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Sobre a morte de John Allen Chau

De repente, o mundo inteiro está falando sobre missões cristãs. À sua maneira, John Allen Chau provocou uma conversa que agora se agita dentro e fora da igreja. Passei a última semana reunindo meus pensamentos sobre a situação dele e gostaria de oferecer alguns pontos que espero que sejam úteis.

Primeiramente, não precisamos nos precipitar ao julgamento. Uma das conseqüências desse mundo digital é que ele exige respostas imediatas. As notícias se espalham rapidamente e espera-se que tenhamos opiniões fortes muito antes de termos acesso a mais do que os fatos mais básicos. Às vezes parece que, quanto menos sabemos, mais fortes nos sentimos e mais ousadamente falamos. Com uma situação como essa, podemos reservar o julgamento até que os fatos se tornem claros. De fato, devemos reservar o julgamento até que os fatos se tornem claros. Nós tivemos 150 anos para considerar John Paton e sua missão perigosa para os canibais das Novas Hébridas. Nós tivemos 60 anos para considerar Jim Elliot e sua missão mortal nas selvas do Equador. Mas, horas depois da notícia da morte de Chau, já era esperado que todos tivéssemos e expressássemos fortes convicções sobre um homem, uma ilha e uma situação que nenhum de nós jamais ouvira falar. Isso é ridículo e irreal. Não se apresse em julgar.

Em segundo lugar, não importa nem um pouco o que o mundo pensa sobre John Allen Chau ou sobre missões cristãs. Como cristãos, distinguimos entre a igreja e o mundo, entre as pessoas que vieram à fé em Cristo Jesus e as que não o fizeram. Reconhecemos que aqueles que chegaram à fé possuem mentes renovadas (ou, ao menos, em renovação). É como se, quando nos tornamos cristãos, nós colocássemos um par de óculos que progressivamente nos permite ver o mundo como ele realmente é. Passamos a ver que o mundo está em perigo, que as pessoas que morrem fora de Cristo serão eternamente separadas de Deus. Passamos a ver que temos uma missão urgente de contar aos outros sobre Cristo, para que eles tenham a oportunidade de se arrepender, crer e serem salvas. Aqueles que estão fora da igreja nunca entenderão isso e, na verdade, irão desprezar, ridicularizar e ficar ofendidos por isso. Diante de tudo isso, devemos cumprir nossa missão com ousadia e confiança. Independentemente do que pensamos a respeito Chau, temos que garantir que estamos pensando de maneira bíblica, e não mundana. Temos que garantir que nosso pensamento esteja enraizado na Bíblia, não no mundanismo.

Em terceiro lugar, devemos admirar seu zelo. Seja qual for a verdade sobre Chau, está claro que ele era zeloso. Ele acreditava fortemente em nossa missão dada por Deus de levar o evangelho a todo o mundo, e acreditava que ele era particularmente chamado para levá-lo a essas pessoas não alcançadas. Ele reconheceu que a missão poderia custar sua vida, mas mesmo assim ele estava disposto a ir. Seu zelo é admirável, especialmente quando muitos de nós lutam contra a apatia. Eu acho que o Babylon Bee[i] captou bem isso em sua manchete: “Homem que nunca falou de Jesus a ninguém critica falta de sabedoria de missionário morto”. Devemos admirar o zelo de Chau, arrepender-nos de nossa falta de zelo e estar dispostos a pagar qualquer preço para realizar a Grande Comissão. E em uma nota semelhante, devemos estar dispostos a princípio a conceder a um companheiro de fé o benefício da dúvida, a acreditar no melhor sobre ele, em vez de no pior.

Em quarto lugar, o zelo deve coexistir com a sabedoria. Creio que algo que muitos de nós não temos certeza sobre Chau é se ele teve ou não sabedoria naquilo que fez. Isso é algo que provavelmente precisaremos de muito mais tempo e muito mais informações para discernir. Nos dias que se seguiram à sua morte, as pessoas o criticaram por colocar em risco a saúde do povo da Ilha Sentinela do Norte; agora, porém, parece que ele sabiamente levou isso em conta, vacinando-se contra muitas doenças. Nos dias imediatamente após sua morte, ele foi retratado como um aventureiro imprudente, mas mais recentemente o que se crê é que ele sabiamente exerceu uma boa dose de consideração, e que ele realmente foi motivado por um profundo amor pelas pessoas daquela ilha remota. Levará tempo para aprendermos os fatos e então decidir se ele cumpriu sua missão de maneira sábia ou insensata.

Em quinto lugar, devemos orar fervorosamente para que Deus use essa situação para sua glória. As mortes de Jim Elliot e sua equipe reverberaram em todo o mundo e motivaram milhares ou dezenas de milhares de homens e mulheres a se tornarem missionários. Elas motivaram muitos mais a apoiarem fielmente as missões. Quando a história das mortes de John e Betty Stam foi escrita em jornais de todo o mundo, Deus a usou para atrair pessoas à fé e convocar centenas, talvez milhares, para missões. Deus tem uma longa história de usar as mortes de missionários para provocar e inspirar uma missão ainda maior. Parece que ele frequentemente trata da apatia da igreja permitindo que algumas de suas pessoas mais fiéis e zelosas façam o sacrifício extremo. Espero que os Elliots, Stams e Chaus do mundo considerem isso mais do que uma troca justa. Devemos orar fervorosamente para que Deus use a morte de Chau para chocar os incrédulos, levando-os ao arrependimento e chocar os crentes como você e eu, levando-nos a uma obediência maior e mais profunda. Ele é conhecido por fazer isso.

Deixe-me terminar com um doce poema que foi escrito por E.H. Hamilton, um missionário presbiteriano na China, enquanto refletia sobre o martírio de um de seus colegas, J.W. Vinson, que havia sido capturado por bandidos e executado por eles. “Você está com medo?”, eles perguntaram, enquanto ameaçavam sua vida. “Não”, ele respondeu. “Se você atirar, eu vou direto para o céu.” Eles atiraram, e ele foi. Aqui está como seu amigo celebrou sua vida e morte.

Com medo? De quê?

De sentir a alegre libertação do espírito?

De passar da dor para a paz perfeita,

da contenda e a tensão da vida cessarem?

Com medo? Disso?

 

Com medo? De quê?

Com medo de ver o rosto do Salvador,

Ouvir suas boas-vindas e perceber,

A glória brilhar das feridas da graça,

Com medo? Disso?

 

Com medo? De quê?

Um clarão – um estrondo – um coração traspassado;

Breve escuridão – Luz – Oh, arte do Céu!

Da ferida Dele, uma contrapartida!

Com medo? Disso?

 

Com medo? De quê?

De entrar no repouso do céu

E ainda servir o Mestre abençoado?

Do serviço bom, para o serviço melhor?

Com medo? Disso?

 

Com medo? De quê?

De fazer pela morte o que a vida não podia –

Batizar com sangue uma trama de pedra

Até almas florescerem do lugar?

Com medo? Disso?


[i] Site humorístico com manchetes fictícias relacionadas ao contexto cristão (N.T.).

Por: Tim Challies. © Challies. Todos os direitos reservados. Traduzido com permissão. Fonte: On the death of John Allen Chau

Original: Sobre a morte de John Allen Chau. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradutor: João Paulo Aragão da Guia Oliveira.

3 Comentários
  1. Claudia Diz

    Muito bom texto. Um Pastor americano disse que quando entregamos nossa vida a Jesus, nossa vida nao é mais nossa, ou vivemos morrendo aos poucos ou morremos de uma vez por ele. Contou tambem de uma ilha que varios foram e morream ate que a tribo cedeu e nao matou o 20. Ou 30. Assim a ilha toda fo salva.
    J. Chau sabia o q estava fazendo, embora creu q iria consegur se comunicar. Heroi da fé.

  2. Claudia Diz

    Muito bom texto. Um Pastor americano disse que quando entregamos nossa vida a Jesus, nossa vida nao é mais nossa, ou vivemos morrendo aos poucos ou morremos de uma vez por ele. Contou tambem de uma ilha que varios foram e morream ate que a tribo cedeu e nao matou o 20. Ou 30. Assim a ilha toda fo salva.
    J. Chau sabia o q estava fazendo, embora creu q iria consegur se comunicar. Heroi da fé.

  3. Mônica Mesquita Diz

    Reflexão extremamente pertinente. Uma chamado ao leitor para que se mantenha atento e imparcial antes de tirar conclusões precipitadas sobre uma questão complexa como é o trabalho missionário transcultural no século XXI.

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