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9 coisas que você deveria saber sobre o movimento Homeschooling

Em 31 de julho de 2017, o jornal The New York Times organizou um editorial de opinião da jornalista Katherine Stewart, afirmando que os ataques contra as “escolas públicas” estão enraizados na “escravidão americana, na segregação da era de Jim Crow, no sentimento anti-católico e numa forma particular de fundamentalismo cristão — e essas raízes ainda são visíveis atualmente”. Embora Stewart não use o termo “homeschool” em seu editorial de opinião, ela implica que os pais que escolhem educar seus filhos fora do sistema de escolas públicas, participam de uma cultura que promove racismo e teonomia. (Para refutações a Stewart, veja esse artigo do Andrew T. Walker e esse outro do David French).

A história real de oposição às “escolas públicas” é mais interessante e variada do que Stewart diz ser. Isso é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao “homeschooling”. Aqui estão nove coisas que você deveria saber sobre a história deste movimento educacional:

1. Homeschooling é a educação de crianças em idade escolar (5 a 17 anos) numa grade equivalente a pelo menos o jardim de infância e não mais do que a décima segunda grade [1] que recebem do ensino em casa ao invés de uma escola pública ou privada, seja na maior parte ou no tempo inteiro. Antes de 1990, era estimado que existiam apenas algumas centenas de milhares de estudantes homeschool nos Estados Unidos. Em 2012, a última data que as estatísticas estão disponíveis, o número cresceu para estimados 1.8 milhão, contabilizando aproximadamente 3% da população em idade escolar.

2. Mesmo que muitas famílias que usavam o Homeschooling fossem cristãs protestantes, o movimento em si era originalmente diverso em sua ideologia e não inerentemente religioso. Nos primeiros anos do movimento, o traço mais comum das famílias que usavam o homeschooling era o incorporar o não convencional e uma vontade de ser visto como não-conformista em relação cultura mainstream. Como o sociólogo Mitchell L. Stevens diz, os primeiros membros do movimento incluíam “anarquistas, bruxas praticantes, vegetarianos macrobióticos, adeptos da cama compartilhada, judeus ortodoxos e um grande número de cristãos fundamentalistas.” Antes de 1970, várias pequenas subculturas dentro da americana —incluindo uma fação de homeschooling liderada pelo teonomista Rousas John Rushdoony— operavam independentemente e raramente misturadas. Mas isso começou a mudar nos anos 70, e o começo do movimento moderno de homeschooling pode ser rastreado até a influência de dois homens: John Holt, no lado secular, e Raymond Moore, no lado religioso.

3. O ex-professor de ensino fundamental, o liberal Holt, era um proponente de métodos não tradicionais de ensino, como o “Unschooling”(desescolarização), um método bem livre de abordagem da educação feita no lar que ele chamou de “aprendendo vivendo”. A abordagem de Holt se tornou popular entre aqueles que tinham incorporado os valores da contracultura dos anos 1960 e tinham começado famílias por si só. Holt publicou vários livros sobre educação e a primeira revista de homeschooling em 1977. O livro Growing Without Schooling funcionou por 24 anos e antes da era da internet, serviu como recurso e rede para famílias que usavam o homeschooling.

4. Raymond Moore, EdD, era um empregado do Departamento de Educação dos Estados Unidos quando ele e sua esposa Dorothy, uma professora de leitura e ex professora de ensino fundamental, começaram a procurar questões sobre o efeito do ensino institucionalizado nas crianças pequenas. A pesquisa os levou a ficarem mais interessados no homeschooling e a serem posteriormente proponentes da “Fórmula Moore” (estudo, trabalho manual, serviço doméstico/comunitário). Sendo um devoto Adventista do Sétimo Dia, Moore escreveu vários livros para os pais cristãos, incluindo Better Late Than Early (1975), Home Grown Kids (1981), e Home-spun Schools (1982), que se tornaram influencias no início do movimento religioso de homeschooling.

5. A despeito do fato de que o movimento era originalmente diverso, sociólogos têm identificado três fatores que fizeram o homeschooling ser particularmente popular dentro de círculos conservadores protestantes e evangélicos: (1) uma profunda base potencial de apoio (cerca de 25% dos estadunidenses da época se identificaram como protestantes conservadores), (2) uma tendência a promover a importância da domesticidade e maternidade como vocação de tempo integral, e (3) uma estrutura institucional (igrejas, universidades cristãs, editoras) que proviam suporte orgânico ao movimento. Como Stevens observa, esses dois fatores “explicam bastante porque os grupos religiosos de homeschool definitivamente protegeram o controle de definição da educação no lar apesar das origens ideologicamente diversas da causa. Protestantes conservadores simplesmente tinham mais recrutas em potencial e recursos organizacionais para dar gás ao projeto do que os radicais da educação que seguiram a liderança inicial de John Holt”.

6. O movimento inicial do homeschooling enfrentou um importante obstáculo legal: as leis de educação compulsória, que exigiam que as crianças frequentasse uma escola pública ou privada reconhecida pelo Estado durante um certo período de tempo. Massachusetts se tornou o primeiro estado a pôr em prática uma lei de educação compulsória em 1852, e Mississippi se tornou o último estado a passar tal lei em 1917. Durante a maior parte do restante do século 20, o homeschooling era considerado uma violação dessas leis. Em 1971, três famílias Amish enfrentaram a lei de educação compulsória de Wisconsin, alegando que eles tinham o direito de educar seus filhos de acordo com os seus valores. No caso Wisconsin v. Yoder (1972), a Suprema Corte decidiu que debaixo da proteção da Primeira Emenda do livre exercício da religião, as famílias não poderiam ser forçadas a enviarem seus filhos para as escolas públicas se isso “interferisse na prática de crenças religiosas legítimas”. Apesar deste caso ter fornecido um precedente para vários desafios jurídicos criados pelas famílias homeschoolers, a Suprema Corte nunca se pronunciou diretamente sobre se os pais têm amplo direito constitucional de educar seus filhos em casa.

7. Em 1983, Mike Farris e Mike Smith, advogados que também eram pais homeschoolers, fundaram a Associação de Defesa Legal do Home School (HSLDA) com a missão de “Preservar e promover o direito constitucional fundamental, dado por Deus, de pais e outros legalmente responsáveis ​​por dirigir a educação de seus filhos.” Na época da fundação dessa associação, o homeschooling era legal em apenas alguns estados, e pais que eram adeptos enfrentaram pressões legais para enviar seus filhos as “escolas do governo”. A HSLDA possibilitou que as famílias pagassem uma taxa de adesão anual de $100 para assegurarem uma defesa legal contra o sistema local e estatal de ensino. Em troca, a HSLDA pagaria todos os “custos com advogados, com testemunhos de especialistas, viagens, e todos os outros custos em tribunais permitidos por lei estatal”.

8. Antes do começo dos anos 80, as famílias que praticavam homeschooling enfrentaram um período difícil para vencer disputas legais. O primeiro caso significativo no tribunal em favor do homeschooling foi o caso State vs. Massa (1967), de Nova Jersey. Mas ainda levou quase 20 anos para outros estados mudarem suas leis. Através de esforços da HSLDA e outros defensores legais, o homeschooling gradualmente ganhou reconhecimento legal. Em meados de 1993, o homeschooling foi finalmente legalizado em todos os 50 estados americanos.

9. Muitas famílias que usam o homeschooling continuam participando de atividades nas escolas públicas. Atualmente, 28 estados não impedem que estudantes homeschoolers participem de jogos intercolegiais nas escolas públicas. E, de acordo com o U.S. News and World Report, pelo menos outros 15 estados estão considerando as “Leis Tim Tebow” – chamada pelo nome do atleta homeschooler – que permitiriam que estudantes homeschoolers tenham acesso as atividades esportivas nas escolas. Mesmo permitindo que esses estudantes participem, as secretarias de educação economizam dinheiro por causa do homeschooling. Com base nos números de participantes, estima-se que as famílias homeschoolers causam uma economia anual de 22 bilhões de dólares em impostos.

Por: Joe Carter. © The Gospel Coalition. Website: voltemosaoevangelho.com. Traduzido com permissão. Fonte: 9 Things You Should Know About the History of the Homeschooling Movement.

Original: 9 coisas que você deveria saber sobre o movimento Homeschooling. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Marcelo Rigo dos Santos. Revisão: Filipe Castelo Branco.

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