O Rei que alvorece na escuridão

Capítulo 1 da série "O Alvorecer do Rei - Reflexões de Natal 2025"

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Nota do editor: Este é o primeiro de 5 artigos da nova série de Desiring God – “O alvorecer do Rei – reflexões de Natal 2025”.


Você já se perguntou por que Deus criou a luz? Certamente ele poderia ter criado o mundo de outras cem maneiras. Quando a imaginação infinita se une à criação ex nihilo, as possibilidades são infinitas. Então, por que Deus escolheu preencher este mundo com luz?

Talvez ainda mais curioso seja o motivo pelo qual Deus associou a luz tão intimamente ao sol. Ele poderia ter seguido um caminho diferente, inventado outro tipo de vela cósmica. Por que Deus infundiu ao sol, com seu ritmo infinito de nascer e de se pôr, a soberania do dia? Por que Ele ordena à estrela da manhã, todas as manhãs, “Faça de novo”, com um entusiasmo aparentemente inesgotável?

Deus responde a cada uma dessas perguntas da mesma maneira: por Cristo . Ele criou a luz e a uniu a um sol que nasce e se põe para nos ajudar a desejar e nos deleitar no verdadeiro Filho. Como diria C.S. Lewis, Deus ordena o amanhecer diário para nos dar uma referência à Brilhante Indefinição de Sua glória. Através das coisas criadas, o Filho brilha mais intensamente e se torna menos indistinto. A luz e o sol existem para Cristo (Colossenses 1.16).

Em resumo, o nascer do sol nos ensina sobre o nascer do sol que confessamos no Advento: Cristo veio. Cristo virá novamente .

O Rei Despertou

Em uma das mais belas profecias das Escrituras, Isaías descreve a primeira vinda de Cristo como uma espécie de alvorecer cósmico:

O povo que andava em trevas viu grande luz,
e aos que viviam na região da sombra da morte,
resplandeceu-lhes a luz. (Isaías 9.2)

Note que o Filho se levantou sobre um povo perdido nas trevas. A escuridão, é claro, é uma metáfora, uma que a Bíblia frequentemente associa ao mal, ao pecado e à morte. No contexto imediato de Isaías, o povo de Deus o havia abandonado e buscado segurança em um rei humano (Isaías 8.6). Eles rejeitaram a Palavra de Deus (versículo 20). Eles se enfureceram contra o seu Criador (versículo 21). Eles “não têm aurora”; são habitantes das trevas — porque deram as costas a Deus como a única fonte de vida, alegria e luz. A escuridão espiritual é a falta de deleite em Deus.

Essa mesma escuridão nos assombra desde o jardim — uma penumbra tão antiga quanto o Éden. Deus nos fez filhos brilhantes, mas caímos sob o domínio sombrio do pecado. Desde Adão, todos nós permanecemos em uma prisão sem luz, criada por nós mesmos (Isaías 42.7). Não apenas praticamos as obras infrutíferas das trevas; nós éramos trevas (Efésios 5.8-11).

Mas então o Rei se revelou para nós. Como diz Isaías, um filho nos foi dado, nascido sob estrelas que cantavam (Isaías 9.6). Naquela antiga manhã de Natal, o Sol nasceu, escancarando as portas do céu. Ele veio para iluminar a noite, para corrigir todo o mal e, com sua ressurreição, banir a morte. Ele veio para nos trazer para a sua alegria radiante.

Assim como os salmistas, Isaías associa a alegria ao amanhecer. Quando o Filho se levanta, ele acende a alegria do seu povo (versículo 3). Isaías fundamenta essa alegria em um tríplice propósito: pois ele quebrará a nossa escravidão (versículo 4); pois ele dará fim à nossa guerra (versículo 5); e pois ele amanhecerá como rei eterno (versículos 6-7). “Deus colocará Cristo em seu trono real”, diz João Calvino, “para que sob ele se possa desfrutar da suprema e eterna felicidade” ( Comentário sobre Isaías, 306).

Tudo isso e muito mais, Cristo cumpriu em sua primeira vinda — em parte. No entanto, ainda aguardamos o renascimento permanente do Filho que virá.

O Rei Amanhecerá

O sol nasceu ontem. O sol nascerá amanhã. O sol nos fala sobre Jesus. Nosso Rei despontou. Nosso Rei despontará novamente.

O Advento nos ensina a cultivar a saudade matinal. É um tempo de gemidos e alegria — alegria pela vinda de Cristo e gemidos pela sua segunda vinda. O Advento é um período de transição, em que aguardamos com anseio a segunda vinda enquanto recordamos com deleite a primeira.

Preciso lembrar que ainda habitamos uma terra de trevas? Cristo derrotou a morte, sim, mas a morte ainda nos espreita. O Leão de Judá desarmou Satanás, mas Satanás ainda ronda. Nossa culpa se foi, mas o pecado ainda habita os recônditos sombrios dentro de nós. Então, esperamos, esperamos e esperamos, com os olhos turvos pela penumbra, mas com o coração ansiando pelo nascer do Sol.

Quando vier — quando Ele vier — não precisaremos mais do sol nem da lua. Estes são apenas tênues vislumbres da verdadeira Luz do Mundo. O Cordeiro será nossa lâmpada eterna. Quando a manhã chegar, “o seu sol nunca mais se porá… porque o Senhor será a sua luz eterna” (Isaías 60.20). A Estrela da Manhã surgirá tão cheia de glória que deslumbrará o mundo inteiro. Contemplaremos o Filho e nos maravilharemos (2 Tessalonicenses 1.10). A aurora fará novas todas as coisas.

O Rei Desperta

Cristo veio. Cristo virá novamente. Mas essa não é toda a história. O ritmo implacável do nascer do sol nos mostra que Cristo vem. O Rei surge. Ele brilha sobre nós diariamente; vivemos em sua luz. Ele não nos deixou órfãos, vagando sem rumo por um crepúsculo milenar. Nós já somos “filhos do dia” (1 Tessalonicenses 5.5).

Mudando um pouco a metáfora, quando um Filho foi dado, a aurora começou a despontar no horizonte. “A verdadeira luz… estava vindo ao mundo” (João 1.9). Um dia, Ele se manifestará plenamente e inaugurará o meio-dia eterno. Veremos a criança que nasceu, e nossa alegria será completa. Nos banharemos na plena luz da Estrela da Manhã. Mas até esse dia chegar, podemos continuar a saborear a glória de Cristo enquanto Ele resplandece em Sua palavra e em Seu mundo pelo Seu Espírito. A manhã já é – ainda não.

Neste Advento, no Voltemos ao Evangelho em parceria com Desiring God, vamos nos deleitar na glória do Filho, explorando os quatro títulos com os quais Isaías coroa Jesus: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz. Cada um desses raios de luz encontra um dos nossos anseios mais profundos, ilumina nossa escuridão e nos ajuda a antecipar o alvorecer do Rei eterno.

Junte-se a nós neste mês enquanto aprendemos a ansiar pela Luz. Venha e veja o nascer do sol!

Por: Clinton Manley © Desiring God Foundation.Website: desiringGod.org. Original: The King Dawns in Darkness. Traduzido com permissão. Revisão e edição por Vinicius Lima.

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