Um blog do Ministério Fiel
Meu pecado causou meu sofrimento?
Trecho do livro John Piper Responde
Nota do editor: este artigo é um trecho adaptado e retirado com permissão do livro John Piper Responde, de Tony Reinke, que será publicado pela Editora Fiel em 2026. Neste livro, Tony Reinke, apresentador do podcast Ask Pastor John (versão em português pelo Voltemos ao Evaneglho: John Piper Responde), resume e organiza dez anos de seus episódios mais perspicazes e populares em seções temáticas acessíveis. O livro é escrito por Tony, mas as falas ou termos entre aspas são citações diretas do Pr John Piper em seus episódios do podcast.
Às vezes, nosso sofrimento mais doloroso é causado diretamente pelo nosso pecado (1Co 11.30-32). Frequentemente, porém, o pecado não é a causa direta de nosso sofrimento (Jo 9.3; 2Co 12.8-9). Como sei, então, se meu sofrimento deve ser enfrentado (1) com perseverança paciente ou (2) com arrependimento imediato?
Ambas as categorias são verdadeiras. Deus envia certos sofrimentos (2) para que avaliemos nossa vida (Hb 12.6), mas também (1) para que o engrandeçamos enquanto suportamos a dor com fé e paciência (Jo 9.3). Sendo assim, como sabemos a razão por trás da dor? “Deus pode nos deixar claro o porquê; ele pode. No entanto, pode também escolher não revelar.” Normalmente, essas categorias são “permeáveis” e “sobrepostas”. Portanto, devemos responder a todo o nosso sofrimento com autoavaliação e com esperança paciente.
Tiago nos chama para enfrentar todas as várias provações da vida com “toda alegria” para que essas provações possam construir “firmeza” em nós (Tg 1.2-4). “Tiago não distingue se elas vêm em resposta a pecados específicos que cometemos. O que ele diz é que, em todo tipo de provação — todo tipo —, a fé está sendo testada. O objetivo em cada provação é um tipo de firmeza que mostra que Deus é confiável, sábio, bom, valioso e todo-suficiente para a nossa situação.” Por isso, quer possamos ou não dizer que determinado pecado causou o nosso sofrimento, respondemos da mesma forma: “Que cada provação tenha seu efeito santificador de matar o pecado, promover a fé, promover a paciência e promover o amor. Se o pecado é conhecido, mate-o. Se for desconhecido, peça ao Senhor para protegê-lo, para purificá-lo de falhas ocultas e para aumentar suas capacidades de fé e paciência (Sl 19.12; 139.23-24).
Observe que o sofrimento de Jó começou quando ele era um homem irrepreensível (Jó 1.1). Contudo, com o tempo, os sofrimentos de Jó despertaram nele “o sedimento da pecaminosidade remanescente”, da qual ele se arrependeu mais tarde (Jó 42.5-6). “Seja o sofrimento um castigo por algum pecado específico, seja uma oportunidade de glorificar a Deus por meio da fé e da paciência — em ambos os casos, descobriremos resquícios de pecaminosidade em nossa vida, dos quais devemos nos arrepender e superar. Foi por isso que eu disse que sempre há espaço para autoavaliação.” Então, quando o sofrimento chegar, avalie e suporte com paciência. Não o ignore ou o tema como um sinal da condenação de Deus, pois ambas as respostas estão erradas (Rm 8.16-17).35
Ao considerar a dor infligida à vida de Jó, devemos estar cientes de seu pecado — e do nosso. Cada um de nós é digno do juízo de Deus como “filhos da ira” (Ef 2.3). Então, tudo e qualquer coisa que nos é dada que não seja juízo é “imerecido”. Cada respiração que damos, qualquer momento em que não sofremos — é tudo graça “imerecida” para os pecadores. Cientes disso, podemos ter certeza de que “nenhuma injustiça de Deus é feita a qualquer ser humano. Na Terra, todos nós somos tratados por Deus melhor do que merecemos — todos nós.” Quando se trata da justiça do Dilúvio global, “até que sintamos a profundidade e o horror do pecado que o causou, grande parte da Bíblia simplesmente não fará sentido para nós”. Tragédias globais nos lembram do horror do pecado contra Deus. Mas a redenção não acaba com o nosso sofrimento nesta vida. Cristãos sofrem (1Ts 3.3; 2Ts 1.5), porém sofrem no consolo de que suas dores estão “nas mãos de nosso Pai todo-sábio, todo-poderoso e todo-bondoso”. Não nas mãos de Satanás, do destino ou de um deus que se diverte com a nossa dor. Cada aguilhão na vida é designado e administrado por um Pai amoroso, para o nosso benefício final (Rm 8.28). Desse modo, podemos nos consolar com o fato de que (1) Deus designa a nossa dor (2) para o nosso bem final e (3) para promover seus sábios propósitos. No decorrer de todas essas coisas, o Senhor nos manterá firmes.36
Neste tópico, o conceito de redenção é essencial. Nunca confunda juízo com disciplina. Existe entre eles “uma diferença infinita”. (1) Deus exerce juízo sobre seus inimigos — a “miséria” que ele impõe às pessoas, mas sem “qualquer finalidade purificadora, restauradora ou reabilitadora, servindo exclusivamente para manifestar sua justiça santa, sua retribuição”, e não restituição (Ap 16.5-6). Isso ficará especialmente claro em seu juízo vindouro e eterno (Ap 19.1-3). (2) Mas Deus disciplina seus filhos — um contraste gritante. Disciplina “não é retribuição” para os inimigos de Deus; é reservada para os filhos “que ele ama e pretende aperfeiçoar, mesmo que envolva o desagrado de Deus”, tudo para o nosso bem final, “para que possamos partilhar da santidade de Deus como filhos amados” (Hb 12.5-11).
A verdade séria é que “muitas das coisas dolorosas na vida do cristão são devidas aos nossos próprios pecados: alguns que cometemos antes de sermos cristãos e outros que cometemos desde que nos tornamos cristãos”. Nosso pecado pode até justificar a morte física, como veremos na próxima pergunta (1Co 11.30). No entanto, em situações extremas como essas, a disciplina impede algo pior (1Co 11.31-32). É “um exemplo impressionante do juízo disciplinador de Deus, a ponto de causar a morte de um de seus filhos. Essa morte é o efeito disciplinador do pecado na vida dos filhos porque os impedem de ir para o inferno.” Portanto, “há uma infinita e preciosa diferença entre a justiça retributiva de Deus na punição e a disciplina purificadora de Deus em nossa dor. E essa diferença não se encontra na origem — a origem humana — da dor, seja boa ou má, porém no propósito e no desígnio de Deus em nosso sofrimento.”37
35 JPR 1536: “Is My Suffering a Correction for Sin?” [Meu sofrimento é uma correção pelo pecado?] (9 de outubro de 2020).
36 JPR 1693: “Reckoning with the Message of Job” [Acertando as contas com a mensagem de Jó] (18 de outubro de 2021).
37 JPR 1002: “Is Pain Punishment for My Sin?” [A dor é um castigo pelo meu pecado?] (13 de fevereiro de 2017).

