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A nova crise urbana: Jesus não começou com as classes altas

Este é o post final de uma análise em três partes do livro de Richard Florida, The New Urban Crisis: Gentrification, Housing Bubbles, Growing Inequality and What We Can Do About It” (A Nova Crise Urbana: Gentrificação, Bolhas da Moradia, Desigualdade Crescente e o Que Podemos Fazer Sobre Isso).

Na Parte 2, estabelecemos que as igrejas ricas estão, apesar das boas intenções iniciais, deixando de financiar ou apoiar igrejas mais pobres e baseadas nas comunidades carentes. Em parceria com a “Acts29”, recentemente criamos a “Church In Hard Places” (Igreja em lugares difíceis) (churchinhardplaces.com) exatamente por causa desse problema. Essa é uma rede de homens de todo o mundo que trabalham em comunidades pobres, muitas vezes sem apoio e lutando financeiramente. Em uma ligação recente, eu disse a todos: “Nenhuma ajuda real está vindo para nós de algumas dessas grandes redes de plantação e igrejas a montante. Nós vamos ter que nos unir para ajudar um ao outro. Teremos que ajudar uns aos outros a treinar nossos próprios estagiários e futuros líderes. Nós vamos ter que nos unir para financiarmos uns aos outros. Podemos ter alguma coisa mínima lançada para nós de vez em quando, mas estamos em grande parte sozinhos”. Nós, como experientes nas comunidades pobres, temos que começar a lenta reconstrução de igrejas e desenvolver líderes em nossas áreas locais. Não há, atualmente, nenhuma ajuda significativa chegando a nós pelo efeito “trickle-down”, e nem a caminho para breve.

De qualquer forma, a menos que eu tenha perdido alguma coisa, não vejo como essa abordagem de cima para baixo possa ser bíblica. Certamente, se o Senhor quisesse usar essa estratégia para alcançar os pobres com as boas novas, ele teria descido como governador romano ou imperador. Isso teria um efeito trickle-down! Mas em vez disso ele veio como um judeu do norte, pobre e sem importância aos olhos do mundo. Pastores e mulheres anunciavam sua vinda. Seu ministério estava entre os pobres e marginalizados. Parece que uma abordagem muito mais bíblica é a “igreja rio abaixo”. Talvez devêssemos estar pensando em uma abordagem “trickle-up” para o plantio de igrejas? Talvez possamos chamá-la de “abordagem do salmão”. Rio acima e contra a correnteza. Deixe-me ser claro. Eu não estou argumentando contra o plantio “a montante” (embora eu despreze essa terminologia e o que ela representa). Eu estou defendendo o plantio de igrejas e a revitalização dentro dos contextos culturais. Eu estou dizendo que plantar rio acima como uma estratégia para alcançar os pobres não funciona e tem pouco mérito ou base bíblica.

David Robertson, diretor associado do “Solas CPC” em Dundee e ministro da “St Peter’s Free Church”, disse recentemente sobre o assunto:

Nas últimas décadas, os evangélicos no Reino Unido e nos Estados Unidos parecem estar trabalhando com critérios de plantação de igrejas e evangelismo diferentes daqueles do apóstolo Paulo, que disse aos coríntios: “Visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento”. (1Co 1.26). Demasiadas vezes a Igreja reflete os valores e metodologia da cultura materialista que nos rodeia. Nós falamos sobre os pobres. Muito. Mas o que nós fazemos? Eu desenvolvi um princípio – vamos chamá-lo de teorema do trickle-down – quanto mais rica a igreja, mais provável é que eles falem sobre os pobres e os marginalizados. Mas, na realidade, preferimos o dízimo do milionário à moeda da viúva.

Quando queremos organizar uma “Igreja Plantadora”, procuramos as áreas ricas, justificando-nos dizendo que, uma vez estabelecida, alcançaremos os pobres. Quase nunca acontece, mas enquanto isso nos consolamos dizendo que pelo menos nós distribuímos sopa. Só que os pobres precisam muito mais do Evangelho do que precisam de sopa. O amor bíblico que respeita e vê todos os seres humanos como igualmente feitos à imagem de Deus é necessário. Não a versão do século 21 da caridade.

Eu conheço as objeções já. Conheço as acusações de socialismo, hipocrisia, literalismo, etc. Eu sei que há exemplos bíblicos do Senhor chamando os ricos, as elites, os poderosos e os privilegiados. Mas estas são as exceções, as “não muitas”. A estratégia bíblica não é atingir os ricos que podem alcançar os pobres, é alcançar os pobres que podem alcançar os ricos (que na realidade são os mais difíceis de alcançar). Mas nós não acreditamos nisso. É por isso que posso conseguir que qualquer número de grupos de igrejas dos EUA venha plantar igrejas no centro de Londres, Oxford, Edimburgo e St Andrews …, mas peçam-lhes para virem trabalhar em Doncaster, Dartford ou Dundee e eles não estarão interessados. Aparentemente, esses não são lugares de “influência” (como Nazaré!). Nós invertemos os critérios bíblicos e depois afirmamos que estamos fazendo isso para sermos fiéis à Bíblia!

Meus aplausos, em pé, para isso!

Mas voltando ao livro. (Isto é supostamente uma análise, afinal!)

Nossa distribução geográfica de classes não segue mais o antigo padrão de subúrbio rico e centro pobre. Trabalhadores com maior grau de formação, altamente remunerados, os ricos e os jovens têm voltado em massa aos centros urbanos ao longo da última década ou duas, enquanto um número crescente de pobres e desfavorecidos está sendo levado para os subúrbios…. Nossa geografia de classe agora está sendo remodelada em um padrão mais complexo e variado que eu chamo de “Metrópole de Retalhos”, que está sendo dividida entre áreas onde se concentram zonas fortemente beneficiadas e zonas ainda maiores onde não se têm benefícios algum onde se entrecruzam cidades e subúrbios. ”( p136)

Então, quais são as soluções da Florida?

  1. Construa mais inteligentemente em lugares já existentes. Não podemos produzir mais terra, mas podemos ser mais inteligentes no que construímos e em como construímos.
  2. Construir habitações com alugéis mais acessíveis. Não como em Niddrie, onde para alugar uma nova propriedade você precisa ganhar pelo menos o salário mínimo nacional, o que exclui a maioria dos moradores e aqueles que trabalham em serviços de baixa renda. Segundo Flórida, a desigualdade de renda no Reino Unido é muito alta. Em média, os locatários gastam cerca de 47% de sua renda com aluguel, em comparação com 23% para os proprietários.
  3. Transforme os trabalhos de serviços com baixa remuneração em trabalhos de classe média. “A visão de Henry Ford – de que os trabalhadores da linha de montagem deveriam receber o suficiente para comprar os carros que estavam fabricando – chega ao cerne da questão.” (P217) Em outras palavras, quão desmoralizante é trabalhar em um ou dois empregos e ainda assim não conseguir pagar o aluguel de uma propriedade perto de onde você trabalha? No entanto, esse é o caso da maioria dos trabalhadores de classe operária. Como podemos realisticamente proporcionar uma renda maior? Flórida explica: “O pagamento mais alto não é apenas um aumento de custo – pode ser um caminho para aumentar a produtividade e o lucro. Trabalhadores mal pagos e maltratados são desmotivados, desmoralizados e desengajados. Empresas com baixos salários experimentam um turnover caro. Trabalhadores que são mais bem pagos e mais bem tratados são mais motivados e mais engajados e podem se tornar uma fonte útil de inovação e melhoria de produtividade”. (P218)
  4. Invista em pessoas e lugares. Nossas abordagens atuais para combater a pobreza podem ser divididas em duas categorias básicas: abordagens baseadas em pessoas que fornecem recursos para famílias pobres ou as ajudam a mudar para bairros novos e melhores, e abordagens baseadas em manter as pessoas no lugar e tentar melhorar as condições das vizinhanças desfavorecidas investindo em escolas, fornecendo serviços sociais necessários e reduzindo o crime e a violência. Precisamos fazer as duas coisas. “(P220)
  5. Construir e desenvolver cidades de refugiados que aproveitem e utilizem as habilidades e os talentos dos desalojados.

No geral, achei o livro fácil de ler, informativo e provocativo. Eu acho que todas as pessoas da classe operária desejam ser de classe média? Na verdade, não. Eu acho que Flórida pensa que ser de classe média é uma coisa boa e uma boa meta para se ter na vida. Eu acho que possuir sua própria propriedade e / ou poder pagar seu aluguel não faz você pertencer à classe média. É muito mais complexo que isso! Mas, à parte disso, este é um livro que vale a pena comprar. É claro que não é cristão, mas nos ajuda a pensar nas estratégias atuais de plantação de igrejas e como elas estão imitando as tendências mundiais (não que isso seja um coisa ruim). Isso certamente estimulará seu pensamento, mesmo que você discorde de algumas de suas conclusões (que eu achei muito idealistas).

Eu estou agora lendo um de seus dois outros livros e vou mantê-lo atualizado.

Este é o post final de uma revisão em três partes do livro de Richard Florida, “The New Urban Crisis”.

Igreja em Lugares Difíceis

Como a igreja local traz vida ao pobre e necessitado

Nos últimos anos, cristãos e organizações cristãs têm aumentado seu interesse em ajudar pessoas que sofrem com a miséria e a pobreza. Mas este interesse renovado em aliviar a pobreza está fadado ao fracasso se não tiver raízes na igreja local, que é o meio estabelecido por Deus para atrair pessoas miseráveis para um relacionamento transformador com ele.

Enfatizando a prioridade do evangelho, Mez McConnell e Mike McKinley, ambos pastores de igreja local em regiões de pobreza, oferecem direção bíblica e estratégias práticas para o trabalho de plantação, revitalização e crescimento fiel de igrejas em lugares difíceis, em nossa própria comunidade e em outros lugares ao redor do mundo.

CONFIRA

Por: Mez McConnell. © 20schemes. Website: 20schemes.com. Traduzido com permissão. Fonte: The New Urban Crisis: Jesus Didn’t Start ‘Upstream’.

Original: A nova crise urbana: Jesus não começou com as classes altas. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Paulo Reiss Junior. Revisão: Filipe Castelo Branco.

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