma ocorrência aleatória extraordinária] do que se casar após [insira qualquer idade acima de 39].

Isso significa que nós, solteiras com mais de 40 anos, estamos condenadas a viver uma solidão miserável? Definitivamente, não. Em primeiro lugar, podemos esquecer as estatísticas porque, finalmente, somente Deus determina quem se casa e quem não se casa. Se o casamento for o plano de Deus para nós, mais cedo ou mais tarde, nos casaremos.

Ainda mais importante, podemos ter certeza de que uma vida solitária não é o plano de Deus para nós, se nos casamos ou não. Deus nos criou para viver em comunidade, em uma família de crentes, e sua obra em nossa vida tem como objetivo nos levar para lá: “Deus faz que o solitário more em família” (Salmo 68.6). Portanto, a verdadeira questão não é se vamos terminar sozinhas; é se estamos dispostas para a provisão divina de companheirismo sendo algo diferente do casamento.

Nós confiamos nele?

É claro que confiar na provisão de Deus não significa que nunca nos sentiremos solitárias. Assim como há uma solidão peculiar ao casamento — na verdade, as pessoas mais solitárias que conheço não são as solteiras, mas as que estão em um casamento difícil — há aspectos da solidão específicos da solteirice:

É aquilo que uma jovem solteira sente entre amigos cujas conversas giram em torno dos planos de casamento.

É aquilo que um solteiro de 30 anos sente quando a maturidade é medida pelo estado civil.

É aquilo que uma pessoa de 40 anos sente quando os outros fazem uma conexão errônea entre a sua solteirice e a sua orientação sexual.

A solidão dos solteiros também é estimulada pela felicidade conjugal que percebemos (ou imaginamos) que outros estão fruindo. Confiar em Deus no meio de toda essa dor não se relaciona com buscar mais intensamente um companheiro, ou mesmo orar por mais paciência. Trata-se de descansar mais profundamente em Cristo e encontrar no processo todas as bênçãos da união com ele — uma união mais profunda e cheia de alegria do que a de qualquer casamento humano.

É por isso que o alívio da dor da solteirice indesejada começa quando perguntamos: Eu confio em Deus? Não confiamos nele se não cremos que ele é bom na forma como governa os detalhes de nossas vidas individuais — incluindo nosso estado civil. Se somos solteiras hoje, essa é a bondade de Deus para nós hoje.

A solteirice demonstra o que o casamento não pode demonstrar

Enquanto descansamos em Cristo e confiamos na bondade de Deus, a solidão de ser solteira é transformada em uma oportunidade de edificar todo o corpo de Cristo. Em outras palavras, podemos servir e glorificar a Deus não apesar da nossa solteirce, mas em virtude dela.

Enquanto confiamos nos bons planos de Deus para nós, demonstramos, tanto para nós mesmas como para as pessoas que nos rodeiam, que os solteiros não são dignos de pena. E enquanto permanecemos em Cristo, deixamos de ver a solteirice como um problema a ser resolvido. Uma vez que não haverá casamento no céu, exceto o casamento entre Cristo e a igreja (Mateus 22.30; Apocalipse 19.7), os solteiros são especialmente capacitados a demonstrar às outras pessoas uma prévia do que o céu será.

É por isso que a solteirice é realmente um sinal de esperança e não de desespero. Podemos demonstar essa esperança a nossos irmãos e irmãs casados ​​pelo modo como lidamos com nossa solteirice, e também podemos mostrar a compaixão de Cristo para outras pessoas que se sentem solitárias.

Parte de uma família maior

Enquanto observamos nossas amigas construírem famílias, não há necessidade de nos sentirmos roubadas ou excluídas, porque na era da nova aliança — nossa era — a ênfase da família na Escritura não é mãe, pai e três filhos. É a família da igreja. Quando a prioridade bíblica é invertida isso dificulta em vez de ajudar o crescimento do povo de Deus.

É claro que devemos buscar defender a importância da família nuclear, mas não a tornar um ídolo. Se considerarmos o que os apóstolos enfatizaram, vemos que a sua ênfase era muito mais sobre a Grande Comissão, a santidade pessoal e o crescimento da família da igreja. E é dessa família que nenhum cristão deve ser deixado de fora.

Vocação privilegiada

Como solteiras que estão em Cristo, descobrimos, muitas vezes para nossa surpresa, que há bênçãos singulares que vêm com a solteira. Em um nível puramente prático, temos mais controle sobre o nosso tempo do que nossos amigas casadas. (Eu digo “mais controle sobre” para corrigir a visão equivocada de que as solteiras sempre têm mais tempo de modo geral). E as não-casadas ​​podem viver as suas preferências pessoais ao planejar atividades sociais, férias e áreas de serviço na igreja e na comunidade. As solteiras se encorajam umas as outras e glorificam a Deus ao identificarem as suas bênçãos peculiares, recebe-las de modo voluntário e usá-las bem.

O melhor privilégio de ser solteira é, de longe, a maior oportunidade de discipulado e de servir a Jesus. Isso, mais do que qualquer outra coisa — incluindo o casamento — é como Deus remedia a solidão. E há uma satisfação que decorre de viver essas vantagens peculiares que nossos irmãos e irmãs casados ​​não podem conhecer completamente. Se temos boa disposição — se confiarmos em Deus — certamente experimentaremos o valor e os benefícios da solteirice.

Quando o fazemos, passamos a valorizar as nossas vidas — não apesar da nossa solteirice, mas na verdade por causa disto. Mulheres que raramente ou nunca foram buscadas por homens, ou homens cuja busca por mulheres foi rejeitada (uma ou várias vezes), muitas vezes questionam o seu valor. É para tais pessoas que Cristo vem, para não estimular a sua auto-estima, mas para levá-los a encontrar nele o seu valor. À medida que valorizamos Cristo, nosso próprio valor se torna mais evidente e, enquanto isso acontece, descobrimos que em algum lugar ao longo do caminho, deixamos de definir nossa personalidade e nosso bem-estar pelo nosso estado civil.

A solteirice não é a segunda melhor alternativa. Pelo contrário, é uma vocação privilegiada com bênçãos singulares a serem desfrutadas e derramadas para outras pessoas. Estamos dispostas a nos apossar de tais bênçãos sem que ou até que Deus nos chame ao casamento? Essa é a verdadeira questão. E aqueles que dizem “sim” nunca se decepcionarão.

Por: Lydia Brownback. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Single Is Never Second Best –  Enjoying God’s Gift at Midlife.

Original: Ser solteira – Deleitando-se no dom de Deus na meia idade. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: Renata Machado Gandolfo.

1 comentário
  1. Daniele Diz

    Excelente texto! Eu bem sei como é a pressão por todos os lados quando chega os 30 e você ainda não tem um noivo. Cobrança no trabalho, família, meio cristão também. Me sentia mais mal pelo fato da preocupação dos outros do que com o fato de estar solteira. Aprendi muita coisa com isso, me casei com 32 anos e pela graça de Deus somos muito felizes. Minha mensagem para quem ainda está solteiro é: Não se precipite, esperar o tempo certo vale a pena, apesar das cobranças.

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