Quando é a hora de deixar o pastorado em uma igreja?

Capítulo 23 da série "As estações na vida de um pastor"

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Nota do editor: Este é o capítulo 23 da série “As estações na vida de um pastor”, do Ministério 9 Marcas. A cada segunda-feira de 2025 um novo artigo desta série será disponibilizado.


Deixar um cargo pastoral pode ser difícil. Ficar também pode ser. E decidir ficar ou ir é mais complicado a medida que vamos acrescentando mais e mais anos ao nosso ministério. Relacionamentos profundos, padrões familiares de adoração, práticas espirituais consagradas e batalhas árduas se avizinham diante de você.

No meu círculo autônomo da igreja, o pastor, sua esposa e talvez seus amigos mais próximos estão envolvidos na decisão de permanecer ou partir. Seus presbíteros ou outros líderes podem se envolver mais tarde. O processo pastoral de permanecer ou partir exige reflexão profunda, oração, pesquisa e espera em Deus. Como isso deve ocorrer?

Objetivo de longevidade

Pastorados longos dão tempo para lidar com as transições na política, liderança, desenvolvimento do culto, ímpeto missionário e treinamento pastoral. Pastorados curtos geralmente não permitem que raízes se aprofundem no povo — raízes que deveriam fazer a ideia de partir parecer uma ruptura no solo do coração. Portanto, busque a longevidade e desenvolva o seguinte:

  • Desenvolva uma caminhada espiritual saudável. Um pastor carece de força para o rigor do ministério se não se exercita para a piedade, se não se dedica à Palavra e à oração, e se não zela pela sua vida e pelo seu ensino (1 Tm 4.11-16).
  • Desenvolva boas raízes na congregação. “Conhece bem o estado dos teus rebanhos e cuida dos teus rebanhos, porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa dura de geração em geração” (Pv 27.23-24). Como “pastorearemos o rebanho de Deus”, como Pedro exortou, sem raízes no solo de suas vidas (1 Pe 5.2)?
  • Desenvolva a atenção ao rebanho em vez da cerca. Quando estivermos com dificuldades pastorais, podemos começar a olhar por cima da cerca para encontrar outro rebanho. Cuidarmos bem de nossos rebanhos não pode acontecer se estivermos olhando para o outro lado da cerca.
  • Desenvolva contentamento onde o Senhor o plantou. O contentamento nos liberta para nos concentrarmos em pastorear aqueles que foram confiados aos nossos cuidados, por quem prestaremos contas (Hb 13.17).

Lembre-se de que longevidade não significa para sempre

Nem todos os pastorados são longos. Alguns terminam abruptamente. Mas quando você permanece por muito tempo, como saber quando é hora de seguir em frente?

Primeiro, você deve ter autoconsciência

Férias ou um ano sabático reacenderiam sua energia pastoral, ou você chegou a um ponto em que não consegue mais servir com alegria, mas não consegue admitir isso? Atitudes não pastorais afetaram seus padrões ministeriais, exigindo arrependimento e renovação? Você está reagindo às feridas de alguns que o levam a pensar em sair? O orgulho o impediu de tomar uma boa decisão sobre o futuro? Seus dias de ministério eficaz já passaram?

Segundo, você deve ser realista

Você levou a igreja até onde eles estão dispostos a ir? Esgotou suas habilidades para liderá-los? Outro pastor seria capaz de pastorear melhor o rebanho nesta temporada? Você está com zelo, força, paixão pelo púlpito e eficácia de liderança aquém do esperado, mas reluta em considerar que uma mudança seria a melhor opção? A aposentadoria das funções pastorais ativas seria mais benéfica para sua igreja, seu casamento e sua vida?

Terceiro, você deve se lembrar de sua responsabilidade pastoral

A igreja não lhe pertence. Jesus a chamou de “minha igreja” quando se comprometeu a edificá-la (Mt 16.18). Ele pode ter prazer em usá-lo por um tempo para realizar Seus propósitos, mas isso não o torna um proprietário. Ele pode enviá-lo para arar e plantar, mas criar outros para colher (João 4.35-38). Sua mordomia pastoral envolve o futuro, bem como o presente (1 Co 4.1-2).

Portanto, mantenha sua responsabilidade pastoral com flexibilidade. Por mais difícil que seja, a fidelidade pode exigir a renúncia a essa responsabilidade.

Faça a si mesmo estas perguntas adicionais

Ao servir uma congregação por um longo período, desenvolvemos percepções que podem afetar nossa capacidade de discernir entre ficar ou partir. Aqui estão algumas perguntas para uma avaliação mais aprofundada.

  • Você está animadoem sua preparação para os domingos?
  • Você gosta dos rigores do pastoreio?
  • Você sente alegria ao pregar?
  • Você é capaz de pastorear pacientemente seu povo?
  • Sua esposa confirma seu ministério?
  • Você tem saúde física e mental adequada para o trabalho pastoral?
  • Você mantém energia adequada para o ritmo do ministério pastoral?
  • A sua idade atrapalha significativamente o seu ministério?
  • Você consegue, com a ajuda dos demais presbíteros, dar conta das exigências do pastoreio?

Respostas negativas a qualquer uma dessas perguntas não exigem que você saia! Novamente, você pode precisar de um bom período sabático para recuperar sua paixão e força, que podem ter se enfraquecido por conta do seu péconstante no acelerador. Ou você pode precisar realinhar as responsabilidades da equipe e dos presbíteros. Ou você pode perceber que é hora de partir e confiar o rebanho a outro pastor. Avalie a si mesmo, converse com sua esposa e amigos mais próximos e busque o Senhor fervorosamente.

Prepare-se para a transição

Se, após uma avaliação honesta, você concluir que sua igreja seria mais saudável se você permanecesse, então você deve se perguntar: Será que ensinei à igreja uma dependência doentia da minha personalidade, dos meus dons e do meu estilo de liderança, em vez de uma dependência somente de Cristo? Em caso afirmativo, antes de considerar a mudança, você pode querer trabalhar para aumentar a liderança compartilhada, treinar os membros para o ministério e enfatizar a dependência de Cristo.

Há um sentido em que os pastores devem sempre manter a transição em mente. Isso pode soar contraditório ao apelo anterior por longevidade. Mas você não sabe o que a providência divina pode ter para você. Portanto, trabalhe para que sua igreja esteja saudável e amadurecida.

Considerar:

  • A igreja está em uma posição saudável para que, caso você sofra um acidente, doença ou morte, eles estejam preparados para progredir espiritualmente? Nós não controlamos as narrativas da vida, a providência divina o faz.
  • Você tem confiança de que os presbíteros e a equipe conseguirão liderar bem a igreja durante sua ausência inesperada? Treine-os para o caso de imprevistos.
  • Você tem preparado a igreja para o dia da sua partida? Forme presbíteros fiéis que possam pastorear a igreja até que ela chame um pastor sênior.

Utilize essas perguntas para ajudar você a discernir motivos, percepções e prontidão para ficar ou partir.

E se você se despedir do seu rebanho, vá como um pastor, não como um mercenário.

 


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Por: Phill Newton. ©9Marks. Traduzido com permissão. Fonte: How to Decide When It’s Time to Stay or Go | Edição e revisão por Vinicius Lima.

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