Um blog do Ministério Fiel
Quando a dor e doença nos envolve
Capítulo 2 da série "Satisfação em Deus em meio ao sofrimento"
Nota do editor: Este é o segundo de 8 artigos da nova série de Desiring God – Satisfação em Deus em meio ao sofrimento.
A miséria adora companhia, mas a alegria anseia por uma multidão.
Eternidades antes do cosmos, havia o Pai, o Filho e o Espírito Santo desfrutando um do outro em deleite arrebatador. Mas a Trindade pensava em uma multidão maior. O plano de Deus era reunir incontáveis filhos e filhas em sua estrondosa cachoeira de alegria.
Neste plano, Jesus Cristo comanda o centro do palco, e o Pai nunca se cansa de se gloriar dele: “Eis… o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz” (Isaías 42.1). Em Jesus, o Pai vê a fonte de toda a inteligência, grandeza e bondade que já existiu. (O Espírito Santo não se importa com isso.) Portanto, se quisermos saber o que — ou Quem — enche o coração de Deus de alegria, o próprio Pai nos diz em Mateus 3.17: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”
Jesus é a alegria encarnada. Ele nada em júbilo e é positivamente impelido a compartilhar seu prazer conosco. Por quê? Porque a alegria se multiplica na multidão. Como ele diz em João 15.11: “Tenho-vos dito estas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa”. Jesus anseia por encher os seus discípulos com o tipo de alegria profunda e inabalável que o sustentou em seus próprios sofrimentos (Hebreus 12.2). E se você crê nele, você está entre essa multidão comprada com sangue.
Mas há um porém.
Sem sofrimento, sem alegria
Como o Monarca solene de todos, Deus compartilha sua alegria em seus próprios termos. E esses termos exigem que soframos, em certa medida, como seu Filho amado sofreu quando andou na Terra (Filipenses 1.29). A alegria de Deus não sai barata. Ela nos custa. Pois, se Jesus suportou sua cruz pela alegria que lhe foi proposta, deveríamos esperar menos? Pedro nos diz. “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.” (1 Pedro 2.21).
Mas não tema. Nosso chamado para sofrer por Jesus vem de um Deus que é terno além de qualquer descrição. Em nossa dor e fraqueza, ele está mais perto do que um irmão (Provérbios 18.24), ele atende ao seu clamor de aflição (Salmo 9.12), ele guarda todas as suas lágrimas (Salmo 56.8) e recompensará sua perseverança com toda a alegria que a eternidade pode reunir (2 Coríntios 4.17). Talvez o melhor de tudo seja que, se sofrermos com ele, “também reinaremos com ele” (2 Timóteo 2.12). Que alegria!
Durante anos, na minha cadeira de rodas, fiquei cega a tudo isso. Odiava ser tetraplégica. Estava imersa numa cultura de conforto e conveniência como um picles em conserva no pote de vinagre, imersa em egocentrismo e totalmente alheia à grave ofensa das minhas queixas e reclamações. Com uma fé tão imatura, eu confiava em Jesus apenas na minha imaginação.
Então Deus lançou uma granada de mão no meu andar vacilante com Cristo: eu agora tinha dor crônica além da tetraplegia. A miséria de tudo isso me forçou a fazer uma escolha. Eu, de fato, confiaria em Deus ou não? Um amigo sábio me mostrou Filipenses 1.29: “Porque a vocês foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, mas também padecer por ele.” Deus havia me concedido — ou presenteado — com um sofrimento agravado para que minha confiança real nele fizesse Jesus parecer grandioso.
A coisa toda tinha um apelo de coração de leão. Posso fazer algo que agrade a Deus? E então eu depositei vigorosamente minha confiança em Deus. Com o tempo, fazer isso me purificou de queixas, me trouxe para perto do meu Salvador e sua graça, disciplinou meu coração e mente, expandiu minha esperança, me fez ter fome de verdade e me ensinou a agradecer em tempos de tristeza e dor. Meu sofrimento me colocou em um novo caminho — um caminho rumo à santidade.
E aí reside a alegria tão extática e efervescente que é como pisar sob uma cachoeira estrondosa de deleite. Sempre que infecções, úlceras de pressão e pneumonia intensificam minha dor, eu me agarro mais a Deus, evito mais pecados (como ansiedade e medo) e atribuo maior glória a Cristo. E então ele abre as comportas para mais alegria, e eu não posso deixar de dizer: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas… por amor de Cristo.” (2 Coríntios 12.9-10). Mais do que contente, estou completamente feliz. “Pois tu, Senhor, me alegraste” (Salmo 92.4).
Seu Rio de Delícias
Ainda luto com a minha deficiência? Claro. E me contorço de dor terrível? Sim. Mas isso não diminui a alegria. Pois estou “entristecida, mas sempre alegre” (2 Coríntios 6.10).
Você não foi feito para viver em um pote de picles. Você foi feito para nadar em um rio de prazer. Portanto, “participe dos sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2.3). Abra seu coração para o tanque cheio de prazer que transborda das paredes do céu (Salmo 16.11).
Amigo, o plano do Pai, do Filho e do Espírito Santo para resgatar os humanos não é apenas por amor ao homem. É por amor a Deus. O Pai está reunindo uma multidão experimentada na batalha — uma herança pura e santa — que se deleitará em Sua alegria e fará de sua eterna ambição adorar Seu Filho na felicidade do Espírito Santo. Deus é amor, e o desejo do amor é inundar de alegria aqueles por quem Deus sofreu.
E em breve, o Pai, o Filho e o Espírito Santo terão o seu desejo realizado.

