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Augustus Nicodemus e Mauro Meister – Apostasia Liberal no Brasil e no Mundo (#CC2012)

Introdução

Todos nós que conhecemos a Bíblia sabemos que ela nos adverte contra o que ela chama de apostasia. Apostasia significa basicamente “afastar-se de uma posição”, “se desviar de um marco estabelecido”. Este verbo composto, na Bíblia, fala de se afastar da verdade de Deus como Ele a revelou. O apostata, na Palavra, é uma pessoa que um dia tomou conhecimento da verdade, mas mudou o pensamento sobre o que considerava verdadeiro.

Deixe-me citar dois exemplos. Primeiro, Barth Erman: era cristão declarado, completou várias graduações em áreas teológicas mas hoje declara-se agnóstico. Considerado uma sumidade sobre o Cristianismo, hoje ele fala contra o novo testamento e nega a possibilidade de se conhecer de fato quem era Jesus.

Outro exemplo menos conhecido é William Barclay. Ele escreveu vários comentários bíblicos que impressionam pelo seu conhecimento de grego e da cultura. No entanto, em sua autobiografia, ele revelava que foi mudando de opinião sobre o que cria e sobre o que escreveu nos comentários. Ele já não acreditada que Jesus era Deus, que Ele teria morrido por nós, não acreditava no inferno e cria que todos seriam salvos no final. Em seu ultimo livro, ele se declara agnóstico.

Na Bíblia, há vários motivos para que alguém se desvie da fé. Na parábola do semeador há aqueles que ouvem, mas que depois esquecem. Paulo fala sobre os que dão ouvidos às doutrinas de demônios e se apartam da fé e sobre os que abraçavam a, falsamente chamada, ciência. Existem vários casos de apostasia na igreja, de pessoas que amaram o mundo e que se afastaram do conhecimento do Deus vivo. Em resumo, os motivos externos são vários: dinheiro, sexualidade, insubmissão, problemas não resolvidos etc. Nesta palestra, quero falar de uma causa externa da apostasia: a crença em doutrinas diferentes da verdade de Deus.

O Liberalismo Teológico

Não que ao Liberalismo seja a maior causa de apostasia, mas é a mais importante para nosso momento.

Esse movimento tem uma origem bem antiga. Em linhas gerais, o liberalismo é o resultado do iluminismo, caracterizado pela revolta contra a religião e o cristianismo particular. Seu referencial teórico era o racionalismo e o empirismo – filosofias antagônicas, mas que concluem juntas que Deus precisa ser excluído do universo humano. O resultado disto na academia foi muito profundo, pois os milagres bíblicos eram considerados fatos de modo quase unânime e, a partir destes novos critérios para a observação da verdade mudou muito disso.

Começou-se a crer que Deus não interfere na história, que as histórias bíblicas são meros mitos e interpretações de um povo ignorante e pré-científico e que o miraculoso não existe. Com isso, criaram-se dois tipos de “história”, a do mundo e a salvífica – esta, referente às “coisas sobre Deus”, não provada e não crível. Com isto, a Bíblia deixou de ser um livro historicamente confiável. Ela passa a ser um mero livro de teologia, ignorante historicamente. Passou-se a considerar a Bíblia como um livro cheio de contrições e de incoerências.

Neste contexto que surgiu o método histórico crítico de analisar a Bíblia – método nitidamente liberal e anticristão. Considerou-se a diferença entre “escritura” e “palavra de Deus”. Segundo essa separação, a Escritura é o livro escrito, com erros humanos, subjetividades e interpretações incorretas. A Palavra de Deus é que é válida e infalível, e que precisava ser encontrada dentro da Escritura.

A igreja reagiu a este radicalismo. Ora, o que o liberalismo havia deixado para o povo de Deus? Nada! Eles desconstruíram a fé, mas não colocaram nada no lugar. Segundo eles, Jesus era um camponês, reformador do judaísmo e só, que impressionou tantos seus discípulos que foi elevado por eles como messias, senhor e Deus. A reação contra isto foi a chamada Neo-Ortodoxia. O maior expoente foi Karl Barth, que se levantou para protestar contra aqueles que estavam, segundo ele, tirando Deus da igreja, colocando a Bíblia e segundo plano e matando o povo de Deus. Se por um lado devemos ser gratos a Barth por ter lutado contra o liberalismo, por outro devemos tomar cuidado com ele. Por que Barth concordava que a Bíblia era cheia de erros, mas que, mesmo assim, Deus falava por meio desta Bíblia imperfeita através de um encontro existencial. Ele não solucionou o problema por completo por que assumiu muitos pressupostos ainda liberais. O liberalismo teve um grande impacto na igreja, apesar da neo-ortodoxia. Como resultado, surge o ecumenismo, o feminismo, a teologia gay e o esvaziamento das igrejas.

Os Impactos Gerais

O ecumenismo começa com liberais protestantes. A ideia era de que todas as religiões tinham o sentimento de busca a Deus e de transcendência. Como todos estavam buscando a mesma coisa, todos devem ser reais. Isso é evidentemente apostasia. Igualar Jesus a outros lideres é blasfemo. Dizer que Cristo não é O salvador, mas UM salvador é antideus e anticristo.

O movimento feminista começa também com o liberalismo. Quando iniciou, este movimento tinha ideais justos. Eles queriam que a mulher pudesse votar, recebesse salários dignos e pudesse ir para a faculdade. No entanto, uma mulher chamada Kathleen Bliss escreveu um livro chamado “O Trabalho e o Status da Mulher na Igreja” (1952), onde ela tentou convencer o povo a aplicar os ideais feministas dentro das igrejas cristãs. Foi assim que as mulheres começaram a ser ordenadas pastoras e em posições de autoridade nas igrejas, o que vai contra muitas declarações bíblicas sobre o complementarismo entre os papeis do homem e da mulher.

Este contexto abriu a porta para o movimento homossexual. O método histórico crítico relativizava os conceitos bíblicos teológicos e morais, o que permitiu interpretações homossexuais do texto sagrado. Segundo as bases deste movimento, Paulo é contra o homossexualismo por que ele não conhecia a verdade científica sobre a genética homossexual e pontos do tipo.

O resultado disto foi o esvaziamento da Igreja. Muita gente não concordou com esses movimentos e saíram do meio deste movimento, buscando igrejas verdadeiramente centradas na Palavra de Deus.

Um Pouco de História

O liberalismo teológico começou a dar passos mais firmes no Brasil nas décadas de 50 e 60. Hoje, está cada dia mais presente em nossa nação. Isto tem invadido nossas redes sociais, tem sido publicado em livros e estado presente nos sermões. Vamos olhar um pouco para a história para entramos no nosso contexto atual.

 Nos EUA, iniciou-se, nesta época, o debate contra o “modernismo”, em três vertentes: Um debate contra a teologia (com a neo-ortodoxia), contra a eclesiologia (com o ecumenismo) e contra a sociedade (com o marxismo). Como as escolas teológicas eram fracas e quase inexistentes no Brasil, os jovens e pastores estudavam nos Estados Unidos e, com isso, traziam ideais liberais e neo-ortodoxas. Como na primeira metade do século o mercado editorial evangélico era pouquíssimo, as coisas ficaram até paradas, mas a partir da década de 50 e 60 algumas denominações começaram a absorver as ideias liberais. Alguns seminários conservadores começaram a adotar o método crítico de interpretação bíblica, fazendo com que algumas pessoas começassem a crer no liberalismo e na neo-ortodoxia. Quando estes pastores pregavam estas ideias em suas igrejas, foram muitas vezes desprezados; porém, ainda tiveram muito alcance em várias igrejas locais.

O Impacto no Brasil

20 anos após a controvérsia americana, o liberalismo chegou às igrejas locais através das instituições de ensino. A busca por respeitabilidade acadêmica destruiu a consciência ministerial dos seminários teológicos.

As denominações históricas (luteranos, batistas, presbiterianos, congregacionais, metodistas, etc.) começaram a adotar teologias mais liberalizantes, como a neo-ortodoxia, por causa de pastores e seminarista que levavam estas ideias para seus rebanhos.

O “abaixo ao fundamentalismo” começou a ganhar espaço por meio da juventude. Naquele primeiro momento, as igrejas presbiterianas e algumas outras resistiram muito a este fato. Houve muitas lutas, seminários foram fechados e membros foram expulsos. Vários pastores de influencia produziram vários liberais famosíssimos, como Rubem Alves, aqui no Brasil. Segundo ele, “a igreja não deve converter o mundo à igreja, mas a igreja ao mundo”.

Por fim, a literatura cristã foi afetada por este contexto. As grandes editoras católicas romanas adotaram o liberalismo como método de interpretação bíblica e começaram a divulgar material neo-ortodoxo, material consumido até pelos ditos evangélicos.

Como Encarar o Liberalismo

Liberalismo é outra religião, já que nega tudo que o Cristianismo afirma. Assim, para vencermos essa heresia, precisamos enfatizar:

1. A inerrância da escritura

2. A literalidade dos milagres

3. A exclusividade do Cristianismo

4. A centralidade de Jesus

5. O método histórico-gramatical de interpretação bíblica

Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. (Judas 1:3)

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Palestra de Augustus Nicodemus e Mauro Meister sobre “Apostasia na Igreja no Contexto Mundial e no Contexto Brasileiro” na 14ª Consciência Cristã (VINACC) – 2012

14 Comentários
  1. Helena Costa Diz

    Muito esclarecedor. Que o povo de Deus, os verdadeiros cristãos estejam aptos a discernir as verdades bíblicas e com elas, se protegerem em combate contra essas apostasias sutis e enganosas. Deus nos ajude.

  2. Francieli Diz

    Glória a Deus, mas a tanto a se fazer que as vezes parece desanimador. Por onde começar?De que modo começar?…Que a graça e a misericórdia do nosso Deus nos oriente…

    1. william Diz

      A única coisa a se fazer é seguir os mandamentos que Jesus nos deixou. Por que tudo que está acontecendo é o cumprimento das profecias bíblicas.

  3. tito monteiro Diz

    Isto ,o liberalismo e os neos liberais é velha enfermidade. E para o povo de Deus se inteirar do perigo é preciso conhecer as Escrituras e estudá-las com os olhos do Espírito Santo. Oséias 4.6 que o diga. É quase que impossível de não ser enganado com as novas sofismas que abastecem o mercado evangélico. tito from brasília.

  4. Gilvan de Castro Diz

    Bastante esclarecedor, temos que batalhar pela fé, muitos pastores renomados estão se afastando da sã doutrina…

  5. Marcio Bueno Diz

    Estou cansado de ver sempre os mesmos fundamentalistas de nossa pátria comentando sobre estes assuntos “parecem que estão só ” , a eles força e ânimo ,para continuarem a lançar luz em meio a densas trevas , na esperança de converter os contradizentes.

    Deixo meu clamor;

    – Onde estão os fundamentalistas ( vivos ou mortos ), apareçam , toquem vossas trombetas , não deixem que a espada se enferruje em vossos alforjes .

    1. alethéia Diz

      Estimado irmão Márcio e demais, os que estão firmados no verdadeiro Fundamento Cristo, e Sua Palavra que é a Bíblia Sagrada (texto Receptus – Fiel da SBTB), esses são os chamados “Fundamentalistas”, até vituperados pelos liberais dispostamente aculturados pelo espírito do mundo. Os fundamentados na Palavra e não na sua capacitação intelectual são interessados sim na Glória de Deus e do Cristo, despojados de vestirem-se de títularizações, glórias que rapidamente se esvaecem. Eles estão orando e operando em meio ao”remanescente de Cristo e do mundo perdido, estão fora das Academias de Teologia, buscam literatura da sã doutrina: Puritanos, Spurgeon, Lloyd-Jones, Confissões de Fé e Catecismos, Louvam a Deus por Paul Washer, John MacArthur, John Piper e outros, e mais ainda meus irmãos: Desejamos a volta de Jesus…MARANA THÁ

    2. Osmar Ramos Bernardo Diz

      A literatura da sã doutrina é a biblia, o que  O SENHOR JESUS  fala,Heb 1:1.Errais em não conhecer as escrituras,nem o poder de Deus!!,Mat.22:29.O que é a verdade?,Jo 17:17.O que vc vai responder para Deus ???;Heb.9:24.Como vemos,a melhor parte da teologia,aparece,quando vc deleta o programa.LER A BIBLIA,CONHECER DE DEUS,ENCHER-SE DO ESPIRITO SANTO,É O QUE RESULTAM EM SALVAÇÃO.Quaisquer coisas que forem diferentes disto,são meras conjecturações,que,sem a sabedoria que vem do Alto não devem ser postadas.Abçs.

  6. Jóice Brizola Diz

    O seminário foi excelente. Muito bom ter esse material aqui!

  7. Inaldo F Barreto Diz

    Infelizmente o berço da teologia liberal foi a Igreja histórica, (as várias denominações do “alto clero”) e também por meio de professores tidos e achados como, sumidades. Esses tais que, se vangloriam de ensinar nos seminários reconhecidos pelo MEC. Muitos doutores e teólogos vagos, fundamentados em Frederic Nietzsche e Freud, esses ensinam o “eterno retorno” e rejeitam a ressurreição literal. negam a contemporaneidade do Espírito e exaltam a mente moderna, o iluminismo. Devemos essa alta heresia a esses doutores. E devemos aos simplórios as superstições representadas pelo sal grosso, arrudas e outros apetrechos do funda da caverna.

  8. Ismaelcosta Diz

    Estou assustadissimo, pois, como pastor estou sofrendo as aflições de uma apostasia desenfreada, não declarada, que é pior, pois as pessoas vão simplesmente trocando de igreja ano após ano, como se troca de televisão. Tenho pregado basicamente vida cristã e santidade e não consigo firmar um povo. Em 10 anos já tive “varios povos”. Creio que este, junto com a pregação do evangelho por todo o mundo são os dois ultimos sinais do fim. Maranata.

  9. william Diz

    Existem muitos teólogos pregando que Jesus não ressuscitou. E que Maria sua mãe era uma prostituta e ficou grávida de outro homem. Tá chegando a hora da definição. Irmãos a grande tribulação se aproxima a passos largos, oremos para que o Senhor nos fortaleça na fé.

  10. Natanael N. Oliveira Diz

    Muito bom parabéns ao Rev. Augustus Nicodemus e Mauro Meister,

Comentários estão fechados.