É correto faltar no culto para servir no berçário ou em outras frentes da igreja?

Episódio do Podcast John Piper Responde

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Seja bem-vindo a mais um episódio de John Piper Responde!

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A pergunta de hoje trata de algo que acontece todos os domingos em quase todas as igrejas, mas sobre o qual raramente refletimos: será que é correto e sábio lidar assim? Vamos falar sobre irmãos que deixam de participar do culto para servir em outras áreas da igreja nesse mesmo horário — seja no cuidado das crianças no ministério infantil, na organização e vigilância do estacionamento ou até na preparação dos alimentos para a comunhão após o culto.

O assunto de hoje vem dessa pergunta do Trevor para você. “Tenho uma pergunta sobre servir durante o culto de domingo. É apropriado faltar ao culto se você estiver servindo em outra área da igreja, como o berçário? Ouvi um dos meus pastores sugerir semanas alternadas entre participar do culto e se voluntariar. Embora eu entenda que servir pode ser um ato de adoração, conforme Romanos 12.1, estou lutando para me conformar com a ideia de perder o culto. Assistir ao culto e ouvir os ensinamentos do pastor, digamos, cinquenta por cento do tempo, é realmente suficiente? Obrigado por qualquer orientação que você possa oferecer.”

Deixe-me começar argumentando como pode ser maravilhoso atender a uma necessidade real na igreja, como cuidar de crianças no berçário, ao custo de perder alguns cultos. E então argumentarei porque isso não é o ideal e como você pode minimizar as ausências.

Beleza de Servir

Trevor mencionou uma das passagens-chave sobre todas as nossas vidas serem adoração: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12.1). Fazer sacrifícios pelo bem dos outros em nome de Jesus realmente manifesta o seu valor, e é por isso que chamamos isso de adoração. Isso é verdade. Mas devemos ter cuidado para não equiparar a adoração da vida diária com a reunião do povo de Deus em adoração corporativa. Elas não são a mesma coisa. Uma não pode simplesmente substituir a outra.

Portanto, não estou justificando a ausência do culto comunitário dizendo que o serviço prático é o mesmo aos olhos de Deus. Esse não é o meu argumento. Não é a mesma coisa. Ambos são belos. Ambos são dignos. Deus se agrada de ambos. Mas eles não são a mesma coisa. E fazer um não realiza tudo o que o outro realiza.

Tomemos como exemplo o trabalho no ministério infantil: cuidar de bebês. É difícil exagerar o valor que Deus dá ao receber crianças em seu nome. Aqui está a coisa de tirar o fôlego que Jesus disse sobre trabalhar com crianças (eu costumava citar isso para recrutar para o trabalho no berçário nas manhãs de domingo): “Quem recebe uma criança como esta em meu nome, a mim me recebe; e quem me recebe, não me recebe, mas àquele que me enviou” (Marcos 9.37). Isso é simplesmente impressionante se você acredita. Receber uma criança no ministério infantil em nome de Jesus é receber Deus Todo-Poderoso no ministério infantil. É o que isso quer dizer. Isso não é nenhum bicho de sete cabeças; é o que o texto diz. Então, não tenho dúvidas de que Deus está sorrindo para Trevor se ele trabalha com as crianças durante o culto corporativo e recebe crianças em nome de Jesus.

Trabalhando no Dia do Senhor

Poucas coisas, ao que parece, deixaram Jesus mais irado do que os fariseus, os quais coavam mosquitos e engoliam camelos, que tiravam suas ovelhas da vala no sábado e, ainda assim, ficaram furiosos com Jesus por curar um homem deficiente no sábado. Ah, como ele ficou irado! Jesus resumiu tudo quando disse em Mateus 12.12: “Portanto, é lícito fazer o bem no sábado”.

De fato, quando Lucas conta a história da cura do paralítico no sábado, no capítulo 6, Jesus pergunta: “É lícito no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou destruí-la?” (Lucas 6.9). Agora, por que ele diria isso? É lícito fazer mal? É lícito destruir a vida? Por que ele está dizendo isso? Ninguém estava sugerindo que alguém destruísse a vida. Ou será que estavam? Acho que Jesus estava dizendo: “Se você realmente tem um coração que se opõe à minha cura deste homem agora mesmo no sábado, você tem um coração que destrói — destrói a vida. É isso que o seu coração é: é um destruidor, quer você saiba disso ou não.”

O resultado é que Jesus ama ver seu povo fazendo o bem em nome de Jesus no Dia do Senhor.

Reunião no Dia do Senhor

E ele ama vê-los reunidos e, de todo o coração, cantando, orando, proclamando e ouvindo a pregação em nome de Jesus e para a glória de Deus. De fato, ele nos ordena em Hebreus 10.25: “Não deixemos de congregar-nos… e tanto mais quanto vocês vedes que o Dia se aproxima”. E Efésios 5.18–19: “Não se embriaguem com vinho… mas deixem-se encher pelo Espírito, falando uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor”.

Isto é adoração coletiva. Eles estão cantando uns para os outros, e estão cantando para o Senhor, e isso vem do coração. Isto é afeição coletiva expressa em formas exteriores de adoração. E a razão pela qual eu enfatizo “afeição coletiva” é porque é isso que faz com que todas as coisas exteriores — como cantar, orar, confessar e pregar — sejam adoração. Transforma-as em adoração em vez de hipocrisia. Existe afeição genuína por Deus.

E duas das razões para fazer parte desta reunião, em vez de apenas expressar sua afeição em casa, são: (1) a afeição em expressão unificada é uma glória maior para Deus do que a afeição isolada, e (2) afeição gera afeição. Algo acontece conosco em meio à afeição coletiva. Deus faz algo por Sua causa e por nossas almas quando estamos no meio de um povo que derrama sua admiração, confiança, reverência e alegria a Deus. Já disse muitas vezes que acredito que devo meu ministério, meu casamento e minha própria alma à maneira como Deus me encontrou na adoração coletiva nos últimos sessenta anos.

Alcançando um equilíbrio

Então, espero que você perceba que eu acho que trabalhar no berçário durante o culto comunitário é algo glorioso e que agrada a Deus. E acho que você, Trevor, e todos os outros precisam estar presentes nessa reunião de afeição comunitária por Deus o mais frequentemente possível.

O que isso significa para você? Significa que você trabalhará em conjunto com os líderes da sua igreja para garantir que as crianças sejam cuidadas em nome de Jesus, e que isso seja feito de maneiras criativas que maximizem a possibilidade de as pessoas participarem do culto comunitário com a maior frequência possível.

Aqui vai uma ideia prática, Trevor. Imagine que você esteja trabalhando com as crianças a cada duas semanas durante onze semanas. Isso significa que você servirá seis vezes. E se você encontrasse outra pessoa que concordasse em substituí-lo a cada duas vezes? Então, três domingos em onze semanas. Isso significa que, nessas onze semanas, essa pessoa e você perderiam apenas três dos onze cultos, em vez de seis.

Agora, eu sei que todos os supervisores de berçário que estão ouvindo isso estão dizendo (enquanto reviram os olhos): “Piper, se fosse assim tão fácil”. Eu entendo. Faço isso há quarenta anos; entendo como é difícil. Mas, com essa compreensão de como esses dois ministérios são absolutamente maravilhosos, pode ser que mais e mais pessoas estejam dispostas a compartilhar a carga.

 

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Por: JOHN PIPER. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: How Much Church Can I Miss to Serve? | Revisão e edição por Vinicius Lima.

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