O Poder do Exemplo – Mark Dever (1/2)

“Exemplo não é a coisa principal na vida – é a única coisa”. Por meio dessa frase, o famoso missionário médico e autor Albert Schweitzer estabeleceu claramente a importância e o poder do exemplo. Quantos de nós que lemos isso fomos influenciados pela vida poderosa de algum pastor, presbítero ou outro cristão com quem nos deparamos outrora em nossas vidas? Se eu mencionar um “pastor fiel”, que imagem surge em sua mente? Se eu mencionar um “cristão fiel”, em quem você pensa?

A frase de Schweitzer é exagerada, é claro. Muitas outras coisas estão envolvidas em uma vida fiel, contudo essas mesmas coisas estão todas combinadas no exemplo que alguém apresenta.

“Mentoria” e “formação” podem soar como conceitos novos, mas não são. Pela própria maneira como Deus nos criou, parece que isso estava em Sua mente. Ele criou os homens à Sua imagem. Nós devemos seguir o Seu exemplo e imitar o Seu caráter. Na encarnação de Cristo, Deus veio em carne de um modo que pudéssemos compreendê-lo e nos relacionarmos com Ele, e, como Pedro disse, “deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1Pe 2.21).

Nós também somos chamados a participar neste ministério de apresentar e seguir exemplos. Deus criou os homens para nascerem e amadurecerem na compania de outros homens, na família. Nós não somos autogerados, nem surgimos instantaneamente como pessoas maduras. Deus planejou que pais amorosos fossem parte do modo como os homens deveriam crescer.

Esse é também o modo como Deus planejou tornar-se conhecido neste mundo caído. No Antigo Testamento, Deus chamou Abraão e seus descendentes para serem um povo santo, especial e distinto no mundo. Eles deveriam ser especiais de modo que o mundo tivesse um retrato de uma sociedade que espelhasse o caráter de Deus – encarnando Suas preocupações e valores. Quando Deus disse a Seu povo, em Levítico 19, que eles deveriam ser santos “porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”, Ele não estava falando meramente a um indivíduo, a Moisés, Arão ou Josué. Decerto Ele estava falando a eles, mas nós vemos em Levítico 19.1 que Deus especificamente instruiu Moisés a dizer isso a toda a congregação de Israel. As leis que Ele então lhes deu tinham muito a ver com relacionamentos, equidade, justiça e interações sociais. Ele revela que, à medida que esse povo cuidava uns dos outros – do perdido e do pequenino, do estrangeiro e do jovem –, ele demonstraria algo do caráter de seu Criador justo e misericordioso.

O fracasso de Israel em ser um modelo de ministério aos outros é uma das principais acusações de Deus contra a nação no Antigo Testamento. Assim, em Ezequiel 5, o papel de Israel passa a ser o de instruir as nações por meio de um exemplo negativo. O SENHOR diz a Israel: “Esta é Jerusalém; pu-la no meio das nações e terras que estão ao redor dela. […] Pôr-te-ei em desolação e por objeto de opróbrio entre as nações que estão ao redor de ti, à vista de todos os que passarem. Assim, serás objeto de opróbrio e ludíbrio, de escarmento e espanto às nações que estão ao redor de ti, quando eu executar em ti juízos com ira e indignação, em furiosos castigos. Eu, o SENHOR, falei” (5.5, 14-15). Uma vez e de novo, em Ezequiel, Deus diz que Ele fará o que fará à nação de Israel por amor ao Seu próprio nome, isto é, pela verdade acerca de Si mesmo que há de ser conhecida entre os povos do mundo.

Esse testemunho corporativo de Si mesmo é o que Deus também planejou para a igreja no Novo Testamento. Em João 13, Jesus disse que o mundo haveria de conhecer que somos Seus discípulos por causa do amor semelhante ao de Cristo que teríamos uns pelos outros. Paulo escreveu à igreja de Éfeso: “outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Efésios 5.8).

Em nossas vidas como cristãos, individualmente, e com efeito multiplicador em nossa vida de comunhão como igrejas, nós sustentamos a luz da esperança de Deus neste mundo escuro e desesperador. Por meio de nossas vidas como cristãos, nós estamos ensinando uns aos outros e ao mundo sobre Deus. Se amarmos uns aos outros, nós mostramos algo do que significa amar a Deus. E, por outro lado, “aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1João 4.20). Em nossa santidade, nós mostramos a santidade de Deus. Nós somos chamados a dar às pessoas a esperança de que há outra maneira de viver, além da vida de frustração egoísta que nossa natureza caída e o mundo ao redor conspiram para nos encorajar a seguir.

OriginalThe Power of Example. ©9Marks. Website: www.9Marks.org. Email:[email protected]

Tradução: Vinícius Silva Pimentel – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com. Original:  O Poder do Exemplo – Mark Dever (1/2)

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