Justa indignação (Paul Washer) [15/26]

Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias. (Salmo 7:11)

Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade. (Salmo 5:5)

A maior parte da comunidade evangélica esqueceu os versículos acima, ao ponto de serem sequer controversos. Com que frequência os pregadores proclamam aos pecadores a justa indignação de Deus contra o pecador? Com que frequência o púlpito sequer aborda temas como a ira divina ou o ódio santo? Será por que não estudamos mais as Escrituras? Ou concluímos que certas partes são agora não-inspiradas ou obsoletas? Será que nos acovardamos sob a sombra do politicamente correto e sob os caprichos da cultura? Ou estamos convencidos de que pregar a verdade não é a maneira de fazer uma igreja crescer?

Independentemente se é palatável para a nossa presente época, a justa indignação de Deus é uma realidade nas Escrituras e uma parte essencial de toda a proclamação verdadeira do evangelho. Portanto, devemos entender essa doutrina e as verdades que a cercam. Devemos também ter em mente que uma vez entendidas, elas também devem ser proclamadas. O objetivo de nosso estudo não é que meramente obtenhamos uma teologia balanceada para nós mesmos, mas que proclamemos as verdades que descobrimos para o benefício do povo de Deus. Há um pequeno risco em só aprender, mas frequentemente há um grande perigo em proclamar o que aprendemos. As verdades que conhecemos nos causarão pouco dano e trarão pouco benefício para a igreja se as confinarmos às nossas bibliotecas.

Nós queremos um Deus justo?

A primeira pergunta que devemos fazer tanto para o nosso próximo quanto para nós mesmos é: “Realmente queremos um Deus justo?” Essa pode parecer uma pergunta incomum, e até mesmo uma pergunta desnecessária, mas na realidade, ela revela muito a respeito de nossa condição humana e nosso problema diante de Deus.

Por um lado, nós queremos um Deus justo. Seria aterrorizante sequer pensar em viver em um universo sob a absoluta soberania de um ser injusto e onipotente. Os Hitlers deste mundo aparecem apenas por um momento no teatro da história e seu próprio mal rapidamente os elimina. Ainda assim, o raio da destruição deles parece alcançar muito além de sua própria geração. Como então seria viver sob o governo injusto de uma deidade imoral e eterna? Só pensar sobre isso já é de provocar pesadelos. Sua injustiça o tornaria inconsistente e até caprichoso. Seu poder o tornaria aterrorizante. Mesmo se ele fosse bom para nós por muito tempo, ainda assim não haveria certeza de que sua bondade continuaria. Seríamos como navegantes em um mar calmo que enlouqueceriam antecipando uma possível tempestade fatal. Não haveria certeza e nem base razoável para a fé. Não haveria esperança para uma futura retificação de males para um mundo presente que vacila sob o peso de injustiça impune e de imoralidade inconteste. Por essas razões, se uma votação fosse levantada, aqueles entre os homens que são sãos votariam por um Deus perfeitamente justo em quem “não há injustiça”.[1] Um Deus que é absolutamente confiável julgará o mundo com justiça e executará o julgamento entre todos os homens com justiça perfeita e imparcial.[2]

Um Deus justo é o tipo de Deus que a maioria dos homens quer e até mesmo exige. Quando grandes injustiças correm soltas em nosso mundo sem qualquer intervenção ou julgamento divino aparente, homens ignorantes se levantam como animais estúpidos e exigem justiça dos céus, mas o homem que pensa se senta em silêncio na esquina com sua cabeça escondida atrás de suas mãos. Ele sabe que se encontra em uma posição difícil. Pelo dedo acusador de sua própria consciência, ele percebe que Deus dá aos homens a justiça que eles exigem, então todos os homens, incluindo aqueles com as maiores exigências, serão condenados. Como está escrito: “Não há justo, nem um sequer”.[3] Aqueles que exigem que outros sejam trazidos ao tribunal justiça devem perceber que eles estão fazendo a petição de seu próprio julgamento pelo mesmo tribunal. Embora nem todos tenham cometido as mesmas atrocidades, todos pecaram, e todos estão sob a condenação da morte e da eterna separação de um santo e justo Deus. Qualquer um que tentasse se distinguir do maior dos pecadores é cego para sua própria depravação e para a impiedade de suas obras.

Esse é o dilema que dá à luz a questão: “Nos realmente queremos um Deus justo?” Nós realmente iríamos querer que ele sondasse cada aspecto de nossas vidas — pensamentos, palavras e ações — e depois nos concedesse a exata sentença devida a nós? Somente o homem ou a cultura cuja consciência já foi cauterizada se ofereceria a permanecer diante de tal escrutínio e receber o que possa vir do trono de juízo de um Deus perfeitamente justo.

A verdade que Deus é um Deus justo é uma espada de dois gumes. Ela traz conforto em saber que um ser imoral e onipotente não governa o mundo. Contudo, àqueles que ainda têm uma consciência com a qual contemplar, essa verdade é absolutamente aterrorizante. Se Deus é verdadeiramente justo, amando tudo o que é correto com um perfeito amor e odiando a injustiça com um perfeito ódio, qual deve ser a resposta dele para com nosso próprio mal pessoal?



[1] 2 Crônicas 19:7

[2] Deuteronômio 7:9; Salmo 9:8

[3] Romanos 3:10

Veja os outros artigos da série

 

O Poder e a Mensagem do Evangelho (Paul Washer)Extraído do livro 15º capítulo do livro “O Poder e a Mensagem do Evangelho” de Paul Washer, a ser lançado pela Editora Fiel. Tivemos a oportunidade de traduzi-lo e o privilégio de poder compartilhar pequenos trechos de cada capítulo com vocês.

Tradução: Vinícius Musselman Pimentel. Versão não revisada ou editada. Postado com permissão.

© Editora Fiel. Todos os direitos reservados. Original: Justa indignação (Paul Washer) [15/26]

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14 Comentários
  1. Luciana Figueiredo Luciana Diz

    Deus é justo e amoroso.

  2. Alessandro Melo Diz

    Quero esse livro assim que lançar…

  3. Leonardo Galvão Diz

    Quando será o lançamento do livro?

  4. Vanderlei Souza Diz

    O fato disso tudo meus irmãos é que as pessoas dão muita ênfase ao Amor de Deus. E se esquece da sua Ira que também é um dos seus atributos.

  5. Jammeson Alexandre Diz

    Concordo Plenamente com você Vanderlei Souza. Enquanto não entendermos que somos pecadores e carecemos da misericórdia de Deus, será difícil Ama-Lo.

  6. Otavio Pedriali Diz

    E sua ira aumenta seu amor!

  7. Ricardo Martins do Carmo Borge Diz

    Deus é justo, mas Ele também é o “Deus de toda a graça” (1 Pedro 5:10 )

    Hoje em dia criticamos muito as músicas, as pregações e os livros que falam de quanto somos amados por Deus, de quanto ele tem para nos dar, do quanto recebemos dele. Dizemos que estão colocando o homem no centro… mas na verdade, o que mais poderei cantar? Do meu amor por Deus!? Esse amor falho meu, que não vale um tustão furado? Vou falar do que eu posso dar para um Deus que tem tudo? Vou falar dos sacrifícios que eu posso fazer para um Deus que criou o universo? Não, o que glorifica a Deus é falar da sua graça maravilhosa, do seu amor que não se corrompe e que é incondicional, que gera vida onde só havia morte, que perdoa o pecador e ainda o exalta, que faz daqueles que não são nada, Filhos do Altíssimo! Que somos indesculpáveis, isso todo ser humano sabe (Romanos 1:20 ), o que nem todos sabem é que Deus comprou o perdão, e pagou o maior preço, essa é a boa nova!

    O cristão que não aceita o amor INCONDICIONAL de Deus (não há nada que eu faça que Ele me ame menos ou mais), vive uma vida debaixo de acusações, com medo de escorregar e “cair da graça” a qualquer momento, coloca fardos sobre si e sobre os outros e se torna infrutífero. Mas o crente que sabe o quanto é amado por Deus, ama espontaneamente, ele se santifica por amor e não por medo, ele não peca por amor e sabe que se pecar, tem um advogado junto ao Pai, ele caminha seguro e confiante, não nele mesmo, mas no maior amor do mundo!

    1. Claudio Diz

      A paz de Cristo amigo!

      Você está certíssimo em dizer que não temos nada a oferecer então como vamos cantar do nosso amor por Deus e pregar do “nosso amor” por Deus, nós não valemos nada não é!

      Mais logo em baixo você diz que não pecamos por amor, espontaneamente! Mais o nosso amor não é falho? Se santificamos por amor e não por medo, mais nosso amor não é falho? Nosso amor não vale um tostão não é! Como poderemos amar a Deus então? Se for com esse amor que você disse que temos “FALHO” amaremos mais a nós do que a Ele, a verdade é que o homem não amará a Deus, mais pela graça que salva o homem esse mesmo é tornado em nova criatura ai sim ele passa amar a Deus pois é nova criatura, se toda essa enfase no amor fizesse homens amar a Deus por amor e não medo estaria boa a situação não é verdade? Porque a doutrina que impera é essa o “AMOR”, porém o que temos visto é a apatia a libertinagem e a busca pela benção de Deus e não homens cientes de seus pecados clamando perdão a um Deus santo e se agarrando em Jesus que é a nossa salvação, a mensagem mais fácil de se ouvir é a do amor quem não quer ser amado, perdoado, abençoado e ser livre do inferno, podemos perguntar para qualquer um ninguém negará essas maravilhosas benção que temos de Deus, creio que não se critica as pregações, musicas que falam do amor e das bençãos, não é isso, é que hoje só vemos isso, então realmente aquilo que o homem quer se torna o centro, não estamos falando de Deus e do que Ele é realmente e literalmente, estamos falando apenas daquilo que Ele nos faz a parte boa, e isso gera grande procura de interessados nas soluções que Deus tem, não é errado falar daquilo que Deus nos faz mais temos que tomar cuidado, o próprio Jesus disse aqueles que o estavam seguindo, só estavam porque se fartaram de pão (João 6.26 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.) ou seja por interesse, quantos não estão passando por todo tipo de necessidade e vão a Jesus porque ouvem que Ele tem o pão para saciar suas necessidades, temos anunciado com enfase muito grande no pão que Ele tem para nós, muitos entendem então que Deus não se ira, não disciplina e até desconhecem que Deus tem soberania sobre satanás e qualquer privação que as pessoas começam a passar começam a repreender o inimigo como se estivessem andando pelas veredas da justiça e sem motivo satanás se levanta com todo seu poder e vem brincar com os filhos de Deus, ora Deus também trata pelas dificuldades, quase não se vê nas congregações pessoas orando e perguntando a Deus o que Ele quer ensinar com as dificuldades, mais vemos uma gritaria de pessoas repreendendo satanás o “causador” de tudo que todos estão sofrendo, a “enfase” no amor causa essas coisas, falsas conversões, interesse, há também muita salvação porque Deus continua sendo Deus, mais e aqueles que estão sendo atraídos pelas bençãos? que participação tem os pregadores e músicos nisso? Seremos julgados um dia pelas nossas obras, as pregações tem que ser Cristocêntricas assim como as músicas e não egocêntricas, podemos e devemos falar do amor de Deus mais a mensagem central da palavra de Deus é seu filho Jesus e a boa noticia nós temos salvação Nele.

      Querido irmão, eu vivi por anos sendo enganado por mim mesmo e tinha um prato cheio para meu egocentrismo “O AMOR DE DEUS” eu viva no pecado e era líder na congregação, liderei grupo de estudos, mocidade, mais a minha vida no dia a dia era focada em minhas vontades, e o amor de Deus era tudo que eu precisava, ele me perdoava, ele me abençoava, eu não ia mais para o inferno!
      Mais um dia pela graça de Deus e pela fé que Ele imputou em mim através de sua verdadeira palavra que ouvi de um pregador baseada em Romanos 3.23 entendi o que eu era e quem Deus é, clamei a Ele com fé e verdadeiramente fui salvo, dali em diante me vi liberto de pecados que nunca consegui me livrar, isso porque Ele me salvou, me vi apegado em Cristo verdadeiramente, comecei a pregar o evangelho genuíno, a ter sede da palavra, parei de repreender satanás em tudo que acontecia em minha vida, mais em cada dificuldade que sentia que Deus estava me ensinando algo e então agradecia pela disciplina, hoje ainda peco mais não vivo no pecado, olho para Jesus como meu tesouro.
      Creio que as criticas do que se tem pregado e cantado hoje em dia é porque isso causa grande estrago e não se vê, creio que Deus tem colocado verdadeiro amor nessas pessoas que tem pregado e dado a cara para bater enquanto todos se calam, o quanto é difícil ouvir a sã doutrina enquanto quase tudo é contra a sã doutrina, somente Deus para sustentar homens que tal doutrina pregarão!!!
      Ore mais irmão, clame ao nome de Jesus para que Ele te revele a verdade, mais vá a Ele como uma vazo vazio, não vá a palavra com pré-conceitos! No amor de Cristo um grande abraço.

    2. Ricardo Martins Diz

      Amem irmão,
      Mas por favor, não me julgue, nem julgue a outros por um simples comentário, não consigo ver seu coração, não sei se você realmente é crente, de igual modo você não vê o meu.

      “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu…”

    3. Claudio Diz

      Como dizia Agostinho “Todo aquele que ler essas explanações; quando tiver certeza do que afirmamos, caminhe ao nosso lado; quando duvidar como nós, investigue conosco; quando reconhecer que o erro foi seu, venha ter conosco; se o erro for nosso, chame nossa atenção”

      Não estou lhe julgando irmão, só fiz um comentário em cima do que você disse, é totalmente saudável quando dessa forma entendemos, o problema e quando alguém tem uma opinião diferente da gente logo falamos que é julgamento e se afastamos, a palavra de Deus é nosso parâmetro sempre.

      Sou cristão sim irmão.
      Grande abraço.

    4. Ricardo Martins do Carmo Borge Diz

      Ore mais irmão, clame ao nome de Jesus para que Ele te revele a verdade, mais vá a Ele como uma vazo vazio, não vá a palavra com pré-conceitos!

  8. Cintia Giroto Diz

    É meus queridos o Senhor é fogo consumidor!!!

  9. Allan Werneck Diz

    Considerai pois tanto a bondade quanto a justiça de Deus…

  10. Diego Diz

    Galera onde está o 14º texto? eu não o encontro?!
    Obrigado, Deus abençoe.

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