Um blog do Ministério Fiel
O Senhor e Pastor que nos relembra seus feitos
Exemplos no Antigo Testamento do cuidado e do poder de Deus
Outros exemplos bíblicos podemos tirar do Antigo Testamento.
Gilgal como memorial
Um dos fatos memoráveis registrados nas Escrituras é a travessia do rio Jordão pelo povo de Israel, quando então, adentra à terra prometida.
Ali Deus ordena que os sacerdotes retirem doze pedras do rio, porque elas “serão para sempre por memorial (}Wrkz)(zikârôn)[1] aos filhos de Israel” (Js 4.7).[2]
As doze pedras, que tiraram do Jordão, levantou-as Josué em coluna em Gilgal. E disse aos filhos de Israel: Quando no futuro vossos filhos perguntarem a seus pais, dizendo: Que significam estas pedras? Fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este Jordão. Porque o Senhor vosso Deus fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho, ao qual secou perante nós, até que passamos. Para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte: a fim de que temais ao Senhor vosso Deus todos os dias. (Js 4.20-24).
Deus fala a Miquéias
Cerca de 700 anos depois (c. 725 a.C.), Deus fala ao Reino Norte por intermédio do profeta Miquéias:
Povo meu que te tenho feito? e com que te enfadei? Responde-me. Pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti Moisés, Arão e Miriã. Povo meu lembra-te (rkz)(zekhâr) agora do que maquinou Balaque, rei de Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, e do que aconteceu desde Sitim até Gilgal;[3] para que conheças os atos de justiça do Senhor. (Mq 6.3-5).
O povo de Judá começa a voltar à Palestina
Por volta do ano 538-537 a.C., sob a liderança de Zorobabel – da linhagem de Davi –, um grupo de judeus começou a regressar à Palestina[4] para reconstruir o templo que fora destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor,[5] cujo império permaneceu até 539 a.C.
Este regresso foi autorizado pelo rei Ciro, rei da Pérsia, o então rei mais poderoso de todos (2Cr 36.22,23; Ed 1.1ss). Nessa autorização de Ciro, vemos a manifestação da soberania de Deus, visto que isso já fora profetizado por Isaías há mais de duzentos anos (Is 44.28)[6] e por Jeremias há cerca de 90 anos (Jr 29.10).[7]
Samaritanos atrapalham a reconstrução
Se por um lado o povo teve todo o apoio de Ciro (Ed 1.1-11),[8] enfrentou séria oposição dos samaritanos, que num primeiro momento tentaram se juntar à obra de reconstrução, no que não foram permitidos devido à sua corrupção espiritual (Ed 4.2,3).[9]
Não obtendo sucesso, utilizaram todos os recursos possíveis para impedir a reconstrução do templo: desanimaram o povo e subornaram autoridades reais para frustrar seus planos.
Escreveram cartas a Ciro, o Grande, (559-530) e depois a Dario (522-486) alegando que os judeus pretendiam se revoltar contra o rei, não mais pagando impostos, dízimos e pedágios. [Ed 4.4ss. (É significativo o uso sistemático de particípios neste texto indicando a sua contínua atividade)]. A passagem de Ed 4.6-23 é um longo parêntese que reflete a persistência dos samaritanos em impedirem o trabalho dos judeus.
A obra foi suspensa
Num primeiro momento os samaritanos conseguiram o seu intento; a reconstrução do templo foi interrompida, ao que parece, ainda nos seus alicerces (Ed 3.11/4.24).[10] A obra ficaria suspensa por cerca de 16 anos.
Nesse período, os judeus foram se acomodando, e canalizaram a sua atenção para a construção de suas casas, esquecendo-se da casa do Senhor.
Deus envia Ageu e Zacarias
Deus levanta dois profetas, Ageu (cujo nome ou apelido significa, “minha festa”, “festivo”) e Zacarias (“O Senhor se lembrou”) (Ed 5.1; 6.14) – bem mais jovem que Ageu[11] –, para conduzir o povo de volta à reedificação do templo.
A Ageu (520 a.C.) Deus dá uma mensagem de advertência, comparando as casas dos judeus, já concluídas, com as ruínas da casa de Deus, para a qual eles sempre deixavam para depois (Ag 1.2,4,9).
O Povo atende à 1ª mensagem de Deus por intermédio de Ageu:[12] O povo reinicia a obra (Ag 1.12-14/Ed 4.24). “Nenhum profeta provocou uma reação tão imediata como ele”, comenta Baldwin (1921-1995).[13] Isto aponta para a autoridade profética de Ageu reconhecida entre o povo.
É neste contexto que nos deparamos com a mensagem do segundo capítulo do livro de Ageu. O curioso é que nesta data, (vigésimo primeiro dia do sétimo mês) (outubro), os judeus estavam no último dia de comemoração da “Festa dos Tabernáculos”, uma das três solenidades obrigatórias a todos os judeus.
Ela ocorria no final do ano, quando eram reunidos os trabalhadores do campo. Nesses dias todos os judeus deveriam habitar em tendas de ramos: “Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas; para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito….” (Lv 23.42-43). Essa festa era caracterizada por grande alegria (Dt 16.14),[14] quando o povo apresentava ofertas a Deus como reconhecimento de suas bênçãos (Dt 16.17).[15]
Justamente neste dia, veio pela segunda vez a Palavra do Senhor, quando Deus diz:
Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o Senhor, e sê forte, Josué, filho de Jeozadaque, sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito. O meu Espírito (hUr) habita (dm() (‘ãmadh) no meio de vós; não temais. (Ag 2.4-5).
Após o cativeiro babilônico, Deus encoraja o povo, dizendo que o seu Espírito permanecia no meio deles. Aqui vemos a manifestação do Deus do Pacto (Ag 2.4,5), cuja presença por si só é altamente estimulante (Vejam-se: Ex 29.45,46; 33.14; Dt 31.6-8; Js 1.9; Is 41.10,13; 43.2/2Tm 1.7; Hb 13.5). “A certeza da promessa de Deus e o fato do Espírito sempre presente seriam suficientes para acalmar os temores da comunidade”, comenta Van Groningen (1921-2014).[16]
A presença contínua do Espírito
O particípio ativo do verbo hebraico “habitar” (damf()(ãmadh) (Ag 2.5) indica que Deus era constantemente presente no meio do seu povo, mesmo durante o cativeiro (Ed 9.9; Ne 9.17,18,20,28). A presença de Deus não é algo pontilhado durante determinados eventos da história. Antes, é contínua e ininterrupta.[17]
“Se o exílio aparentemente tinha anulado a aliança, agora o povo era certificado de que Deus ainda estava entre eles em Espírito, como estivera durante todo o êxodo (Ex 29.45)”, interpreta Baldwin (1921-1995).[18]
O fundamento do Pacto está na “palavra da aliança” e no “Espírito” presente. Aliás, a Aliança sempre está ligada à Palavra misericordiosa de Deus e ao seu Espírito (Is 54.10; 55.3; 59.21; Ag 2.5/Dt 7.9; 1Rs 8.23; Dn 9.4).[19]
O Espírito dirige a história de forma poderosa, “transpondo os obstáculos”, fazendo com que – de uma forma misteriosa para nós –, Deus sempre cumpra a “palavra da aliança”.
A mensagem de Zacarias
O profeta-sacerdote Zacarias recebeu a primeira parte da sua mensagem dois meses depois de Ageu (Vejam-se: Ag 1.1/Zc 1.1), entre o final de outubro e início de novembro de 520 a.C. A sua mensagem é mais ampla do que a de Ageu, apontando para um futuro distante, tendo uma conotação escatológica relacionada amplamente com o Messias.[20]
Deus exorta por intermédio de Ageu: “Considerai o vosso passado” (Ag 1.5). A Zacarias, Deus revela a sua indignação (Zc 1.2)[21] e adverte: “Não sejais como vossos pais” (Zc 1.4). Deus, em ambos os casos, está desafiando o povo a olhar o passado e a não cometer os mesmos equívocos.
Portanto, Zacarias desafia o povo a, num primeiro momento, meditar, refletir sobre a história de seus pais.
Packer apresenta uma boa definição: “Meditação é o ato de trazer à mente as várias coisas que se conhece sobre as atividades, os modos, os propósitos e as promessas de Deus; pensar em tudo isso, refletir sobre essas coisas e aplicá-las à própria vida.”[22]
O fato é que se o povo considerasse o seu passado, veria que o Exílio fora resultado da sua contínua desobediência (Vejam-se: 2Cr 36.15-17; Jr 7.25-28; 21.5; 26.3-7; Zc 1.12/ Dt 28.15,45).[23]
O pecado de Judá pode ser resumido nesta constatação divina já mencionada:
Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! ficai estupefatos, diz o Senhor. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jr 2.11-13). (Ver também: Jr 2.5-8).
O desafio de Deus para o povo é para que considere a história; reflita sobre os grandiosos feitos de Deus; sobre o pecado de seus pais e os consequentes castigos, e ponderem agora, na nova oportunidade dada por Deus, trazendo-os de volta do cativeiro, oferecendo-lhes as condições de reconstrução do templo e renovando as suas promessas. “Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas” (Zc 1.4). “A transmissão dessa herança histórica foi, portanto, um dos mais importantes propósitos da educação em Israel”, interpreta Armstrong.[24]
Muitas vezes, a melhor maneira de pensar sobre o presente e mesmo sobre o futuro, é olhar o passado, considerando a história, os fatos que ocorreram quer com outras pessoas, quer conosco mesmo.
Portanto, mudando o que deve ser mudado, podemos observar que a História da Igreja se presta, se tivermos os olhos despertos para as suas consequências, como um instrumento de Deus para nos advertir, consolar e encorajar a perseverar firmes na fé.
“A história tem um começo teológico na criação, e um fim teológico na escatologia. E entre os tempos primeiro e último, se cumprem os propósitos de Deus na redenção, a revelação e a formação de uma comunidade redimida”, escreve Ramm (1916-1992).[25]
O nosso Pastor nos guia. Devemos instruir nossos filhos a esse respeito, narrando os feitos de Deus em nossa vida, tendo uma compreensão correta do poder de Deus e de suas motivações. Assim procedendo, estaremos de fato os conduzindo no caminho do Bom Pastor.
[1] O nome Zacarias é proveniente desta palavra hebraica (hyrkz)(Zekaryâ), que significa “O Senhor se lembrou” .
[2] Veja-se também: Ex 12.14; 13.9. Nestes textos, a LXX usa a mesma palavra grega.
[3] “Gilgal se tornou a base de operações de Israel, depois da travessia do rio Jordão (Js 4.19), e foi foco de uma série de acontecimentos durante a conquista: doze pedras comemorativas foram estabelecidas quando Israel armou acampamento ali (Js 4.20); a nova geração cresceu no deserto e só em Gilgal foi circuncidada; a primeira Páscoa celebrada em Canaã foi efetuada ali (Js 5.9,10). De Gilgal, Josué liderou as forças israelitas contra Jericó (Js 6.11,14ss.). (…) Gilgal tornou-se ao mesmo tempo um lembrete sobre a libertação outorgada por Deus no passado, um sinal de vitória presente, debaixo de sua orientação, e viu a promessa da herança que ainda seria apossada” (K. A. Kitchen, Gilgal: In: J.D. Douglas, ed. ger. O Novo Dicionário da Bíblia, São Paulo: Junta Editorial Cristã, 1966, v. 2, p. 671).
[4] Jeremias relata que foram 4.600 pessoas forma levadas cativas (Jr 52.30). Josefo informa que mais judeus foram levados em 582 a.C., quando Nabucodonosor dominou o Egito (Josefo, Antiguidades, X.9.7). Muitos dos que foram e daqueles que nasceram na Babilônia, haviam se acomodado à nova vida ou à única que conheciam. O grupo que retornou era de cerca de 50 mil (Ed 2.64-65). “O desejo de servir ao Senhor no templo não foi a preocupação principal de sua vida. Ao permanecerem ali eles depreciavam o pacto da graça do Senhor” (S.G. de Graaf, El Pueblo de la Promesa, Grand Rapids, Michigan: Subcomisión Literatura Cristiana de la Iglesia Cristiana Reformada, 1981, v. 2, p. 396-397).
[5] Nabucodonosor faleceu em 562 a.C. (Veja-se: 2Rs 25.27-30).
[6]“Que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado” (Is 44.28).
[7] “Assim diz o SENHOR: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar” (Jr 29.10).
[8] “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: 2 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. 3 Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém. 4 Todo aquele que restar em alguns lugares em que habita, os homens desse lugar o ajudarão com prata, ouro, bens e gado, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. 5 Então, se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a Casa do SENHOR, a qual está em Jerusalém. 6 Todos os que habitavam nos arredores os ajudaram com objetos de prata, com ouro, bens, gado e coisas preciosas, afora tudo o que, voluntariamente, se deu. 7 Também o rei Ciro tirou os utensílios da Casa do SENHOR, os quais Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém e que tinha posto na casa de seus deuses. 8 Tirou-os Ciro, rei da Pérsia, sob a direção do tesoureiro Mitredate, que os entregou contados a Sesbazar, príncipe de Judá. 9 Eis o número deles: trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e nove facas, 10 trinta taças de ouro, quatrocentas e dez taças de prata de outra espécie e mil outros objetos. 11 Todos os utensílios de ouro e de prata foram cinco mil e quatrocentos; todos estes levou Sesbazar, quando os do exílio subiram da Babilônia para Jerusalém” (Ed 1.1-11).
[9]“2 Chegaram-se a Zorobabel e aos cabeças de famílias e lhes disseram: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui. 3 Porém Zorobabel, Jesua e os outros cabeças de famílias lhes responderam: Nada tendes conosco na edificação da casa a nosso Deus; nós mesmos, sozinhos, a edificaremos ao SENHOR, Deus de Israel, como nos ordenou Ciro, rei da Pérsia” (Ed 4.2-3).
[10]“Cantavam alternadamente, louvando e rendendo graças ao SENHOR, com estas palavras: Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com altas vozes, louvando ao SENHOR por se terem lançado os alicerces da sua casa” (Ed 3.11). “Cessou, pois, a obra da Casa de Deus, a qual estava em Jerusalém; e isso até ao segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia” (Ed 4.24).
[11] Ageu provavelmente nasceu na Babilônia e deveria ser muito conhecido, inclusive devido ao pequeno número de profetas… Talvez isto explique a não necessidade de identificar-se com maiores detalhes…
[12] Deus deu 4 mensagens a Ageu:
1ª Ag 1.1 (29/08/520);
2ª Ag 2.1 (17/10/520);
3ª Ag 2.10 (18/12/520);
4ª Ag 2.20 (18/12/520) (duas no mesmo dia). Portanto, o período coberto é de quase 4 meses.
[13]Joyce G. Baldwin, Ageu, Zacarias e Malaquias, São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, ã americana, 1972, p. 25. Do mesmo modo, Gleason L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1974, p. 480 e Samuel J. Schultz, A História de Israel no Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1977, p. 393.
[14] “Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades” (Dt 16.14). Assim descreve Edersheim: “A mais alegre de todas as festas do povo israelita era a Festa dos Tabernáculos. Ela caía justamente num tempo do ano, em que todos os corações estavam repletos de gratidão, de contentamento e de esperança. Já as colheitas estavam guardadas nos celeiros; todos os frutos estavam também sendo recolhidos, a vindima estava feita, e a terra aguardava apenas que as ‘últimas chuvas’ amolecessem e refrescassem o chão, a fim de que nova colheita fosse preparada. (…) Ao lançar os olhos para a terra dadivosa e para os frutos que os havia enriquecido, deveriam os israelitas lembrar-se de que só pela miraculosa intervenção divina tinham eles conquistado esta pátria, cuja propriedade, entretanto, Deus sempre reclamara por direito Seu” (Alfredo Edersheim, Festas de Israel, São Paulo: União Cultural Editora, [s.d.], p. 83).
[15]“Cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido” (Dt 16.17).
[16] Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho Testamento, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1995, p. 784.
[17] Davidson orienta-nos que “o particípio representa uma ação ou condição em sua coesão contínua….” (A.B. Davidson, An Introductory Hebrew Grammar, 24. ed. Edinburgh, T.& T. Clark, (reprinted), 1936, § 46, p. 159). O autor continua mostrando que, enquanto o imperfeito sugere sucessão, uma multiplicidade de ação e de pontos, o particípio indica uma linha que se prolonga sem quebra em sua continuidade. (Ibidem., p. 159). Isto indica que a “história não saiu das mãos de Deus” (D. Martyn Lloyd-Jones, As Insondáveis Riquezas de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 64. (Sobre os variados conceitos de História e a perspectiva cristã, Veja-se: Hermisten M.P. Costa, O Homem no Teatro de Deus: Providência, Tempo, História e Circunstâncias, Eusébio, CE.: Peregrino, 2019).
[18] Joyce G. Baldwin, Ageu, Zacarias e Malaquias, São Paulo: Vida Nova; Mundo Cristão, ã americana, 1972, p. 37. Mesmo no exílio, Israel continuava sendo o povo eleito de Deus (Is 41.8-14; 43.1-7).
[19] Veja-se: Francis Turretin, Institutes of Elenctic Theology, Phillipsburg, New Jersey: P & R Publishing, 1994, v. 2, XV.xvi.10-11.
[20]“Zacarias obedientemente proclamou as suas mensagens de encorajamento, de advertência e de esperança gloriosa a ser cumprida em e por meio do Messias, o prometido Mediador do pacto” (Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho Testamento, p. 832). Sobre o aspecto messiânico de Zacarias, veja-se Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho Testamento, p. 795-832.
[21]“O SENHOR se irou em extremo contra vossos pais” (Zc 1.2).
[22]J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, São Paulo: Mundo Cristão, 1980, p. 15. “A meditação é a consideração frequente, atenta e devota das obras, das palavras e dos benefícios de Deus, e de como tudo provém de Deus (que opera ou permite) e de como, por caminhos maravilhosos, todos os desígnios da vontade divina são exatamente realizados” (João Amós Coménio, Didáctica Magna, 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, (1985), XXIV.7. p. 355).
[23]“O SENHOR, Deus de seus pais, começando de madrugada, falou-lhes por intermédio dos seus mensageiros, porque se compadecera do seu povo e da sua própria morada. 16 Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira do SENHOR contra o seu povo, e não houve remédio algum. 17 Por isso, o SENHOR fez subir contra ele o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário; e não teve piedade nem dos jovens nem das donzelas, nem dos velhos nem dos mais avançados em idade; a todos os deu nas suas mãos” (2Cr 36.15-17). “25 Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei. 26 Mas não me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais. 27 Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão. 28 Dir-lhes-ás: Esta é a nação que não atende à voz do SENHOR, seu Deus, e não aceita a disciplina; já pereceu, a verdade foi eliminada da sua boca” (Jr 7.25-28). “Pelejarei eu mesmo contra vós outros com braço estendido e mão poderosa, com ira, com indignação e grande furor” (Jr 21.5). “3 Bem pode ser que ouçam e se convertam, cada um do seu mau caminho; então, me arrependerei do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações. 4 Dize-lhes, pois: Assim diz o SENHOR: Se não me derdes ouvidos para andardes na minha lei, que pus diante de vós, 5 para que ouvísseis as palavras dos meus servos, os profetas, que, começando de madrugada, vos envio, posto que até aqui não me ouvistes, 6 então, farei que esta casa seja como Siló e farei desta cidade maldição para todas as nações da terra. 7 Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram a Jeremias, quando proferia estas palavras na Casa do SENHOR” (Jr 26.3-7). “Então, o anjo do SENHOR respondeu: Ó SENHOR dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já setenta anos?” (Zc 1.12). “15 Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: (…) 45 Todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído, porquanto não ouviste a voz do SENHOR, teu Deus, para guardares os mandamentos e os estatutos que te ordenou” (Dt 28.15,45).
[24]Hayward Armstrong, Bases da Educação Cristã, Rio de Janeiro: JUERP., 1992, p. 13.
[25] Bernard Ramm, La Revelacion Especial y la Palabra de Dios, Buenos Aires: Editorial La Aurora, 1967, p. 100. “O sentido da história é incompleto à parte da vontade e do objetivo de Deus. A história está nas mãos de Deus, como ocorre com o significado mais profundo de toda a vida humana. O nexo natural-histórico todo funciona segundo as ‘leis’ de Deus” (Benjamin Wirt Farley, A Providência de Deus na Perspectiva Reformada: In: Donald K. Mckim, ed. Grandes Temas da Tradição Reformada, São Paulo: Pendão Real, 1999, p. 74).