Um blog do Ministério Fiel
Evangelismo por meio do tema Criação-Queda-Redenção-Restauração
Como evangelizar com base na História da Salvação
Gostaria de começar nossa reflexão neste breve artigo assumindo o pressuposto de que cristãos devem evangelizar, ou seja, compartilhar pessoalmente as boas novas de salvação, o Evangelho de Jesus Cristo.
Partindo deste ponto, a teologia reformada tem, de forma equilibrada, definido o Evangelho de duas formas complementares: Se por um lado, definimos o Evangelho stricto sensu (em sentido estrito) como a obra redentora de Jesus Cristo que salva indivíduos por meio de sua morte substitutiva, sepultamento e ressurreição vitoriosa (1Co 15.1-4); por outro lado, definimos o Evangelho lato sensu (em sentido amplo) como a totalidade da história da redenção conforme revelado em toda as Escrituras.
Essa última compreensão olha o Evangelho como a metanarrativa bíblica. Uma única história abrangente, que dá sentido a todas as outras histórias menores contidas na Bíblia, em que Jesus é o centro e está presente, direta ou indiretamente, salvando não só indivíduos, mas redimindo toda a criação. Portanto, a metanarrativa bíblica é o alicerce teológico e interpretativo para entender a mensagem central da Bíblia, ou seja, o Evangelho.
Desta forma, afirmam Michael Goheen e Craig Bartholomew: “Evangelismo não é primariamente chamar pessoas para tomarem uma decisão, não é simplesmente uma questão de compartilhar uns poucos textos chave sobre pecado e perdão. Evangelismo é convidar pessoas para encontrarem seu lugar na história de Deus (The Drama of Scripture: Finding Our Place in the Biblical Story, Baker Academic, 2004, p. 12 – tradução livre).
Assumindo um modelo de metanarrativa com quatro atos, CRIAÇÃO-QUEDA-REDENÇÃO-RESTAURAÇÃO, podemos desenvolver conversas evangelísticas em qualquer contexto da experiência humana. Essa abordagem conecta a mensagem do Evangelho com as perguntas fundamentais do coração humano: Quem sou eu? Qual o sentido da vida? Por que as pessoas morrem? O que há de errado com o mundo? Por que tanta maldade? Há esperança?
Primeiro Ato — Criação
Deus cria o mundo e tudo o que nele há, incluindo a humanidade, de forma boa e perfeita (Gênesis 1-2). O ser humano é criado à imagem de Deus, com um relacionamento especial com o Criador.
Apresente Deus como o Criador bom e soberano de todas as coisas. Explique que fomos criados à sua imagem, com propósito, identidade e dignidade.
Pontes para introduzir o Evangelho:
Diante da maravilha da criação, você pode argumentar que “Deus criou todas as coisas perfeitamente boas, por isso, todos devem adorar a Ele e não as coisas criadas.”
Diante da falta de identidade e propósito, você pode dizer algo como “você foi criado a imagem de Deus para glorificar a Ele e se relacionar com Ele”.
Diante do relativismo e dilemas morais, você pode ir na direção de algo como “Deus é soberano, nosso Criador, por isso os homens devem seguir a sua Lei e enfrentarão o juízo divino se não o fizerem.”
Segundo Ato — Queda
O pecado entra no mundo por meio da desobediência de Adão e Eva (Gênesis 3), trazendo a corrupção, a morte e a separação de Deus; toda a criação é corrompida por essa queda.
Pontes para introduzir o Evangelho:
Diante dos sofrimentos e tragédias, você pode dizer algo como “o mundo, embora criado bom, tornou-se um lugar cheio de maldade, por isso existe tanto sofrimento no mundo. Foi pelo pecado do homem que o mal entrou no mundo e afetou toda a criação”.
Diante das falhas pessoais, você consolar dizendo que “o pecado afetou nossa natureza e nos tornamos pecadores. Todos nós erramos e sentimos as consequências disso. Precisamos de salvação.”
Diante da maldade no mundo, é propício dizer “todos pecaram e estão afastados de Deus, não há ninguém que busque a Deus e todo designo do coração sem Deus é mal”
Diante do mal estrutural no mundo: “Por causa do pecado, a Bíblia diz que o mundo jaz no Maligno e ele se tornou o príncipe deste mundo”.
Diante da morte, você pode ensinar que “todos os homens pecaram e todos estamos condenados à morte física e pior ainda, a morte eterna.”
Terceiro Ato — Redenção
Deus enviou seu Filho Jesus Cristo para salvar e redimir a humanidade por meio de sua vida, morte e ressurreição. (João 3.16; Romanos 5.8; Efésios 2.1–10).
Fale sobre como Deus agiu na história para restaurar o que foi perdido. Chame as pessoas a se arrependerem, crerem na obra de Jesus. Enfatize que isso não é uma decisão momentânea, mas, o início de uma nova vida dentro da história de redenção eterna de Deus.
Mensagem do Evangelho
Abaixo, coloco dois exemplos de como você poderia introduzir a mensagem do Evangelho:
“Jesus veio para nos salvar. Ele pagou o preço pelos nossos pecados. Por meio dEle, podemos ter um novo começo e vida eterna.”
“O pecado estragou tudo, mas, Jesus veio para anular o efeito do pecado a começar em nosso coração, passando por nossos relacionamentos e estendendo a redenção para todas as áreas da nossa vida.”
Quarto Ato — Restauração
A restauração é a conclusão plena da redenção, quando Cristo voltar e o mal for definitivamente derrotado e Deus restaurar todas as coisas em Cristo (Apocalipse 21-22). O povo de Deus viverá para sempre em um novo céu e nova terra.
Fale sobre a promessa da restauração final, o novo céu e nova terra, onde Deus fará novas todas as coisas, dando assim, esperança e direção para a vida cristã.
Ponte para a esperança do Evangelho
Diante da desesperança em relação ao futuro, diga algo como “em Cristo, há esperança para o futuro. Deus está preparando um novo mundo, onde tudo será restaurado. Você pode fazer parte disso.”
Diante da desesperança frente as injustiças, você pode consolar da seguinte maneira: “quando Jesus voltar para os que creram nEle, toda a injustiça que você sofre e vê no mundo será julgada por Ele; e todo sofrimento terá fim.”
Diante da incerteza sobre a vida após a morte, você pode ser incisivo dizendo algo como: “se você morrer crendo em Cristo, irá ressuscitar para viver eternamente com Ele em um Novo Céu e uma Nova Terra onde reina a paz e a justiça.”
Enfim, é perfeitamente possível e necessário unirmos uma saudável teologia bíblica a uma piedosa prática evangelística. Uma prática evangelística baseada na metanarrativa bíblica, na História da Redenção, é um poderoso e eficaz remédio para a tendência atual da diluição do Evangelho em água e açúcar.

