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[Conexão] 18 – Aborto: O Que A Bíblia Diz Sobre Isso?

Neste programa, o irmão Wilson Porte Jr. apresenta a posição bíblica sobre o aborto, um pecado institucionalizado no Brasil, nos EUA e em diversos outros países no mundo. O aborto é um assassinato, um crime suavemente aceito pela sociedade pós-moderna. Assista e compartilhe com outros. Que Deus continue abençoando sua vida com verdade e justiça.

CONEXÃO 018 | ABORTO: O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ISSO? from Conexão on Vimeo.

Por Wilson Porte wilsonporte.blogspot.com | vimeo.com/conexao





  • http://twitter.com/matheusallright Matheus Vieira

    Fico com a ideia do “180, O Filme”: Não somos melhores que Hitler. A legalização do aborto, não é melhor do que a legalização do assassinato do 6 milhões de judeus no evento conhecido como o “Holocausto”.

  • Sérgio Tomás

    Êxodo 21:22 e 23 diz-nos: «Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher
    grávida, e for causa de que aborte, não resultando, porém, outro dano, este
    certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e
    pagará segundo o arbítrio dos juízes; mas se resultar dano, então darás vida
    por vida».

    De acordo com este preceito, o aborto não tinha a mesma pena que o
    homicídio, já que no primeiro caso a punição seria uma multa, no segundo «vida
    por vida»; Resulta daqui que a Lei não equipara e não trata o aborto da mesma
    forma que o homicídio, julgo mesmo que o trata com menos gravidade do que o
    ferir de um olho, já que este a ocorrer teria como punição a perda do olho do
    infractor, enquanto que o aborto significaria uma multa estabelecida pelo
    marido da mulher, paga de acordo segundo o arbítrio dos juízes, podendo eventualmente
    significar um valor monetário, bem ou coisa.

    Existem poucas referências directas ao aborto por parte das escrituras e
    aquela que nos permite fazer um juízo de valor sobre a sua prática, traduz-se numa
    pena de multa. Importa também referir que a Lei tinha como pedra basilar
    subjugar o agente da infracção a um dano igual ou semelhante, o mesmo é dizer
    que no caso em análise, a Lei coloca no mesmo patamar do dano relacionado com o
    aborto, quando praticado de forma abusiva por parte de terceiro, uma multa ao
    prevaricador. Importa ter também presente que a multa nos casos de aborto só
    teria lugar nas situações em que alguém, contra a vontade do casal, fizesse com
    que a mulher aborte. Como seria no caso do aborto ser provocado espontaneamente
    por vontade explícita daquela ou por vontade do marido? Por uma questão de lógica
    ou não teria qualquer punição ou teria como consequência uma pena ainda mais
    diminuta que a referida multa.

    Por tudo isto, chegamos facilmente à conclusão que à luz da Lei, o aborto
    era menos condenável que o homicídio e mesmo até que o vazamento de um olho,
    pelo que naturalmente se conclui que o aborto não significava para o Legislador,
    nem de perto, o mesmo que a morte de uma pessoa, caso contrário teria como
    punição a vida daquele que o originasse ou uma punição bem maior do que uma
    mera pena de multa.

    Como conciliar este preceito com a condenação do aborto por parte da Igreja
    actual, quando um dos argumentos é exactamente o daquele representar a morte de
    uma vida humana, colocando-o ao mesmo nível da morte de uma pessoa já nascida?
    A Lei, como vimos, fazia uma distinção abismal. Mesmo para aqueles que possa
    considerar que a Lei veio de Moisés e não directamente de Deus, concluímos
    então que este homem ungido optou por graduá-las de uma forma bem distinta. O
    homem da Igreja actual opta por colocá-la em pé de (quase) igualdade. Será legítimo?

    Quando condenamos o aborto, não estaremos a usar dos nossos próprios conceitos
    éticos e morais, procurando a posteriori
    vestir esse desejo com uma roupagem supostamente bíblica e impô-los à Igreja?
    Não seria mais honesto, dizer “ eu condeno o aborto porque vai contra os meus
    valores morais e humanos, mas efectivamente à luz da Bíblia aquilo que posso
    dizer é que apesar do mesmo ser condenado, mesmo quando é provocado contra a
    vontade da mulher e por recurso à violência, aquela não lhe atribuiu especial
    condenação quando comparado com outras penas”?

    É verdade que existem algumas passagens bíblicas importantes para os
    defensores da tese da condenação do aborto:

    «Nos teus braços fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe» (Salmos 22:10); «Ouvi-me,
    ilhas, e escutai vós, povos de longe: O Senhor chamou-me desde o ventre, desde as entranhas de minha
    mãe fez menção do meu nome» (Isaías 49:1); «Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses
    da madre te santifiquei; às nações te dei por profeta» (Jeremias 1:5).

    Nestes três preceitos
    verificamos que o nascituro já tinha como Deus o Senhor e era por Ele
    conhecido, santificado e ordenado profeta. No entanto alguém duvida que estamos
    perante casos especiais de eleição de Deus, a qual afastaria obrigatoriamente só
    por si qualquer hipótese de eventual aborto? Temos ainda o caso especial de
    João Baptista: «Porque ele será
    grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do
    Espírito Santo já desde o ventre
    de sua mãe» (Lucas 1:15).

    Tendo em conta os poucos
    relatos bíblicos sobre a «personalização» dos nascituros, e verificando que
    eles dizem respeito a grandes homens de Deus (David, Isaías, Jeremias e João
    Baptista) será legitimo aproveitar estes casos especiais de forma a instituir
    uma regra geral?

    Passo a explicar: considerar que os nascituros que foram destinatários das
    bênções de Deus têm em si vida humana parece-me lógico, porque não me parece
    que Deus se dê a conhecer a coisas ou entidades não possuidoras já de um espírito
    humano, no entanto construir a partir daqui a ideia de que se alguns nascituros
    tem em si vida humana então todos têm que a ter já me parece abusivo. Nada na Bíblia
    nos diz isso, até porque estamos perante casos isolados de eleição; sendo por
    nós consensual que alguns nascituros foram eleitos desde o ventre e outros não,
    o mesmo é dizer que há distinção ao nível destes atributos, nada obstando que
    Deus não possa fazer distinção ao nível de outro tipo de atributos. Parece-me então
    legitimo colocar a hipótese de que alguns nascituros possam ter desde logo
    espírito humano e outros não. Garantir que todos os nascituros têm em si
    espírito humano só porque pelas Escrituras alguns claramente o têm, parece-me
    uma interpretação demasiado extensiva, perigosa e sem fundamento bíblico.

    Para aqueles que
    consideram que o «aborto» poderá destruir a eventual eleição de Deus, o mesmo
    não será admitir que o homem poderia deste modo afastar os planos de Deus? Recordando
    o profeta Isaías «Eu sou Deus;
    também de hoje em diante, eu o sou; e ninguém há que possa fazer escapar das
    minhas mãos; operando eu, quem impedirá?»
    (Isaías 43:13)

    Solicito um esclarecimento sincero e honesto.

    • Vinícius S. Pimentel

      Sérgio,

      Com relação à passagem de Êxodo 21, infelizmente há um problema grave com a nossa tradução. Ela, de fato, conduz ao entendimento de que a vida do feto é inferior à vida da mãe.

      Todavia, essa não é a melhor tradução. Veja, por exemplo, como a passagem se encontra na English Standard Version:

      “Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, de modo que o seu filho venha a nascer, mas não houver dano, aquele que a feriu será multado, conforme o marido da mulher lhe impuser, e ele deverá pagar conforme a determinação dos juízes. E se houver qualquer dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.”

      Também João Calvino, em sua “Harmonia da Lei”, traduz a passagem diretamente do hebraico da seguinte maneira:

      “Se homens brigarem, e ferirem uma mulher com filho, de modo que o seu fruto venha a nascer, e ainda assim nenhum dano for causado, ele deve ser certamente punido, conforme o marido da mulher lhe impuser; e ele deve pagar conforme a determinação dos juízes. E se houver qualquer dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.”

      Observe que, em ambas as traduções, a multa será imposta apenas se não houver dano – ou seja, se o nascimento do bebê for antecipado pela ocorrência da briga, mas nem a mulher nem a criança sofrerem outro dano. Se houver qualquer dano, TANTO À MÃE COMO AO FILHO, então o seu causador sofrerá as penas segundo a lei de talião.

      Comentando a passagem, Calvino explica:

      “Esta passagem, à primeira vista, é ambígua, pois se a palavra ‘morte’ se aplica somente à mulher grávida, não seria um crime capital pôr um fim ao feto, o que seria uma grande absurdidade; pois o feto, embora oculto no ventre de sua mãe, já é um ser humano (‘homo’), e é quase um crime monstruoso roubá-lo da vida que ele sequer começou a desfrutar. Se parece mais horrendo matar um homem em sua própria casa do que em um campo, porque a casa de um homem é o seu lugar de refúgio mais seguro, deveria ser certamente considerada uma maior atrocidade destruir um feto no ventre, antes que ele venha à luz. Nesses termos eu sou levado a concluir, sem hesitação, que as palavras “se houver morte” devem ser aplicadas ao feto, assim como à mãe.”

      No mesmo sentido é o comentário encontrado na ESV Study Bible:

      “A situação em vista é uma briga entre homens. Uma mulher grávida que está por perto é acidentalmente ferida. Isso resulta ou em um nascimento prematuro, ou em um dano no qual a criança morre [...] Segundo a visão tradicional, o “dano” é sofrido seja pela mãe, seja pelo seu bebê. A depender da extensão da perda (morte do bebê, dano ao bebê, dano à mãe), o homem que causou o dano deve pagar “conforme a determinação dos juízes”, presumivelmente de acordo com o princípio do “olho-por-olho”. Como as leis anteriores e posteriores demonstram (vv. 26-32), “olho por olho” não era tomado literalmente. Era simplesmente uma fórmula para a punição ou compensação proporcionais. Uma implicação, todavia, é que a morte do bebê parece ser julgada segundo os mesmos princípios que se aplicam à conduta de tirar outra forma de vida humana (por exemplo, a morte da mãe). [...] Por ambas as interpretações, o AT atribui personalidade humana ao bebê em desenvolvimento no ventre (cf. Sl 51.5; 71.5-6; 139.13-16); mas a lei também distingue a morte decorrente de homicídio doloso e a morte decorrente de negligência (veja Êx 21.12-14, 28-32). Seja como for entendida, essa lei demonstra a preocupação da Bíblia em proteger a vida, incluindo a vida no ventre.”

      Portanto, a referência à passagem de Êx 21 não serve como um argumento pró-aborto: pelo contrário, a exegese do texto leva à conclusão de que a vida do bebê é ali tão protegida quanto a vida da mãe.

      Espero ter ajudado.

      Em Cristo,
      Vinícius

    • Ana

      na minha versão em português diz:
      Se alguns homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém se não houver morte, certamente aquele que feriu será multado…
      Isso me faz entender que se a mulher abortar, ou seja, se o bebê nascer fora do tempo e não morrer , quem ocasionou o fato será apenas multado, mas se porém o bebê morrer, darás vida por vida, sendo assim a pessoa será morta, ou seja, o aborto é um fato gravíssimo diante de Deus e se equipara sim ao homicídio.
      Biblia sagrada versão revista e corrigida edição de 1995. SBB.

  • Sérgio Tomás

    Estou esclarecido. Agradeço-lhe imenso porque era uma dúvida que tinha há anos e que ninguém me tinha conseguido tirar. Deste modo, considero que o aborto aos olhos de Deus (que é o mais importante), é uma prática condenável. Ainda assim , nos casos de perigo para a vida da mãe penso que será legitimo a sua prática porque estamos numa situação de conflito entre a vida da mãe e a vida do filho. A bênção de Deus.