O Credo de Calcedônia

História

O Concílio de Niceia (325) estabeleceu o ensino oficial da igreja acerca da divindade de Cristo. Firmou-se que ele é um membro da Trindade, o qual deve ser adorado. Jesus Cristo é, como se diz, de uma substância com o Pai. Não deveria haver qualquer questionamento sobre se Cristo possuía um grau de divindade inferior ao Pai.

O Concílio da Calcedônia – o quarto Concílio ecumênico da igreja – lidou especificamente com a relação entre essa segunda pessoa divina da Deidade e a pessoa humana de Jesus Cristo. O Concílio questionava: Deus se tornou humano?

Aproximadamente 370 membros se encontraram na Calcedônia em outubro de 451 a fim de elaborar uma posição cristológica coerente que, de um lado, repudiaria a heresia nestoriana (a qual defendia a existência de duas pessoas em Cristo) e, de outro, a heresia eutiquiana (a qual reduzia Cristo a uma única natureza).

Conteúdo

O Credo da Calcedônia descreve a encarnação da Segunda Pessoa da Trindade negando que um homem haja se tornado Deus ou que Deus haja se tornado homem. Não houve confusão ou absorção entre a natureza divina de Cristo e a sua natureza humana. As duas permanecem distintas. Similarmente, a encarnação não é meramente o habitar divino de um humano nem uma conexão entre duas pessoas. Ao invés disso, o Credo assevera que há uma união real entre as naturezas divina e humana existentes em uma vida pessoal: a vida de Jesus de Nazaré.

O Concílio também manteve uma clara distinção entre os conceitos de pessoa e natureza. Nesse sentido, diz-se que Jesus possui uma natureza divina e uma natureza humana, embora sendo uma única pessoa. Jesus possuía tudo de que necessitava para ser divino e tudo de que necessitava para ser humano, embora sem pecado. A Segunda Pessoa da Trindade não assumiu uma pessoa humana (o que seria adocionismo), mas uma natureza humana.

Ao delinear claramente esses pontos precisos da teologia, o Concílio da Calcedônia não diminuiu, de qualquer maneira, o mistério da encarnação.

Relevância Contemporânea

O Credo Niceno afirmou que Jesus Cristo foi feito homem “por nós e por nossa salvação”. Todavia, sem as verdades que foram expressas no Credo da Calcedônia, a nossa salvação seria impossível. Se Cristo não fosse plenamente humano, ou se ele não fosse plenamente divino, ele não estaria apto a servir como nosso mediador – como o Deus-homem. Ele seria ou apenas um outro homem ou o próprio. Como Anselmo afirmou em seu famoso Cur Deus Homo? (“Por que o Homem-Deus?”), uma vez que o pecado é uma afronta contra Deus, então o pagamento vindo do homem não pode satisfazê-lo. A satisfação da dívida deve vir do próprio Deus. Contudo, apenas humanos são culpados da penalidade devida em razão do pecado. Isso significa que os homens devem, mas apenas Deus pode corrigir a injustiça feita. Foi na pessoa de Jesus Cristo, que era plenamente Deus e homem, que essa satisfação foi realizada e a nossa salvação foi completamente obtida.

Por: Justin Holcomb. © Resurgence. Traduzido com permissão. Fonte: The Creed of Chalcedon.

Original: O Credo de Calcedônia. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução e Revisão: Equipe VE.

5 Comentários
  1. Ricardo Luís Ferreira Diz

    Deus seja louvado pelo mistério da encarnação do Verbo!

  2. Pr. Cleilson Diz

    Claro que Deus se tornou homem.

    1. Vinícius S. Pimentel Diz

      Pr. Cleilson,

      Deus não se tornou homem no sentido de que “Não houve confusão ou absorção entre a natureza divina de Cristo e a sua natureza humana. As duas permanecem distintas”.

      Em Cristo,
      Vinícius

    2. Vinicius Campos Diz

      Perfeito… Exatamente isso! DEUS continue lhe abençoando.

  3. Ramon Gomes Diz

    Faltou referências bíblicas para a relevância conteporânea

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