“Venham e vejam”

O convite de Jesus para contemplar sua glória

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Há alguns anos, ganhei um binóculo novo de presente de aniversário. Quando nossa família viajou para o Grand Canyon, eu conseguia ver, da margem sul, jangadas no Rio Colorado a um quilômetro e meio abaixo, formações rochosas impressionantes e camadas de sedimentos, e até mesmo as asas abertas de um condor-da-califórnia. Em muitas ocasiões, eu exclamava: “Venham ver isso!” e entregava o binóculo aos meus filhos. Não teríamos visto nem apreciado essas maravilhas se tivéssemos apenas dado uma olhada rápida pela janela de um carro em movimento. Precisávamos diminuir a velocidade e olhar com atenção através das lentes certas para captar a grandiosidade diante de nós.

Em João 1, o Senhor Jesus nos faz um convite surpreendente: “Venham e vejam”. O que significa atender a esse convite hoje, seja pela primeira vez ou pela décima milésima? O que veremos quando formos a ele?

Venha e veja então

Quando João Batista vê Jesus passando, diz aos seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus!” (João 1.36). Os dois discípulos, então, deixam seu mestre e perguntam a Jesus: “Mestre… onde o senhor está hospedado?” Jesus responde: “Venham e vejam”, e eles foram , viram e ficaram com ele (versículos 38-39). Esse convite pode parecer banal — como um simples “Claro, venham jantar aqui em casa”. No entanto, é impressionante que a verdadeira Luz, o Filho de Deus, convoque esses homens para “virem e verem”. Esses discípulos reconhecem Jesus como Mestre, alguém ainda maior que o Batista. André chega a dizer ao seu irmão que eles encontraram “o Messias”. Mas, ao permanecerem com Jesus, eles compreenderão muito mais da sua majestade divina.

O padrão “venha e veja” continua na cena seguinte. Jesus viaja para a Galileia, encontra Filipe e o chama: “Siga-me” (versículo 43). Filipe imediatamente procura seu amigo Natanael para lhe contar sobre Jesus. Ele reconhece corretamente que Jesus é o Messias há muito esperado, predito pelos profetas, embora identifique seu novo Mestre como “Jesus de Nazaré, filho de José” (versículo 45). O testemunho de Filipe apresenta apenas parte da imagem de Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus, concebido pelo Espírito e nascido da virgem em Belém, a cidade de Davi. Ele ainda tem muito a aprender sobre Jesus.

Inicialmente, Natanael se mostrava cético: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (versículo 46). Sendo ele próprio um novo discípulo, Filipe não contestou o amigo, mas o convidou a “vir e ver” por si mesmo. Quando Natanael foi ver Jesus, descobriu que Jesus já o via e o conhecia — não apenas suas ações, mas também seu coração. E assim, esse antigo cético se dirigiu a Jesus com um título honorífico, “Rabi” (Mestre), e confessou: “Tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel”. Jesus deu a palavra final: “Vocês verão coisas maiores do que estas” (versículos 49-50).

Natanael e os outros discípulos de fato presenciarão os sinais milagrosos do Senhor: transformar água em vinho; curar os enfermos, os coxos e os cegos; alimentar a multidão; e até mesmo ressuscitar os mortos. Mais tarde, eles verão, tocarão e jantarão com o Senhor ressuscitado. Cristo acrescenta: “Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Ele alude ao famoso sonho de Jacó em Gênesis 28.12: “Ele sonhou, e eis que havia uma escada posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela!”. Aqui, em João 1, os anjos não sobem e descem por uma escada, mas sobre uma pessoa — o Filho do Homem.

A ideia central de Jesus é que ele está onde o céu e a terra se encontram. Ele torna o Deus invisível do céu visível e conhecido na terra (João 1.18). Quando Jacó acorda de seu sonho, declara: “Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gênesis 28.16). O patriarca tem um sonho extraordinário, mas os discípulos vêem o próprio Filho divino, o Verbo que se fez carne.

Venha e veja agora!

Como podemos “vir e ver” o Filho de Deus? Não o encontramos nas ruas da Galileia como os discípulos em João 1. Mesmo que pudéssemos encontrá-lo dessa forma, os Evangelhos incluem muitos exemplos de pessoas que vieram a Jesus, viram seus poderosos feitos e se afastaram incrédulas. Muitas pessoas lançaram um olhar rápido a Jesus e não contemplaram sua glória. Então, como respondemos ao seu convite hoje?

Para “vir e vê-lo”, precisamos de óculos de fé. Considere as palavras de Jesus em João 6.35: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim jamais terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”. Neste versículo, “vir” e “crer” são sinônimos e se complementam. Assim como o pão e a água satisfazem nossa fome e sede físicas, Jesus sacia nossas almas cansadas.

Assim, “vir” a Jesus pela fé envolve responder ao seu convite, reconhecer quem ele realmente é e recebê-lo como aquele de quem precisamos. Quando nos aproximamos de Jesus dessa maneira, queremos continuar vindo para nos banquetear com o Pão da Vida e saciar nossa sede com a Água Viva. Ver Jesus não significa simplesmente notá-lo, lançar-lhe um olhar passageiro ou conhecer fatos sobre ele. Significa vê-lo espiritualmente, com a perspectiva da fé. Precisamos que Deus nos dê visão espiritual — novas lentes — para que possamos contemplar Jesus como irresistivelmente belo e satisfatório.

Ver Jesus também exige paciência e persistência. Os primeiros discípulos inicialmente veem Jesus como um Mestre honrado, ainda maior que o profeta João. Com o tempo, eles passam a reconhecê-lo como o Cordeiro de Deus, o Messias, o próprio Filho de Deus. Jesus promete que há muito mais glória para contemplar. O convite “Venham e vejam” nos incentiva a continuar vindo ao nosso Senhor pela fé, a continuar contemplando suas diversas excelências, a continuar nos banqueteando com o Pão da Vida.

Aqueles que cresceram na igreja ou professaram a fé há muitos anos podem ser tentados a presumir as glórias de Cristo por estarem excessivamente familiarizados com os relatos bíblicos de tudo o que ele disse e fez. Isso é como um guarda florestal que visita o Grand Canyon todos os dias, mas deixou de contemplar sua grandiosidade.

João 1 nos convida a contemplar o Deus-homem com fé sincera, com admiração e adoração. O apóstolo João escreve: “Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14). Você já veio e viu a bondade e a glória de Jesus, nosso Salvador e Senhor? Se sim, então você continuará vindo pela fé, continuará olhando pela fé, continuará saboreando e celebrando a doçura do nosso Salvador. Há mais glórias a serem descobertas. E desejaremos dizer aos outros: “Venham e vejam”.

 

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Por: Brian Tabb ©️ Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: ‘Come and See More of Me’ | Todos os direitos reservados. Revisão e edição: Vinicius Lima.

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