Um blog do Ministério Fiel
O batismo cristão não é apenas um símbolo externo de fé, mas um meio pelo qual Deus confirma ao crente as promessas do Evangelho. Neste artigo, exploramos a relação entre batismo, consciência purificada, filiação divina e certeza da salvação, mostrando como essa ordenança fortalece a fé, encoraja a obediência e aponta para a união do cristão com Cristo. Artigo escrito por Joshua Bremerman, que formou-se no Bethlehem College and Seminary e trabalha como pastor de discipulado na The North Church.
Deus realiza alguma ação no ato do batismo? Se sim, qual é a sua intenção?
Quando fazemos a pergunta sob uma perspectiva humana — “O que estamos fazendo no ato do batismo?” — a maioria dos cristãos daria respostas semelhantes. No batismo, obedecemos ao mandamento do Senhor Jesus para novos discípulos (Mateus 28.19). No batismo, demonstramos exteriormente a obra interior da fé em nossos corações (Colossenses 2.11-12). No batismo, professamos lealdade a Jesus e, com ele, ao seu povo (Atos 2.38-41).
Mas será que Deus age em e através do nosso batismo?
Essa questão é importante para os batistas. Embora enfatizemos que o batismo é para os crentes — um ato de profissão de fé e obediência em Cristo — não queremos perder a beleza do que a Bíblia diz sobre a obra de Deus no batismo. E para aqueles que consideram se afastar dos círculos batistas por desejarem uma visão mais “centrada em Deus” das ordenanças, os batistas não apenas têm uma resposta para essa pergunta, como também se baseiam na resposta que o Novo Testamento oferece, e não em especulações.
A obra de Deus no batismo
Com razão, temos cuidado ao descrever a atividade de Deus no batismo. Ao discernirmos como Deus usa o batismo para o nosso bem, também identificamos o que Deus não está fazendo no batismo.
Primeiro, embora o batismo seja um sinal da Nova Aliança, assim como a circuncisão era da antiga (Romanos 4.11), Deus não introduz o seu povo na Nova Aliança por meio do batismo — ele o faz somente pela fé (Jeremias 31.31-34). Segundo, embora “nascer da água” esteja relacionado ao novo nascimento (João 3.5), Deus não regenera o seu povo por meio do batismo. Em vez disso, o Espírito Santo é o agente da nova vida (João 3.8), sendo o batismo a confirmação da sua obra decisiva. Terceiro, embora o batismo represente a união com Cristo na sua morte e ressurreição (Romanos 6.3-4), Deus não une o seu povo a Jesus por meio do batismo. Aqueles que recebem o sinal já estão mortos para o pecado e vivos para Deus pela fé em Jesus Cristo (Romanos 5.1).
Embora possa ser mais simples evitar as concepções errôneas acima, espiritualizando qualquer referência ao batismo no Novo Testamento ou excluindo Deus completamente da equação, não devemos perder de vista a verdadeira graça de Deus no batismo. O batismo não é necessário nem suficiente para a salvação, mas Deus nos dá o batismo como um meio especialmente ordenado para nos levar à plenitude em Cristo.
Como explicou Hercules Collins (1646–1702), os sacramentos “são sinais e selos sagrados, colocados diante de nossos olhos e ordenados por Deus para esta causa, para que Ele possa declarar e selar por meio deles a promessa do Seu Evangelho para nós” (Um Catecismo Ortodoxo, 25). Collins não afirma que Deus usa o batismo para selar a Nova Aliança conosco. Juntamente com outros batistas particulares de sua época, ele prioriza “o Espírito Santo prometido” (Efésios 1.13), e não o batismo, como o selo da Nova Aliança (Segunda Confissão Batista de Londres, apêndice). Em vez disso, o “selo” do batismo se relaciona à “promessa do Seu Evangelho”.
A graça de Deus no batismo, então, sela duas realidades para nós: (1) o gozo de nossa consciência limpa pela fé e (2) a confirmação de que somos filhos de Deus.
Deus conforta a consciência
O apóstolo Pedro escreve: “a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pedro 3.21). O batismo não salva na lavagem em si, mas salva em certo sentido — ou seja, como um apelo a Cristo por uma consciência limpa.
Quando somos batizados como expressão de fé, Cristo sela nosso testemunho e, assim, nos assegura da nova vida oferecida por meio de sua morte e ressurreição. Cristo usa o batismo como um meio de confirmar à nossa consciência que nossos pecados foram perdoados.
De certa forma, assim como Paulo prega, o batismo lava os nossos pecados quando invocamos o nome do Senhor (Atos 22.16). Como escreve Andrew Fuller, “O pecado é lavado no batismo da mesma forma que a carne de Cristo é comida e o seu sangue é bebido na Ceia do Senhor: o sinal, quando usado corretamente, conduz [nossas almas] àquilo que significa” (Obras Completas, 3:341). A fé é como a concepção, e o batismo é como o seu nascimento. Você estava vivo desde o momento em que creu em Jesus para a salvação dos seus pecados, mas você é selado publicamente pelo batismo — e esse selamento do seu testemunho proporciona um desfrute ainda mais profundo da sua nova vida.
Deus confirma que somos Dele.
Ao lembrar aos Gálatas que eles são filhos de Deus, Paulo escreve: “Em Cristo Jesus, todos vocês são filhos de Deus, mediante a fé. Pois todos vocês que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo ” (Gálatas 3.26-27). Paulo destaca a fé como o instrumento para a filiação, e essa filiação é então confirmada no evento memorável do batismo. O batismo confirma que somos seus filhos por meio de uma representação viva de estarmos mortos para o pecado e vivos em Cristo.
O próprio batismo de Jesus enfatiza esse ponto. Porque estamos em Cristo pela fé e pela obra do Espírito, as palavras que o Pai dirige a respeito de Cristo também se aplicam a nós: “ Tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo” (Marcos 1.11). Ao nos aproximarmos do batismo como novos crentes (e sempre que presenciarmos um batismo no futuro), podemos nos lembrar uns aos outros dessa profunda verdade: somos filhos amados de Deus, e o nosso batismo serve como um auxílio divino para nos assegurar dessa realidade.
Cristo usa o batismo para nos ajudar a remediar a vergonha do nosso pecado e nos levar a um estado de honra, assegurando-nos a nossa adoção na família de Deus. É por isso que batizamos em nome de Jesus (Atos 2.38; 10.48 ; 19.5) — isto é, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28.19). Assim como uma esposa assume o nome do marido no casamento, os crentes assumem publicamente o nome de Cristo e do Deus trino no batismo.
Para a certeza da fé
Essas realidades — o conforto espiritual e a confirmação pública da filiação do crente — atuam em conjunto para uma certeza objetiva da salvação. Quando realizado com fé, o batismo serve como sinal e selo da obra de Cristo por nós na cruz e em sua ressurreição. O batismo não é regenerador, mas é poderosamente confirmatório.
Em outras palavras, agora temos a certeza visível de realidades invisíveis. Essa é uma verdadeira graça de Deus, mediada por meio do seu corpo, a Igreja, que confirmou nossa fé aplicando-nos o sinal e o selo do batismo. A fé é como a ascensão de um príncipe ao trono quando seu pai morre, mas o batismo é como o dia de sua coroação, um selo público e uma celebração da realidade de que ele é o novo rei.
Essa certeza, embora nem sempre seja sentida subjetivamente pelo crente nos altos e baixos da vida, nos proporciona uma garantia objetiva de Cristo de que nossos pecados foram perdoados e de que somos filhos de Deus. Quando surgem as provações, ou quando cedemos ao pecado, podemos nos lembrar uns dos outros tanto da obra interior do Espírito de Deus pela fé quanto da confirmação exterior do nosso batismo para fortalecer a certeza: “Aproximemo-nos, portanto, com um coração sincero e em plena certeza de fé, tendo os nossos corações purificados de uma consciência culpada e o nosso corpo lavado com água pura ” (Hebreus 10.22). É claro que o batismo não deve proporcionar segurança para aqueles que abusam da graça de Deus, como Paulo adverte (1 Coríntios 10.1-6). Mas deve proporcionar segurança para aqueles que buscam dar frutos dignos de arrependimento.
Portanto, ao emergirmos das águas do batismo, ou ao presenciarmos batismos no futuro, podemos olhar uns para os outros e dizer: “Assim como esta pessoa, eu assumi o nome de cristão pela fé no Senhor Jesus e pela obediência ao seu mandamento do batismo. Através da união com Cristo, Deus me vê como um filho amado”. E oramos para que essa certeza objetiva nos conduza à alegria da certeza subjetiva.
Chamados a Obedecer
O batismo não apenas nos lembra da nossa graça diante de Deus, mas Paulo nos ensina a aplicar o batismo à obediência. Devem os cristãos continuar no pecado? “De maneira nenhuma! Nós, que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?” (Romanos 6.2). E o que Paulo aponta como prova de que morremos para o pecado? O batismo: “Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte?” (Romanos 6.3).
Novamente, o batismo em si não nos une à morte de Cristo. Paulo diz que os crentes, que antes eram escravos do pecado, “tornaram-se obedientes de coração” (Romanos 6.17). Contudo, Paulo aponta para o batismo como evidência objetiva dessa morte, evidência que motiva a obediência contínua a Deus.
Assim, ao contemplarmos as águas do batismo pela primeira vez, ou ao observarmos novamente um novo crente passando por elas, podemos agradecer a Deus por sermos seus — purificados dos pecados e declarados seus filhos — e podemos buscar nele uma graça renovada para seguir Jesus como Senhor.
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Por: Joshua Bremerman ©️ Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: What God Does for You in Baptism | Todos os direitos reservados. Revisão e edição: Vinicius Lima.

