Legalização do aborto perde força no Brasil, diz relatório Ipsos

Nunca tivemos um Brasil tão pró-vida quanto agora

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Enquanto muitos países ocidentais caminham para uma maior permissividade em relação ao aborto, o Brasil segue um rumo contra a corrente. Os dados do relatório “Global Views on Abortion 2023”, pesquisa da Ipsos (empresa global de pesquisa de mercado e opinião pública) realizada em 29 países com mais de 23 mil entrevistados, revelam que os brasileiros têm demonstrado, ano após ano, uma postura cada vez mais restritiva quanto à legalização do aborto.

QUEDA NO APOIO À LEGALIZAÇÃO: UM DADO REVELADOR

Segundo a série histórica da Ipsos (p. 17 do relatório), a opinião pública brasileira sofreu uma mudança clara. Em 2021, 64% dos brasileiros defendiam que o aborto deveria ser legal em todos ou na maioria dos casos. Já em 2023, esse número caiu para 39%. Trata-se de uma redução de 25 pontos percentuais em apenas dois anos (uma das mais drásticas registradas entre os países pesquisados).

Fonte: Ipsos Global Views on Abortion 2023

Esse declínio contrasta com a estabilidade observada em países como a Suécia (87%) e França (82%), onde o apoio à legalização é alto e constante.

O BRASIL ENTRE OS MAIS RESTRITIVOS DO MUNDO

Quando os países são organizados pelo índice de apoio à legalização do aborto (p. 16 do relatório), o Brasil figura entre os sete mais conservadores, com apenas 39% de apoio líquido (diferença entre os que são a favor e os que são contra). A média global é de 56%.

Fonte: Ipsos Global Views on Abortion 2023

Esses números mostram que, apesar do intenso ativismo pró-aborto em certos segmentos urbanos e acadêmicos, a sociedade brasileira como um todo tem resistido à liberalização dessa prática.

CIRCUNSTÂNCIAS ESPECIAIS: AINDA ASSIM, RESISTÊNCIA

Mesmo em casos que comumente recebem maior empatia (como estupro, deficiência fetal grave ou risco de morte materna) o Brasil apresenta índices abaixo da média global quanto a aceitação do aborto:

  • Estupro: 70% dos brasileiros são favoráveis ao aborto nesses casos, frente a 72% da média global.
  • Deficiência fetal grave: 50% no Brasil defende o aborto nesses casos, contra 65% globalmente.
  • Risco à vida ou saúde da mulher: 66% no Brasil apoia a prática do aborto nesses casos, contra 78% no total global.

Embora esses números ainda mostrem que precisamos continuar nossa batalha, a tendência é clara: o brasileiro médio é mais cauteloso mesmo diante de situações-limite.

PENALIZAÇÃO DE ENVOLVIDOS: BRASIL PEDE PUNIÇÕES

Outra revelação importante do estudo diz respeito à punição de envolvidos em abortos ilegais:

  • 35% dos brasileiros defendem a penalização da mulher que fez o aborto, superando a média global de 33%.
  • 57% querem punir quem realiza o procedimento, 12 pontos acima da média global de 45%.
  • 52% apoiam punir quem auxilia ou providencia o aborto ilegal, frente a 43% globalmente.

Esses dados desmontam o mito de que a maioria da população quer descriminalizar o aborto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: NÃO SOMOS UMA EXCEÇÃO, SOMOS CONSISTENTES

É comum ouvir que “o Brasil está atrasado” ou “fora da realidade mundial” quanto ao aborto. Contudo, a análise da pesquisa mostra que não se trata de atraso, mas de uma convicção cultural, moral e religiosa sólida que tem se fortalecido. Mesmo em segmentos mais urbanos e escolarizados (que compuseram a amostra brasileira), o apoio ao aborto é baixo.

A pesquisa da Ipsos, ao contrário do que sugerem certos discursos militantes, revela um Brasil cada dia mais pró-vida do que se imagina (e mais pró-vida hoje do que foi no passado recente).

Nota metodológica: Os dados foram coletados entre junho e julho de 2023, com aproximadamente 1.000 brasileiros entrevistados online. O estudo considerou segmentos urbanos, mais instruídos e com maior acesso digital, o que, em tese, tenderia ao progressismo, e mesmo assim revelou uma guinada conservadora.

Fonte: https://www.ipsos.com/pt-br/brasileiros-estao-divididos-sobre-legalizacao-do-aborto

AINDA LONGE DO IDEAL: PRECISAMOS FAZER MAIS

Embora os números revelados pela pesquisa da Ipsos sejam animadores e indiquem uma mudança significativa na direção da cultura da vida, não podemos nos acomodar. O fato de que quase 4 em cada 10 brasileiros ainda apoiam a legalização do aborto em alguma medida mostra que a luta está longe de ser vencida. Esses dados não devem ser motivo de triunfalismo, mas sim um alerta: há uma batalha de consciência em curso, e muitas pessoas ainda não compreendem plenamente o que está em jogo.

A pesquisa deixa claro que ainda há um grande trabalho a ser feito na conscientização da população. A ideia de que matar uma vida humana indefesa no ventre da mãe pode ser tratado como “direito reprodutivo” ou “questão de saúde pública” é uma distorção profunda da ética e da razão. Precisamos ser incansáveis em desmascarar as falácias do discurso pró-aborto, que tenta pintar o assassinato de um inocente como progresso e liberdade. Uma sociedade que normaliza o aborto é uma sociedade que perdeu o senso de justiça, humanidade e compaixão.

UM CHAMADO AO POVO PRÓ-VIDA: NÃO PODEMOS NOS CALAR

Diante desse cenário, os brasileiros que defendem a vida precisam levantar a voz com ainda mais coragem e clareza. A boa notícia é que não estamos sozinhos; há um movimento crescente, especialmente entre os jovens, que rejeita a cultura da morte e reconhece o valor sagrado da vida humana desde a concepção. É hora de ocuparmos o espaço público, os meios de comunicação, os debates acadêmicos e as redes sociais com argumentos, dados e sensibilidade.

As igrejas cristãs, em especial, têm uma responsabilidade fundamental nessa missão. A defesa da vida é uma expressão concreta do mandamento de amar o próximo. Portanto, não podemos mais ficar à margem da discussão. Precisamos nos organizar, formar lideranças, investir em formação bíblica e científica, e equipar nossos membros para participarem do debate com sabedoria e firmeza. O silêncio das igrejas é um luxo que não podemos mais nos permitir.

A bandeira da vida é preciosa demais para ser esquecida nos bastidores. Ela deve ser hasteada com coragem e esperança diante de uma geração sedenta por verdade. Que cada brasileiro pró-vida, seja pastor, padre, médico, professor, mãe ou jovem estudante, entenda que sua voz importa, sua atuação é necessária, e sua persistência pode salvar vidas. A cultura da morte será vencida não por imposição, mas pelo testemunho firme e luminoso de um povo que ama a vida, toda vida, desde o ventre até a morte natural.

Autor: Ramon de Sousa Oliveira. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Revisão e Edição por Vinicius Lima.

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