Os efeitos da pornografia no cérebro e na alma

*Este artigo é um resumo da palestra de Aender Borba proferida na Conferência Fiel Jovens Interativa 2020.

O tema da pornografia não é um tema exclusivo da fé cristã. Por vezes, isso torna a análise do problema um tanto nebulosa. A origem da vida humana vai além dos fenômenos observados pelos sentidos. O ser humano não pode ser explicado por meio de coisas criadas; isso seria reducionismo. O fato de sermos criados à imagem e semelhança de Deus significa que a pessoa humana só pode florescer se estiver em Deus. Todos somos dotados de uma inclinação espiritual. Por isso, é imprescindível saber o que a fé cristã tem a dizer sobre isso.

Uma tendência muito forte que existe entre os seres humanos é querer antagonizar corpo e alma. Contudo, antes de ir por esse caminho, precisamos que o Espírito nos ajude a enxergar quem realmente somos e a natureza dos vícios, sendo a pornografia um deles.

É comum definir os vícios como o oposto das virtudes. Em uma perspectiva espiritual, os vícios são as marcas das fraturas causadas pela Queda. Com ela, e com o passar do tempo, o pecado passou a ter domínio sobre o homem, fazendo com que este diminua o que aquele realmente é. A tendência é tratá-lo como uma compulsão, uma vez que ele influencia o que decidimos e fazemos. Sabendo que somos compostos de cérebro e alma em conjunto, é importante entender que essas duas estruturas foram afetadas pela queda, isto é, pelo pecado e, consequentemente, também são afetadas pela pornografia.

Ao praticar a pornografia (assim como outros pecados), nosso cérebro é alimentado por hormônios de felicidade e acham nisso uma espécie de recompensa. Além de possíveis problemas fisiológicos, a pornografia é uma fuga, um escape da realidade. O prazer procurado a todo custo nessa área é inatingível, e a pessoa nunca se realizará, pois ela é desconectada da realidade ao conceber um modelo que nunca poderá ser real, além de ter uma concepção errada da sexualidade em geral e do próprio parceiro. Disso, deriva-se ansiedade, e posteriormente, o vício toma lugar.

Mas por que entender o que são, de fato, os vícios? Pois há um risco enorme em reduzir a discussão apenas ao nível cerebral. Não somos meras ligações sinápticas. Deus nos conferiu uma capacidade de escolher e de reagir mediante a como lemos a realidade. A pornografia confere um senso de autorrealização, de que é possível de satisfazer com aquilo. Então, ela passa a afetar a alma, isto é, a essência, nosso caráter e personalidade. Ela afeta: a memória, tornando a experiência difícil de esquecer; a inteligência, afetando a intuição, percepção, sentidos e atenção; e as vontades, ou seja, as escolhas e práticas diárias.

Essas três faculdades da alma, que deveriam ser governadas pelo Espírito de Deus, conferindo a ela os frutos do Espírito (virtudes!), passam a ser dominadas pela pornografia, a qual é uma expressão de um pecado chamado luxúria. Este pecado começa com uma paixão pelo objeto e termina com o desejo de escravizar esse objeto. O desejo pelo objeto começa a tomar conta da alma e expulsa qualquer outra forma de interesse. Enxerga-se o corpo do outro como objeto de satisfação sexual, e você deixa de perceber que o outro é imagem e semelhança de Deus, e o resultado é culpa, desilusão.

Percebe o motivo de entender a origem dos vícios? O viciado acha que possui o controle da situação e da mente. Pior, o viciado acha que o problema sequer lhe domina.

A solução? Lançar o controle e as ansiedades em Jesus Cristo, o único que pode libertar-nos verdadeiramente. Aceitar que quem governa nossas vidas é o próprio Jesus, aquele que venceu todas as tentações e que possui poder e autoridade para nos conduzir em segurança.