Um blog do Ministério Fiel
O que a Bíblia diz sobre o corpo da mulher?
Ser mulher não é um acaso, mas um chamado divino
Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude. (Cl 1.18-19)
Quando fui ao consultório médico fazer ultrassom de nosso segundo filho, tivemos a alegria de descobrir o sexo do bebê. Tínhamos pensado em alguns nomes e ponderado as implicações nas roupinhas ou decoração do quarto do bebê se fosse menino, pois já tínhamos uma menina. Mesmo assim, eu não poderia prever o pensamento ridículo que passou por minha cabeça quando a técnica do ultrassom nos disse: “É menino!”. Eu pensei com meus botões: “Bem, isso é impossível. Eu sou mulher. Como um menino pode estar crescendo dentro de mim?”. Por mais que isso fosse esquisito, se você é como eu, já teve alguma ideia semelhante quando pensou sobre o nosso novo nascimento em Cristo.
Quando renascemos em Cristo, de que forma renascemos? A resposta óbvia é: como cristãs. Essa é a mais bela verdade do mundo! Porém, mais especificamente, você nasceu de novo como você mesma, novinha em folha, como mulher? Ou ao tornar-se cristã, você transcendeu seu corpo físico? Qual é a vantagem de possuir útero, ou braços, ou pés, ou de não ter pomo de Adão em nossa missão de Cristo no mundo? Se nossa humanidade não transcender nosso gênero, conforme vimos no capítulo 4, será que nosso cristianismo subirá além de nosso corpo feminino?
Ao recebermos Cristo, morremos como mulheres – cada uma de nós como mulher específica. Morremos nele, para o nosso pecado e para nós mesmas. E quando nascemos de novo, não é como se o médico verificasse e dissesse, maravilhado: “É uma menina!”. Nosso Deus sabedor anuncia: “Esta é a minha menina!”. E isso é um bem duplo. Não temos a mesma experiência que Adão e Eva, criados sem pecado conforme a imagem de Deus. Nascemos no pecado de Adão e, desde nosso primeiro momento, somos quebrados, manchados e temos a nossa humanidade distorcida – tanto que não podemos ser apenas remendados. Não podemos voltar ao Éden parta tentar assumir o status pré-maldição a fim de encontrarmos significado. Temos que ir adiante, até o Calvário, até outro jardim, o jardim do Getsêmani.
Não é por acaso que renascemos como mulheres, e não como homens ou apenas humanos cristãos indefinidos. Nossos corpos femininos designados por Deus para nós são agora corpos femininos cristãos. Eles têm algo a nos dizer sobre o nosso chamado e a nossa missão na vida.
Um eco da Renascença que permanece e é fortalecido pelo pensamento moderno diz que, para conhecer nosso chamado, temos que olhar para dentro. O autoconhecimento do ser interior é a forma como discernimos a razão pela qual fomos criados. Existe nisso um elemento de verdade; não podemos ignorar nossa vida interior. Mas se quisermos saber para o que fomos criadas, temos que olhar para algo mais fixo e imutável do que o que somos por dentro. Precisamos de Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hb 13.8), e precisamos observar o corpo que ele nos deu, criado por meio dele e para ele (Cl 1.16-17).
Por que o martelo é pesado e achatado em um dos lados? Por que os livros cabem direitinho em nossas mãos? Por que o banco do piano está na altura certa e as teclas do piano têm o tamanho ideal para os dedos? Por que as mangueiras são compridas e ligadas às torneiras? E por que as mulheres são macias, com seios, e braços, e quadris em curvas, e pés, e pernas, e cabeça, e útero, e um ciclo mensal? Por que as avós são tão fofas?
Apenas por acaso? Que importância tem tudo isso? Talvez você pense que eu esteja diminuindo sua qualidade como pessoa, reduzindo as mulheres ao somatório de suas partes, deixando implícito que as mulheres não são mais que incubadoras para bebês, ou pior: não mais que a sua sexualidade.
Não somos menos do que os nossos corpos
Eu explico. Com certeza, as mulheres são mais que a sua sexualidade; somos mais que útero ou pernas; mais que a maciez e as curvas, até mesmo mais que as nossas mentes, mas não somos menos do que essas coisas. Não somos menos do que os corpos que Deus nos deu. Os corpos são importantes. Estes corpos nos conduzirão até o dia de nossa morte ou até que Cristo volte, e então serão transformados em novos corpos que durarão para sempre. Sendo assim, vemos que Deus estima o nosso corpo em alto valor. Ele não está colocando essa ideia de lado.
A forma devastadora com que a nossa sociedade trata o chamado do corpo feminino é despindo-o com sagacidade a fim de usá-los para obtenção de poder e dinheiro. Quantas filhas, irmãs, mães e amigas acreditam que o seu corpo só tem valor quando elas são objetos, vistas com luxúria? Ou só quando ganham dinheiro sob a falsa bandeira de empoderamento? Nossos ideais “repletos de Beyoncé” vão contra cada compasso de nosso coração recém-feito nova criação.
O mundo ama os corpos das mulheres para o seu uso autônomo hedonista, como a pornografia ou promoções, mas odeia os corpos femininos quando fazemos exatamente o que foram feitos para fazer e ser, como dar à luz crianças indefesas e se doar para mantê-las vivas. Em vez de usar um martelo para martelar, nós o polimos, e pintamos, e o penduramos na parede para ficarmos olhando fixamente para ele, sem usá-lo adequadamente. Em vez de fazer música com um piano, recusamo-nos a afiná-lo e colamos o teclado com superbonder para não tocarmos um acorde sequer – mas, puxa, como é lindo e parece que poderia fazer música se, por acaso, alguém o tentasse tocar. Em vez de o corpo da mulher dar vida, tornamo-lo um cemitério de crianças rejeitadas.
Existem algumas grandes exceções a essa visão hedonista de nossos corpos em que a nossa cultura os enxerga de maneira igualmente pecaminosa. São elas a amamentação, o parto sem nenhum tipo de anestesia e a promoção de corpos “naturais”. Isso vai totalmente na contramão, tornando o corpo em um monumento de perfeição possível apenas antes da Queda, como se todas nós pudéssemos ser deusas da fertilidade, com a capacidade de curarmos a nós mesmas, desde que sigamos todas as regras dos gurus da internet. Sem referência à maldição do pecado que infectou todas as coisas, tudo que é “natural” se torna inerentemente bom e sagrado.
Por meio de cirurgias plásticas e de uma ênfase desordenada em saúde e dieta perfeitas, nossos corpos se tornaram como mausoléus que não ousamos profanar por quaisquer coisas que não sejam as que nós resolvemos que nos beneficiariam. Então, enquanto uma mulher se alegra na academia, provando os limites do seu corpo com o objetivo de parecer mais bonita e jovem, e poder vestir uma roupa nova de número menor, muitas nem sonhariam em testar seus limites em trabalhos de qualquer tipo com uma finalidade sem benefício pessoal, apenas para o bem do outro. Mesmo o parto natural, que as mulheres muitas vezes se comprometem a realizar por razões altruístas, ao querer poupar o contato potencial do bebê com drogas como a anestesia, muitas vezes é superado por mulheres que o fazem por motivos de autorrealização, obtenção de elogios e superioridade.
As mulheres cristãs precisam entender que os nossos corpos fazem parte da inabalábel revelação de Deus para nós.
Este artigo é um trecho adaptado com permissão do livro Mulher (a)típica, de Abigail Dodds, Editora Fiel.
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