Um blog do Ministério Fiel
Uma homenagem de John Piper a John MacArthur (1939–2025)
"Quanto mais eu conhecia John MacArthur, mais eu o amava"
Quanto mais eu conhecia John MacArthur, mais eu o amava. A admiração se intensificou em afeição. CS Lewis disse em seu livro Os quatro amores:
De certa forma, nada se assemelha menos a uma amizade do que um caso de amor. Amantes estão sempre conversando sobre seu amor; amigos raramente sobre sua amizade. Amantes normalmente estão cara a cara, absortos um no outro; amigos, lado a lado, absortos em algum interesse comum.
Interesse comum é um eufemismo. Para nós, era um infinito comum. “Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Salmo 119.72). A Bíblia não era apenas interessante. Era melhor do que o melhor. Era imensuravelmente preciosa. Há um tipo de afeição que acontece quando você sente — não apenas sabe — que a pessoa com quem você está falando realmente fala sério quando diz que as palavras de Deus são “mais desejáveis… do que o ouro, sim, muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o destilar dos favos” (Salmo 19.10).
A idade moldou o afeto. Ele era sete anos mais velho que eu. Meio século atrás, isso parecia um abismo entre nós. Eu sonhava em ser pastor. Ele já era um veterano. Então, pareceu-me uma enorme gentileza quando ele concordou em tomar café da manhã comigo e me deixou bombardeá-lo com perguntas. Quarenta anos depois, esse abismo desapareceu. Quase.
Valorizávamos um ao outro por um glorioso ponto em comum. Setenta e poucos anos não disputam a antiguidade. Testados em batalha, sem amargura, carregando cicatrizes com alegria duradoura, gostávamos um do outro. Ele era gentil comigo — telefonemas para expressar gratidão, convites para suas conferências, conversas públicas onde o afeto transbordava.
Mas ainda assim, eu digo, o abismo de antiguidade quase desapareceu. Talvez eu seja um admirador júnior, sempre um admirador júnior. Da minha parte, ele sempre foi grandioso. Eu estava sempre olhando para cima. A culpa era minha, não dele.
Poder de cortar o coração
Fiquei simplesmente impressionado com o que ele conseguia fazer no púlpito com uma passagem das Escrituras. Como acontece com toda pregação expositiva poderosa, nenhuma descrição consegue captar plenamente o que a torna poderosa.
Sim, havia uma clareza cristalina. Você sabia o que ele queria dizer e o que ele não queria dizer.
Sim, havia uma base textual explícita para cada ponto. Era possível ver de onde vinha no texto. Ele se certificava disso.
Sim, havia aplicação às armadilhas e possibilidades prementes do nosso tempo. O texto praticamente explodia em relevância.
Sim, havia uma dicção sem distrações. Nada de “hum”, “uh”, “sabe”, “mais ou menos”, “tipo assim”. Apenas simplicidade e precisão sem ser artificial.
Sim, ele era simplesmente interessante. Ele acreditava que era pecado tornar a Bíblia entediante. Como a Palavra do Criador do universo poderia ser entediante? Seja explicando contextos históricos ou controvérsias atuais, ele era envolvente.
Sim, havia zelo. Ele sentia o valor e o horror das realidades que pregava. Deus e o homem. Cristo e Satanás. Verdade e falsidade. Pecado e santidade. Vida e morte. Céu e inferno. Tempo e eternidade.
Sim, havia autenticidade. O homem inteiro estava na mensagem. Não havia nenhuma persona mascarando a pessoa.
Sim, havia amor. Amor a Deus. Amor ao Evangelho. Amor à verdade. Amor ao seu rebanho. Amor aos perdidos.
E sim, havia autoridade. E isso não era uma característica de personalidade. Era o “Assim diz o Senhor!” que advém da submissão desavergonhada a cada parágrafo das Escrituras.
Mas quando todas essas marcas de uma poderosa pregação expositiva são impressas, o poder permanece inexplicável. A unção. A unção. A chama sagrada. A presença penetrante de Deus. O tipo de seriedade que faz o coração cantar. O tipo de alegria que traz lágrimas com a abertura do céu. O que podemos dizer? Ele nos foi um presente.
Fruto Imensurável
A mera constância de tal exposição por mais de meio século foi imensamente frutífera. Só Deus sabe os incontáveis efeitos eternos que se propagaram das pedrinhas de verdade que ele lançou ano após ano.
Essas ondas incluem uma família que o admira e ama seu Deus.
Elas incluem seu impacto em todas as gerações. De Dallas a Dubai, jovens vêm até mim e dizem que ouvem John MacArthur.
Elas incluem um seminário, uma faculdade e conferências onde milhares foram inspirados a acreditar que explicar o que a Bíblia significa honra a Deus, salva pessoas, desperta o amor, efetua justiça e promove missões.
Elas incluem corações e mentes penetrados por todas as raças e etnias (ao contrário do que muitos esperam de pastores que pregam a Bíblia).
Poderíamos continuar: rádio, Internet, livros, comentários, centros de treinamento globais, traduções, plantação de igrejas e fidelidade a um rebanho duradouro.
O que John MacArthur diria sobre tudo isso?
Acredito que ele ficaria feliz com a avaliação de Martinho Lutero sobre seu próprio ministério — que ele simplesmente ensinou e escreveu a Palavra de Deus e, enquanto ele dormia, Deus fez tudo.
Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa. (Marcos 4.26–29)

