Já temos milhares de hinos e cânticos bons — ainda precisamos de mais?

Utilize o cupom VOLTEMOS15 e tenha acesso ao Fiel Digital com 15% OFF em todos os planos.

Recentemente, comecei a ler o hinário “Our Own Hymnbook” , compilado por Charles Spurgeon para uso no Tabernáculo Metropolitano. Apesar das minhas convicções batistas reformadas e do meu amor pela hinologia, eu havia negligenciado aquele que se tornou um dos meus hinários favoritos. Contudo, enquanto lia, me peguei perguntando: Será que nossas igrejas ainda precisam de novos hinos?

O povo de Deus é um povo que canta. Este hinário contém 1.130 hinos. Se uma congregação cantasse de oito a dez hinos por semana, poderia cantar todo o hinário por mais de dois anos sem repetir nenhum. E isso sem cantar os Salmos divinamente inspirados ou qualquer coisa escrita depois de 1868.

Considerando esse rico tesouro que nos foi legado, precisamos de mais canções?

Hinos da Nossa História

Como compositor de hinos, seria de se esperar que eu dissesse um sim retumbante. Mas isso seria um exagero.

A rigor, não precisamos de mais hinos. Os Salmos, por si só, são suficientes para uma eternidade de adoração. Se acrescentássemos os hinos de Charles Wesley, Isaac Watts e outros, estaríamos mais do que plenamente supridos. Nosso próprio hinário contém muitos hinos excelentes que resistiram ao teste do tempo.

Na verdade, esses e outros hinos antigos fazem parte do que C.S. Lewis chamou de “brisa pura dos séculos”. Assim como os livros antigos, os hinos antigos corrigem nossos pontos cegos e trazem verdades comprovadas pelo tempo para nossas almas. Faríamos bem em incluir hinos como esses — juntamente com os Salmos — como parte significativa de nossa adoração.

No entanto, novos hinos também têm seu lugar em nosso culto. Canções podem ser escritas para falar ao nosso povo, em nosso tempo, em nossa língua.

Como compositores de hinos, escrevemos letras para o nosso culto, para as nossas congregações, para as pessoas que conhecemos e amamos. Escrevemos para ajudar “a palavra de Cristo a habitar ricamente em [eles], ensinando e aconselhando-se uns aos outros com toda a sabedoria, cantando salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.16). Assim como o pregador prepara o seu sermão tendo em mente a congregação reunida, os poetas preparam as suas canções.

Hinos para o Seu Povo

Há alguns meses, um membro mais antigo da nossa congregação me parou no corredor após o culto. “Eu estava lendo o Hinário de Olney esta semana, e isso me fez lembrar de você”, disse ele. Fiquei bastante lisonjeado até que ele acrescentou: “Me chamou a atenção o fato de que a maioria dos hinos de Newton não eram muito bons”.

Ai! Felizmente, não foi a má qualidade dos hinos que o fez lembrar dos meus. Ele só queria me encorajar a continuar escrevendo, porque, embora muitos dos hinos de Newton tenham sido escritos para uma ocasião específica e merecidamente caído no esquecimento, no processo ele compôs alguns verdadeiramente geniais.

Nosso mundo certamente seria mais pobre se John Newton tivesse olhado para um hinário em 1772 e pensado: “Não, já temos o suficiente “. Você consegue imaginar um hinário sem “Amazing Grace” ou “Glorious Things of Thee Are Spoken”? Claro, a maioria de nós não escreverá hinos tão poderosos e duradouros quanto esses. Mas, como meu amigo observou, Newton também não pensava assim na maioria das vezes. Ele escrevia hinos para ajudar sua congregação a compreender as verdades do texto que ele pregava naquele domingo.

Muitas de nossas canções durarão apenas um instante. Como a grama e as flores do campo, nossas palavras e canções murcharão — algumas mais rapidamente do que outras. Somente a Palavra do nosso Senhor permanece para sempre (Isaías 40.6-8). Mas novos hinos ainda podem fazer muito bem ao povo de Deus. Se Jesus demorar a voltar, talvez alguns hinos escritos hoje sejam o primeiro sopro da brisa pura que virá pelos séculos vindouros.

Hinos para a Sua Glória

O mais importante é que tanto o poeta quanto o pregador preparam suas palavras tendo em mente o mesmo público-alvo. A melhor razão para escrever novos hinos é expressar, de novo, nossa admiração, amor e louvor ao nosso bom Deus.

Mais de 150 anos se passaram desde que Spurgeon compilou seu hinário. No entanto, o Deus a quem servimos permanece o mesmo. O pecado e a salvação permanecem os mesmos. A humanidade permanece a mesma. Suas misericórdias permanecem as mesmas, e as experimentamos de forma renovada a cada manhã. Nossos cânticos, assim como nossos sermões, não devem conter verdades “novas”, mas verdades antigas expressas de uma nova maneira. Como diz o título de um dos meus álbuns de Salmos favoritos, estes são “caminhos antigos, pés novos”.

Assim sempre foi. O salmista escreve: “Cantem ao Senhor um cântico novo” (Salmo 96.1), mas o cântico que ele canta não contém nada que não se encontre nos 95 salmos anteriores. Ele canta sobre a salvação de Deus (ver Salmos 3, 9, 13, 18, 68), declara a sua glória às nações (ver Salmos 9 , 68), louva a Deus pela obra da criação (ver Salmo 8), atribui a Deus força e glória (ver Salmos 8 , 24, 29) e une toda a criação em louvor a Deus (ver Salmos 89, 93). Gerações antes de nós viram a glória de Deus e ergueram seus Ebenézeres em cânticos para dizer: “Aqui cheguei com a tua ajuda”. Assim também devemos fazer.

Então, poetas, peguem suas canetas e louvem a Deus, cuja misericórdia se renova a cada manhã. Escrevam para Deus e para nós uma nova canção. Contem-nos a velha história de uma nova maneira. Escrevam a melhor canção que puderem e estejam preparados para que ela seja esquecida. Aconteça o que acontecer com a sua nova canção, Deus a ouviu, e isso basta.

Por: James W. Shrimpton © Desiring God Foundation.Website: desiringGod.org. Original: Write a New Song to the Lord. Traduzido com permissão. Revisão e edição por Vinicius Lima.

Acesso ao Fiel Digital com 15% OFF.