O culto ‘cool’ e a contextualização

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Texto base: 1 Coríntios 9.19-23

Será que devemos nos sujeitar a qualquer tipo de cultura, valores ou crenças, em troca de supostamente pregar Jesus? Não é isso que o apóstolo Paulo está falando? Será que devemos assumir qualquer posição ou papel? Quando respondemos sim, nossas igrejas se transformam em tudo, menos igreja.

O que passa em nossa mente quando falamos em contextualização? Bem, esse termo pode causar calafrios em alguns, por alguns motivos. Primeiro, a maioria das contextualizações ao decorrer dos anos abriu caminho para o liberalismo e para adaptação da teologia à cultura da época. Assim, doutrinas fundamentais foram deixadas de lado, suprimidas. Segundo, também surgiram as igrejas emergentes, em um movimento que se dizia sensível ao público, com críticas direcionadas a igrejas tradicionais.

Embora tenhamos medo da contextualização, o fato é que todos a praticamos. Toda verdade articulada está inserida em uma cultura. Não há comunicação fora da cultura. Contudo, a verdade transcende a cultura, e não se submete a ela. Qual seria uma boa definição de contextualização? Não é falar o que as pessoas querem ouvir, mas oferecer a elas respostas bíblicas, que elas talvez não queiram ouvir, numa linguagem e em formas que compreendam, por meio de apelos que possam sentir. Não tem a ver com conforto, mas com clareza. É adaptar à cultura sem comprometer a essência e particularidade da mensagem. Muda-se o mensageiro, dentro de limites, não a mensagem.

Paulo oferece três princípios para pensar sobre a contextualização.

1. A motivação da contextualização (9.19-20)

A igreja de Corinto passava por um problema de fraqueza moral advinda de sacrifícios do paganismo. A igreja tinha irmãos mais fracos, que viam problema em comer carne sacrificada a ídolos, e tinha irmãos mais fortes, que não tinham problema algum. O problema é que muitos queriam impor regras uns aos outros.

Contudo, Paulo mostra que, muitas vezes, abriu mão de seus direitos para fazer a mensagem do Evangelho acessível à maior parcela possível de pessoas. Paulo mostra que, em certos momentos, teve de se adaptar à Lei, mesmo não precisando dela para a justificação (9.20). Ele ressalta que a motivação da contextualização deve ser levar a salvação às pessoas.

Contudo, é aqui que a maioria das igrejas se perde, pois temos um alvo nobre, mas usamos os meios errados. O culto deve ocorrer nas condições que Deus estabelece. O culto público deve seguir princípios bíblicos. O culto é o cumprimento de uma lei, de uma ordem. Não ficamos livres para inventar e inovar. A história tem muitos exemplos que deram errado — Caim, Nadabe e Abiú, israelitas com bezerro de ouro e, no Novo Testamento, o Senhor fez pesar sua mão em alguns da comunidade por não administrar a Ceia corretamente.

O Senhor leva sua santidade a sério, ele descreve como quer ser adorado. Não podemos sacrificar o que é essencial, diferenciando circunstâncias dos princípios. Devemos usar os meios que Deus recomenda. O culto é um encontro intenso com Deus. Nele se cumpre Mateus 28.18-20, em que Jesus disse que estaria com sua igreja até o fim dos tempos. Como Cristo se faz presente? Por meio da pregação da Palavra e da administração dos sacramentos. Nossa tendência é construir escadas com nosso estilo e com nosso pragmatismo, mas a escada de Cristo são os meios de graça, no qual ele desce até nós.

2. O limite da contextualização (9.21-22)

Paulo não estava sem a Lei ao adaptar a mensagem. Ele sempre se manteve sob a autoridade e sob o senhorio de Cristo. Fora da lei cerimonial, ele estava debaixo da Lei Moral de Cristo. Não somos livres para pecar. Este é o erro da contextualização atual. Devemos adaptar a forma e nossa comunicação, mas nunca nossa lei moral.

3. A moldura da contextualização (9.23)

Parece que Paulo está falando que queria pregar a fim de que mais pessoas participassem dos benefícios do Evangelho. Contudo, ser participante do Evangelho é dizer que ele se adapta pois aprendeu isso no Evangelho. O evangelho molda a prática de Paulo, formando seu jeito de ser. É Cristo todo glorioso identificando-se com pecadores, inclusive em sua morte. Logo, este Evangelho deve moldar a contextualização. Expressão e forma são importantes, não apenas o conteúdo. Há perigos, claro. Não podemos dogmatizar a forma — só pode ser de certa forma e nunca de outra, por exemplo. A Bíblia nunca o fez. Contudo, há também aqueles que acham que a forma não é importante. Questione-se: Por que este estilo musical? Por que fazer dessa maneira? Precisamos pensar em como demonstraremos aquilo que cremos. A forma importa. Tribos não funcionam, pois o Evangelho não é tribal. Ele destrói a inimizade entre judeus e gentios. É por isso que igrejas tribais não funcionam.

Por fim, na contextualização moldada pelo Evangelho, deve permanecer um obstáculo: o próprio Evangelho. 1Co 1.23 traz: “Pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios”. Esta pedra preciosa e angular deve permanecer. Mantenham esta pedra no caminho dos pecadores. Que se escandalizem com essa mensagem, ou que sejam salvos por esta mensagem. Que Cristo seja nossa mensagem enquanto contextualizamos.

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