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Resposta aos ataques à Simone Quaresma

A respeito da crítica que feita à Simone Quaresma, gostaria de fazer alguns apontamentos.

Sobre o posicionamento da Simone

Ela defende a disciplina física a partir da Bíblia Sagrada. Os textos são citados fundamentando-se numa interpretação simples e óbvia.

Parece que essa obviedade foi ignorado, no entanto, atribuindo-se a criticada interpretação do texto religioso ao coração e olhos tendenciosos do leitor ao invés de uma leitura coerente com as intenções originais do autor do texto.

Imagino que esse argumento seria descartado caso a interpretação fosse uma que agradasse. Mas como ela não agradou, decidiram interpretar o texto a partir da sua própria visão tendenciosa.

Comentando Provérbios 22:15, foi dito que “essa vara, é a disciplina, a educação, o pulso, dos pais”. No entanto, analisando o texto, tanto em português quanto no hebraico original, é possível ver que a palavra “vara” está qualificando “disciplina”, e não o contrário. O autor está afirmando que a disciplina feita através da vara (e isso significa, sim, o ato físico e de autoridade da disciplina) afastará a estultícia do coração da criança.

Ele já havia feito referência a essa “vara” em capítulos anteriores. Em Provérbios 13:24, ele diz: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina”. Em Provérbios, 23:13-14, “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Mais adiante, em Provérbios 29:15, ele afirma que “a vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar sua mãe”.

Ora, não há como entender a “vara” figurativamente nesses versículos. Parece-me ser um pouco absurdo ter que explicar algo tão óbvio assim, mas autor atribui à vara características que só o objeto físico poderiam ter. Ele fala da vara que é retida (13.24), da vara com a qual o filho é fustigado e não morre (23.13-14) e diferencia a disciplina com vara da disciplina sem vara (29.15).

É MUITO importante notar que a recomendação do uso da vara como forma de disciplina na Bíblia Sagrada SEMPRE está ligada à AUTORIDADE e à OBEDIÊNCIA. Ou seja, não é qualquer um que pode disciplinar o filho assim, somente aquele que tem autoridade sobre a criança (o pai e/ou a mãe). E não é de qualquer forma que a disciplina com vara pode ser aplicada.

Consideremos um policial que prende uma pessoa e um juiz que a condena. Eles estão agindo correta ou incorretamente? Como saberemos? Tudo depende de se a justiça foi feita ou não. Se a prisão e a condenação forem injustas, o policial e o juiz abusaram de sua autoridade e agiram de forma errada. Mas se houve motivo justo para a prisão e condenação, ambos agiram de forma correta de acordo com sua posição como autoridade.

Da mesma forma, os pais de uma criança devem usar sua autoridade de forma justa, correta e amorosa. A disciplina com vara não é sinônimo de violência doméstica. Muito pelo contrário, ao mesmo tempo que a Bíblia recomenda que os pais disciplinem os filhos, ela também adverte que os pais não provoquem os filhos à ira. Ou seja, há uma forma correta dela ser feita. A disciplina com vara nunca deve ser feita com ira ou por motivo de vingança. Ira gera mais ira, e ao agir dessa forma, os pais estariam em desobediência a Deus. Mas a disciplina correta deve ser feita para corrigir o filho em amor.

A interpretação da Simone Quaresma dos trechos da Bíblia citados está certa. É preciso distorcer muito todos esses textos (e consequentemente o restante da Bíblia) para conseguir a interpretação que querem.

Visto que só há uma interpretação correta para esses textos da Bíblia, só há uma alternativa para quem deseja discordar da Simone: discordar da Bíblia. E, então, encontrar uma base além da Bíblia a partir da qual tirar conclusões diferentes sobre a disciplina física.

Agora, sobre a crítica e sua interpretação

Foi dito que a interpretação dos textos religiosos dependem dos olhos e do coração de quem interpreta. Na realidade, nada escapa a interpretação dos nossos olhos e corações. Nem mesmo as experiências pessoais.

No entanto, também afirmaram que a crítica e as recomendações se baseiam em experiências pessoais. Ou, para sermos mais coerentes, na forma com a qual as experiências pessoais são interpretadas. Ora, não é necessário ser um cientista para saber que não há nada mais relativo do que a interpretação de experiências pessoais.

Pergunto, então, para qualquer um que pense assim…

Por qual motivo eu deveria ouvir e seguir suas recomendações com base nas tuas experiências pessoais ao invés das recomendações de um livro milenar e aclamado no mundo inteiro?

Com que base você considera as suas experiências pessoais melhores e mais confiáveis do que as minhas? E se não for possível determinar isso, com que base eu devo acreditar em você ao invés de outras pessoas que discordam de você? Ou ao invés da minha própria experiência?

Será que seria possível encontrar a resposta final nas pesquisas da ciência? Como poderíamos fazer isso, se a falseabilidade é imprescindível para a própria existência da ciência? Não pode existir ciência absoluta e indiscutível, pois a mesma deixaria de ser ciência pelos seus próprios termos.

Talvez seja um momento de parar e questionar a si mesma. Afinal, a própria ciência depende de perguntas. Será que você não estaria acusando uma desconhecida de louca enquanto tenta impor suas próprias crenças nos outros?

Será que suas crenças são mesmo tão confiáveis assim? Qual sua base para acreditar nisso? O que te garante que você está certa? Por que você decidiu acreditar nisso?

Por: Hendrika Vasconcelos. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Resposta aos ataques à Simone Quaresma.

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