Pastoreando pessoas ansiosas e estressadas

Como falar a verdade em amor a quem sofre com ansiedade

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A ansiedade tornou-se uma das marcas da vida contemporânea, afetando cristãos dentro e fora da igreja. À luz das Escrituras, porém, a ansiedade não é apenas um problema emocional ou psicológico, mas uma realidade espiritual que exige cuidado pastoral. Este artigo apresenta princípios bíblicos para lidar com a ansiedade — como oração, paciência, presença, perspectiva e exortação — mostrando como o evangelho conduz o coração aflito à verdadeira paz em Cristo. Artigo escrito por Matt Reagan, diretor do Campus Outreach Charleston, especialista em pastorear jovens universitários com diversos problemas emocionais.


Não há dúvida do quanto a ansiedade se tornou um problema gigante e alarmante em nosso tempo. Livros foram escritos e podcasts foram gravados. Nenhuma estatística é necessária para convencê-lo de que se trata de uma epidemia. Embora eu tenha esperança de que ciclos culturais naturais (como o afastamento das redes sociais) e a graça divina possam reverter a maré da turbulência interna, o estresse e a ansiedade se tornaram pilares da vida ocidental.

Então, enquanto nos dedicamos a resolver o problema pela raiz em salas de aula e laboratórios de ciências, o fato permanece: as pessoas vivem vidas sobrecarregadas e precisam de cuidado pastoral onde quer que estejam. Seus pastores e presbíteros as estão guiando — mas o sacerdócio real dos crentes também recebeu sabedoria suficiente das Escrituras para amar uns aos outros em meio às dificuldades. Se a ansiedade está por toda parte, precisamos da ajuda de todos.

O que se segue são quatro princípios que Deus me ensinou através da minha própria e precária experiência como pastor de pessoas extremamente estressadas (também conhecidas como estudantes universitários) ao longo das últimas duas décadas.

O que é realmente a ansiedade?

Antes de abordar os princípios, porém, devo confessar que tenho dois receios simultâneos (embora não exatamente iguais) ao pastorear os aflitos. Por um lado, temo não conseguir expressar adequadamente a um irmão ou irmã sobrecarregado(a) a presença sacerdotal de Cristo, nosso irmão, que se fez carne para conhecer nossa fraqueza e angústia. Preocupo-me que minhas palavras, minha presença, ou ambas, pareçam pouco reconfortantes, até mesmo insensíveis, àquele(a) que está preso(a) em nós de ansiedade. Preocupo-me com afirmações de verdade ou exortações à mudança que pareçam minar a compaixão de Jesus.

Por outro lado, temo que meu papel de pastor, ao se expressar em escuta, afirmação e validação de emoções sem questionamento, possa levar ao egocentrismo e à autoabsorção. E embora o primeiro medo provavelmente tivesse sido mais pesado há vinte anos, é este segundo medo que me tira o sono agora.

Atualmente, é comum que as pessoas que lidam com ansiedade recebam desculpas . Houve um tempo em que a ansiedade era considerada algo pelo qual se devia pedir desculpas. A realidade, porém, é menos preto no branco. Em um sentido bíblico, a ansiedade (usada como sinônimo de “estresse”) é pecado. É o medo e a preocupação que menosprezam a Deus. É a desconfiança na bondade ou soberania de Deus (ou em ambas). Os mandamentos de Deus para “não temer” são abundantes nas Escrituras. E se você costuma distinguir entre medo e ansiedade, Filipenses 4.6-7 também apresenta essa proibição. Onde Deus nos ordena a não ficarmos ansiosos, parece que a resposta apropriada à nossa ansiedade é o arrependimento — o que significa que devemos chamar ao arrependimento aqueles que estão lutando contra ela.

Ao mesmo tempo, a ansiedade também é aflição. O próprio pecado é aflição, causando dor e angústia em todos os que estão em suas garras, mesmo que (às vezes) o apreciemos. Mas a ansiedade também é aflição no sentido de que pode surgir em nós como um resultado neurológico indireto da maldição do pecado, em vez de uma perpetração direta e consciente da incredulidade.

A sabedoria necessária aqui, ao empregar tanto o cuidado sacerdotal quanto a palavra profética, é profunda. Portanto, iniciamos esse processo de pastoreio com…

Oração

Quer eu esteja lidando com minha própria ansiedade ou com a de alguém sob meus cuidados, minha sensação de impotência é palpável. Vou dar um exemplo irônico, mas muito real. Há alguns verões, eu estava com minha família em um grande parque de diversões. Nos aproximamos da Mako, uma montanha-russa radical com uma queda de sessenta metros que atinge 117 quilômetros por hora. Minha filha entrou na Mako como se estivesse simplesmente se jogando no sofá. Ela acenou com os braços de alegria e confiou implicitamente em todas as medidas de segurança mecânicas.

Eu, por outro lado, subi a primeira ladeira com uma apreensão mal controlada, encarando com raiva o único parafuso na base da minha barra de segurança, tentando me lembrar das várias medidas de segurança e recitando mentalmente as estatísticas (“Há uma chance de 1 em 760 milhões de morrer em uma montanha-russa, o que torna o brinquedo em si um lugar mais seguro do que qualquer outro no parque…”). Mas meu coração não obedecia. Gritos primais escapavam dos meus pulmões durante todo o percurso. A inevitável camada de suor causada pela adrenalina brilhava no meu rosto quando paramos completamente.

Eu dizia a mim mesmo a verdade, mas meu corpo não obedecia. Para muitas pessoas, no dia a dia, a experiência visceral da ansiedade é a mesma. Já vi um familiar me encarar com pânico, desesperado para se livrar de uma luta aparentemente interminável. E, apesar dos meus esforços, nenhum tom, nenhuma combinação de palavras, por si só, curará o coração ansioso — pelo menos, não sem o poder do Espírito Santo.

Não podemos simplesmente aproveitar esse poder, mesmo enquanto oramos, então imploramos ao Senhor por…

Paciência

Em 1 Tessalonicenses 5.14, Paulo nos exorta a sermos “pacientes com todos”, sejam ociosos, fracos ou desanimados, assim como Jesus tem sido infinitamente paciente conosco. Afinal, a exasperação não produz a justiça de Deus (Tiago 1.20, em uma paráfrase generosa). Portanto, esperamos, lembrando-nos de nossos próprios pecados, que Deus aja. Da minha parte, paciência significa lembrar-me de que a batalha contra o pecado é para a vida toda, então nem todo momento é uma oportunidade de aprendizado.

Às vezes, a coisa mais necessária para apoiar uma pessoa estressada é…

Presença

Sim, refiro-me à sua presença, e não apenas fisicamente. Essa pessoa precisa saber que você, de uma forma ou de outra, habita o mesmo mundo sobrecarregado, que você está muito presente com ela. Mas a sua presença reconhecida é infinitamente secundária à presença Daquele que é a própria paz. O pensamento natural, e até mesmo a conclusão inevitável, para todos os que estão ansiosos é que Ele não está por perto. Um pastor sábio os traz conscientemente de volta à presença do Deus que nunca os abandonou. Com paciência e sabedoria, uma das perguntas mais úteis a se fazer a uma pessoa sobrecarregada (eventualmente) é: “O que você acha que Deus está fazendo com isso?”

Mas isso exige oferecer alguma…

Perspectiva

Esses dois últimos princípios são onde entramos definitivamente no domínio da contracultura. Cada um deles exige algo além da mera validação da experiência de uma pessoa.

A perspectiva é crucial porque os ansiosos muitas vezes sentem como se seu estresse fosse o ápice do sofrimento humano, e poucas coisas serão tão úteis quanto simplesmente ampliar a visão para observar o panorama geral. Um estudante universitário que tem duas provas no mesmo dia está vivenciando um privilégio tanto quanto uma provação. Uma pessoa que acabou de entrar na membresia da igreja mas que não conseguiu aprofundar relacionamentos em seus primeiros três meses como membro pode precisar ser lembrada de que está vivenciando relacionamentos humanos normais e a correria do dia a dia.

Por outro lado, alguns que se sentem desanimados com sua ansiedade podem precisar de uma perspectiva mais clara sobre seu sofrimento ou sobre os sinais da graça de Deus em suas vidas. Uma mãe grávida do terceiro filho, após dois abortos espontâneos, lida não apenas com a ansiedade, mas também com uma consequência brutal da Queda na humanidade. Um membro antigo da igreja, dominado pela convicção de sua própria raiva, precisa ser encorajado com a esperança da obra do Espírito Santo.

E para cada categoria, a visão geral de uma eternidade prometida, combinada com nossa insignificância relativa, geralmente serve de bálsamo para uma alma ansiosa.

Mas quando a ansiedade persiste, um bom pastor, com toda a oração e paciência, precisa fazer algo…

Exortação

Abordo este último ponto com cautela — mas em todas as categorias de estresse, ansiedade ou sobrecarga (com ou sem justificativa bíblica), o chamado é para superá-las. Em algum momento do século XXI, desenvolveu-se um ressentimento considerável na mente pseudocristã moderna contra “falar a verdade em amor” (Efésios 4.15). Mas a prática atemporal de pastores piedosos na igreja tem sido a de compartilhar a verdade feliz e esperançosa do Evangelho com aqueles que estão sobrecarregados (independentemente de suas circunstâncias), vê-los se arrependerem de qualquer olhar equivocado e vê-los crer novamente. “A fé vem por ouvir, e ouvir pela palavra de Cristo” (Romanos 10.17).

Em outras palavras, se Filipenses 4.6-7 diz: “Não se preocupem com nada”, e apresenta uma série de promessas, temos justificativa para usar essas mesmas palavras com humildade e alegria. Com sabedoria no momento certo, não há problema em dizer a alguém: “É hora de você se sentir diferente”, contanto que fique claro que o que essa pessoa sente não está em consonância com a verdade do Evangelho. Seria falta de amor não fazê-lo.

O objetivo final, seja qual for a forma como pastoreamos, é conduzir a pessoa a um lugar de paz verdadeira e duradoura. Isso só acontece quando direcionamos o olhar para a pessoa e a obra de Jesus Cristo: “Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaías 26.3). Portanto, assim como abraçamos a verdade, falemos a verdade com oração e paciência aos aflitos.

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Por: Matt Reagan ©️ Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: How to Shepherd an Anxious Soul | Todos os direitos reservados. Revisão e edição: Vinicius Lima.

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