Um blog do Ministério Fiel
A importância de começar bem no ministério
A singularidade dos começos e suas oportunidades
Terminar bem é crucial na vida e no ministério, mas também é muito importante a maneira como você começa. É claro que as Escrituras incluem muitos contos de advertência sobre bons começos e finais desastrosos. Pense em Salomão, o rei mais sábio de Israel, cujo coração tragicamente se afastou de Javé. Ou no companheiro de Paulo, Demas, que se apaixonou pela era presente. Ou na igreja de Éfeso que abandonou seu primeiro amor. Como Eclesiastes 7.8 nos lembra: “Melhor é o fim de uma coisa do que o seu começo.”
Certamente, um coro de conselheiros bíblicos exorta os crentes a perseverar, a persistir, a superar, a correr para garantir o prêmio da vida eterna. Mas, assim como um velocista pratica o impulso e a aceleração desde os blocos de largada, um novo pastor ou líder de ministério também deve almejar começar bem uma tarefa.
Quando fui chamado para servir como presidente do Bethlehem College and Seminary, um amigo sábio me incentivou a ler “The First 90 Days: Proven Strategies for Getting Up to Speed Faster and Smarter” [Os Primeiros 90 Dias: Estratégias Comprovadas para Acelerar Mais Rápido e Mais Inteligentemente]. O autor incentiva novos líderes a se prepararem, acelerarem seu aprendizado, adequarem a estratégia à situação, garantirem vitórias iniciais, alcançarem o alinhamento na organização e construírem suas equipes. Este livro best-seller sobre liderança não cita nenhuma escritura (que eu me lembre) nem fornece estudos de caso de igrejas ou organizações cristãs, mas, ao ler, fui encorajado a pensar intencional e proativamente sobre as oportunidades e os desafios do meu novo papel ministerial.
Como tais insights e princípios de liderança podem se traduzir na dinâmica única que se aplica a um pastor iniciante recém-saído do seminário ou a um associado de longa data prestes a assumir novas responsabilidades? Uma transição de liderança oferece uma oportunidade poderosa para renovar compromissos (fundamentos), lançar uma visão (foco), fazer parcerias com outros (amizade) e depender de Deus (fé).
Fundamentos
Um construtor sábio presta muita atenção ao alicerce, certificando-se de que ele esteja sólido e seguro antes de iniciar a construção. Os seguidores de Jesus buscam construir suas vidas sobre a rocha sólida dos seus ensinamentos (Mateus 7.24-27). A quais alicerces os novos líderes ministeriais devem se atentar?
O fundamento mais importante é a sã doutrina, os compromissos teológicos da igreja ou organização. A casa de Deus é “edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Cristo Jesus é a pedra angular” (Efésios 2.20). Um líder faria bem em estudar cuidadosamente a declaração doutrinária da igreja ou instituição que é chamado a servir, compreendendo sua fundamentação bíblica, história e aplicação na vida da organização.
Por exemplo, uma igreja possui uma declaração doutrinária que se aplica igualmente a membros e pastores, ou existem padrões teológicos mais detalhados para os líderes? Houve concordância satisfatória com a declaração doutrinária entre a equipe de liderança, ou isso tem sido fonte de discórdia ou controvérsia? Um líder pode precisar revisar ou refinar os padrões doutrinários em algum momento, mas a prioridade em um período inicial de serviço é comunicar claramente os compromissos doutrinários atuais e buscar alinhar e unificar a igreja ou o ministério em torno desses padrões.
Além disso, um novo líder precisa entender as regras pelas quais uma organização opera. Isso inclui manuais de políticas e documentos legais, como estatutos, constituição e regimento interno. Embora os estatutos da igreja dificilmente sejam uma leitura agradável, eles são muito importantes para estabelecer como uma organização funciona. Greg Gilbert explica:
“No nível mais básico, as regras — sejam uma constituição, estatutos ou regimentos internos — são apenas uma forma de esclarecer antecipadamente, para todos, quem pode fazer o quê… quando… e em que circunstâncias. Isso não é algo sem importância. Acerte nisso e você evitará muitas discussões e desentendimentos que podem destruir a igreja.”
Um novo líder tem a oportunidade de revisar, renovar e reforçar os compromissos fundamentais da organização em ensinar doutrina sólida e aderir aos padrões estabelecidos de governança e tomada de decisões.
Foco
Uma transição também oferece uma oportunidade estratégica para focar a atenção na missão e na visão. Uma declaração de missão esclarece o propósito essencial do ministério: Por que existimos? A quem servimos? Para que Deus nos chamou? A visão de um ministério é aspiracional e voltada para o futuro: Para onde vamos com a ajuda de Deus?
Seria sensato que um candidato a uma nova função aprendesse sobre a missão e a visão de uma igreja ou ministério durante a entrevista e o processo de discernimento. O conselho administrativo e a equipe da organização têm clareza sobre sua missão e visão? Há necessidade de renovar os compromissos atuais, explicando seus fundamentos bíblicos e incentivando as pessoas a viverem com paixão e propósito? Ou um novo líder precisa construir consenso e buscar clareza sobre o porquê de essa igreja ou organização existir e para onde está caminhando?
John Piper define liderança cristã como “saber onde Deus quer que as pessoas estejam e tomar a iniciativa de usar os dons e métodos de Deus para levá-las lá, confiando no poder de Deus por meio de Cristo, com o povo designado por Deus seguindo”. Um líder oferece instrução, orientação, supervisão e um exemplo para outros seguirem na busca de um objetivo compartilhado (Hebreus 13.7). Em outras palavras, Deus chama pastores e outros líderes cristãos para liderar com base bíblica. Paulo coloca desta forma: “Tenha cuidado de si mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16). Portanto, se um líder precisa renovar ou desenvolver uma missão e visão para sua organização, é crucial liderar com a palavra de Deus e colocá-la em prática regularmente.
Amizade
Os novos líderes devem buscar fortalecer os alicerces da organização e aprimorar o foco na missão e visão compartilhadas. Aqueles que desejam perdurar por mais de noventa dias também devem investir em relacionamentos com outras pessoas, tanto dentro quanto fora da igreja ou ministério em que atuam.
Por exemplo, se você é um novo pastor sênior, cultive amizade e parceria com os presbíteros e a equipe da igreja. Dedique um tempo para conhecer os membros da sua equipe, talvez idealmente durante refeições prolongadas juntos. Compartilhem seus testemunhos e orem uns pelos outros. Perguntem sobre o chamado deles para o ministério e a experiência deles com a congregação. Que desafios e oportunidades eles veem? Quais são suas esperanças e sonhos? Em um período de transição, também pode ser necessário aumentar a equipe ou identificar e equipar novos líderes leigos. Tais decisões exigem planejamento intencional, comunicação clara e muita oração.
Uma transição também é uma boa oportunidade para contatar pastores de igrejas próximas e líderes de outros ministérios locais. Aprenda sobre as congregações e organizações que eles servem. Busque oportunidades para encorajar e orar por sua obra evangelística. Pode ser que alguns desses novos contatos se tornem amigos duradouros e parceiros importantes no ministério. Quando Paulo chegou a Corinto e conheceu Áquila e Priscila (Atos 18.2), eles se uniram em torno de sua fé compartilhada e do ofício de fazer tendas. Os três desenvolveram uma amizade e parceria ministerial de longa data, a ponto de Paulo os nomear em três de suas cartas e chamá-los de “cooperadores em Cristo Jesus” (Romanos 16.3).
Da mesma forma, as transições ministeriais oferecem oportunidades importantes para desenvolver novas amizades e formar novas parcerias para incentivar o avanço do evangelho.
Fé
Por fim, tempos de transição devem levar novos líderes e as pessoas a quem servem a depender de Deus. A Harvard Business Review pode fornecer aos líderes amplos insights sobre planejamento estratégico e gestão organizacional, mas a Palavra de Deus nos lembra repetidamente de tarefas muito mais essenciais: buscar o Senhor em oração e recorrer a Ele em busca de sabedoria e força para realizar Sua obra para Sua glória e nossa alegria.
A liderança cristã é uma tarefa fundamentalmente espiritual; requer recursos sobrenaturais. Assim, Paulo exorta os crentes a “se alegrarem sempre, orarem sem cessar, darem graças em todas as circunstâncias” (1 Tessalonicenses 5.16-18). Pedro exorta todos os cristãos — incluindo os líderes — a “servirem uns aos outros, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus… para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo” (1 Pedro 4.10-11).
Um novo pastor ou líder de ministério se depara com uma oportunidade poderosa de renovar compromissos fundamentais, lançar uma nova visão, fazer parcerias com outros e — em última análise — depender de Deus em todos os momentos. O grande pregador Charles Spurgeon disse bem: “Lance toda a sua alma a serviço de Deus, e então você receberá a bênção de Deus se estiver descansando nele.”
Para ver mais conteúdos do Desiring God traduzidos em nosso blog, CLIQUE AQUI.

