Mulheres ensinando homens: Qual é o limite? (Parte 2/2)

Leia a Parte 1 aqui.

O modo como eu determino se ensinar em um cenário religioso específico para uma audiência mista honra a liderança masculina é tentando estabelecer quão próximo aquela situação específica chega de imitar a natureza, papel e função de um “pai da igreja” no que diz respeito ao governo e à provisão de instrução doutrinária pública para a igreja local.

Tento definir onde cada cenário se encaixa em cada um dos pontos da seguinte sequência:

  1. Contexto: congregacional (igreja) ⟶ não-congregacional. Isto é a igreja local ou não é exatamente uma igreja?
  2. Natureza: exegética ⟶ testemunhal/inspiradora. Estou decisivamente interpretando um texto das Escrituras ou estou compartilhando da minha vida e experiência usando uma base bíblica?
  3. Autoridade: governamental (diretiva) ⟶ não-governamental (não-diretiva). Estou estabelecendo o padrão oficial para a igreja?
  4. Relacionamento: próximo (pessoal/relacional) ⟶ distante (impessoal/não-relacional). Meu relacionamento com esses homens está baseado na comunidade da igreja? Estou buscando mentoreá-los?
  5. Comprometimento: formal ⟶ informal. Os ouvintes fizeram um compromisso formal comigo ou com essa comunidade?
  6. Obrigatoriedade: obrigatório ⟶ voluntário. Os ouvintes são obrigados a escutar o ensino que está ocorrendo neste contexto? Eles são passíveis de ser disciplinados e corrigidos caso falhem em obedecer?
  7. Constância: habitual ⟶ esporádico. Isso acontece com frequência ou não?
  8. Maturidade: irmã ⟶ mãe. Minha idade e maturidade espiritual criam uma situação em que estou falando como uma mãe falaria aos seus filhos?

Quanto mais um cenário de ensino pender para a esquerda (a primeira parte de cada par), menos provável será que ele seja um cenário apropriado para eu instruir uma audiência mista. Quanto mais o cenário de ensino pender para a direita (a segunda parte do par), mais provável será que eu possa ser uma mestra útil nesse contexto.

Por exemplo, se me convidassem para falar a uma audiência mista em uma conferência religiosa nacional, eu poderia considerar a situação apropriada baseando-me na seguinte análise:

  1. Contexto: Não-congregacional. Conferências nacionais de cunho religioso estão fora do contexto da igreja local (embora encontros denominacionais possam ter mais semelhanças com um contexto congregacional).
  2. Natureza: Testemunhal ou inspiradora. Dependendo do conteúdo, a mensagem pode ser mais testemunhal/inspiradora do que exegética.
  3. Autoridade: Não-governamental. Não tenho autoridade ou responsabilidade alguma para estabelecer padrões.
  4. Relacionamento: Impessoal. Normalmente, não existe nenhum relacionamento pessoal e continuado. O relacionamento com os ouvintes é consideravelmente distante, como o relacionamento que alguém experimenta lendo o livro de alguém. Enquanto preletora convidada, é raro eu sequer saber o nome dos participantes.
  5. Comprometimento: Informal. Não existe nenhuma aliança ou compromisso formal entre mim e o ouvinte, nem entre ele e os demais ouvintes. Isso é bem diferente de ensinar em um culto de domingo – quando membros da comunidade se congregam para ouvir o ensino oficial da igreja da qual eles são membros.
  6. Obrigatoriedade: Voluntário. Não existe obrigação alguma da parte do ouvinte de comparecer ao evento. É totalmente discricionário e voluntário da parte dele (diferente da obrigação de um membro da igreja de comparecer semanalmente aos cultos da igreja e obedecer ao ensinamento).
  7. Constância: Esporádico. Um evento de um dia (chego de avião, ensino e vou embora) é muito diferente da instrução habitual e coletiva no contexto de uma igreja local (como seria, por exemplo, em uma sala de EBD).
  8. Maturidade: Mãe. Percebi que à medida que fico mais velha tenho mais liberdade para instruir rapazes como uma mãe instrui seus filhos. Uma mulher de meia idade instruindo um grupo de rapazes de 17 anos é uma situação totalmente diferente de uma moça os ensinando.

Considerando a minha análise da natureza desse cenário usando a sequência acima, ministrar a mensagem principal em uma conferência religiosa pode não ser um problema para mim, ao passo que mentorear homens liderando um estudo bíblico caseiro com ouvintes de ambos os sexos (sem um co-líder homem) cairia no território do que eu consideraria inapropriado.

No fim das contas, não posso dar a você uma lista definitiva do que é e não é permitido. Seria como tentar criar para casais de namorados uma lista precisa e universal definindo os tipos de demonstração de afeto permitidos. Não é aconselhável – nem mesmo possível. Tudo que posso dizer é que sua decisão depende da situação. Deus nos dá o princípio de liderança masculina, traça uma linha clara para nos dizer “isso aqui passa do limite” e nos concede a dádiva do seu Espírito Santo habitando em nós, em uma comunidade fiel, para nos ajudar a descobrir o restante. E quando vacilamos, ele estende graça sobre graça.

Uma abordagem voltada para o exterior e baseada em regras no que diz respeito a mulheres ensinando audiências mistas na igreja não reflete nem honra a beleza do plano de Deus. Ele deseja que tenhamos um espírito alegre e embebido de graça, que se deleita em honrar a liderança como um belo aspecto do seu bom e sábio plano – um plano que respeita e engaja homens e mulheres como co-herdeiros e co-trabalhadores que, de todo o coração, exercem seus dons juntos no serviço um do outro e no avanço do evangelho. Deus está bem mais preocupado que estejamos corretos em nosso coração e espírito do que alinhados com controvérsias humanas .

E então, existe a graça. Por causa da graça, preciso reconhecer que meus irmãos e irmãs cristãos podem estar em um estágio de compreensão diferente do meu quanto a essa questão. Preciso reconhecer humildemente que não sou a dona da verdade . Preciso estender graça quando as pessoas traçam limites de aplicação de modo mais estrito ou frouxo do que o modo como eu traçaria.

Dito isso, não podemos pensar nem por um minuto que essa instrução é irrelevante, que podemos ignorá-la como se ela fosse uma peculiaridade cultural arcaica, que o modo como a aplicamos é totalmente opcional, que todas as interpretações e aplicações são igualmente válidas ou que as igrejas devem simplesmente fazer o que as apetece. É certo que, provavelmente, não acertaremos todas as vezes. Mas isso não significa que não deveríamos sempre fazer o nosso melhor para acertar.

Por: Mary A. Kassian. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Women Teaching Men — How Far Is Too Far?

Original: Mulheres ensinando homens: Qual é o limite? (Parte 2/2). © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Harumi Makida dos Santos. Revisão: Renata M Gandolfo e Renata Cavalcanti.

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