Pastor, pare de adorar o sucesso ministerial

Muitos pastores possuem uma tendência nata ao desânimo e outros se deixam levar ao desânimo pela falta de frutos visíveis no ministério onde servem. Alguns estão, neste momento, olhando no retrovisor e vendo mais um longo período em que as coisas não aconteceram. Aquele membro em quem você investiu não deu a resposta que você esperava, aquele outro que você buscou recusou a ouvir a exortação, endureceu o coração e se fechou. Pessoas não se converteram, batismos não aconteceram e mais um ano termina onde você parece estar numa esteira de hamster, fazendo muito esforço, mas quase nenhuma realização ou movimento. Está difícil seguir em frente.

Outros de nós estão se sentindo abandonados e rejeitados. Foram alvo de perseguição, críticas injustas e traição por parte de pessoas a quem entregaram seu coração. Estão se sentindo como o Apóstolo Paulo dizendo aos Coríntios “Não lhes estamos limitando nosso afeto, mas vocês estão limitando o afeto que têm por nós […] abram também o coração para nós! Concedam-nos lugar no coração de vocês. Visto que os amo tanto, devo ser menos amado?”

Esses momentos, sem dúvida alguma, não são em nada fáceis e possuem uma grande capacidade de trazer desânimo, decepção, desejo de desistir (às vezes não apenas do ministério) e amargura. Mas eu e você não precisamos ser escravos de nada disso. A beleza do Evangelho é que Ele liberta pastores comuns como você e eu para uma vida de alegria plena que pode ser vivida e desfrutada quando deixamos de adorar o sucesso ministerial e passamos a adorar de forma exclusiva Aquele que nos chamou e nos capacita para o ministério, que é dEle.

Quando nós adoramos o sucesso ministerial acabamos por ancorar o nosso senso de identidade e dignidade nos resultados do ministério. Assim, quando as coisas não saem como achamos que deveriam sair, ficamos desanimados, frustrados e prontos a jogar tudo para o alto. Se este é o seu padrão, não se engane pensando que o “sucesso ministerial” resolveria seu problema. Saiba que se Deus te der “sucesso ministerial”, é bem provável que, você ficará cheio de orgulho e altivez, pois quando o insucesso pesa o coração é sinal de que as realizações subirão à cabeça.

O Evangelho nos liberta de um e de outro, somos lembrados que Deus não nos ama de acordo com nossas realizações. Deus não está esperando que sua igreja encha, que as pessoas te ouçam, que você escreva um livro ou que você pregue em grandes conferências para só então te amar. Na verdade ele te amou e te escolheu na eternidade passada (Efésios 1.4) quando você estava morto (Efésios 2.1 e 4) e era inimigo dEle (Colossenses 1.21).

Precisamos nos lembrar dessas verdades diariamente, pois diariamente somos tentados a realizar o ministério em busca do que só Deus pode nos dar, e de fato já nos deu em Cristo Jesus. Enquanto formos adoradores do ministério, nós o realizaremos em busca de amor, aceitação, dignidade e valor; nesse sentido, seremos mercadores da Palavra, fazendo escambo com o sagrado em busca de satisfação para nossas almas.

Apenas quando percebermos que em Jesus nós já temos tudo o que nossas almas anseiam, é que estaremos verdadeiramente livres para servirmos a Palavra ao povo de Deus como um transbordar do amor e da paz que desfrutamos nEle, e não em busca; como um doar de alguém pleno e não como uma oferta de alguém que espera ser recompensado.

Amigos pastores, o nosso ministério é importante. Não há dúvida de que devemos nos esforçar e trabalhar duro para cumprirmos o chamado do ministério, mas o ministério não é a nossa vida, Jesus é! O ministério e as realizações dele não determinam nossa identidade ou dignidade, Jesus sim. Você não é o que você faz, você é o que Jesus fez por você. Portanto, descanse na obra completa dEle, e siga em 2019, e por muitos anos, servindo com amor e alegria Aquele que te chamou para ser co-pastor com Ele das ovelhas (com alguns bodes infiltrados) dEle.

Ânimo!

Por: Filipe Niel. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Pastor, pare de adorar o sucesso ministerial.

1 comentário
  1. Eliel Pereira Pimenta Diz

    A grande questão, é que querem Pastores que se adquem à membresia da Igreja e exigem todo o esforço do Pastor, mas não cooperam com o mesmo. Eu gostaria que houvesse auxilio espiritual para a nossa categoria,e se necessário ajuda psicologística Pastoral, visto que na grande maioria o Pastor não é tratado adequadamente como autoridade eclesiástica mas somente como aquele que tem que servir.

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