Não ignore o livro de Juízes no estudo bíblico feminino

Juízes revela a necessidade desesperada de um Rei

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Quando um e-mail da igreja anunciou um próximo estudo bíblico para mulheres sobre Juízes, minha mente correu para várias passagens, tentando entender como falaríamos sobre esse livro como um grupo de mulheres em uma cidade extremamente progressista. Juízes pode ganhar o prêmio de “Livro mais desconfortável da Bíblia para estudar” — especialmente para mulheres.

Embora possa parecer imprudente pedir às mulheres que estudem passagens que relatam abusos e maus-tratos a mulheres, pular essas histórias porque nos deixam desconfortáveis nos prejudica. Em vez disso, podemos nos consolar sabendo que Deus incluiu essas histórias difíceis nas Escrituras para nosso benefício. Estudar Juízes pode ajudar as mulheres a crescerem na fé e no conhecimento de Deus. Aqui estão três verdades que descobrimos quando olhamos mais profundamente.

Desorientadas sem as Escrituras

Em Juízes 11, um pai chamado Jefté faz uma promessa precipitada: se Deus lhe der a vitória militar, ele sacrificará a primeira coisa que entrar pela sua porta. Tragicamente, essa coisa acaba sendo sua filha. A história fica ainda mais confusa quando vemos a reação dela. Ela aceita seu destino, dizendo que seu pai deve cumprir sua palavra a Deus, pedindo apenas que ele lhe conceda dois meses para lamentar sua morte.

Como Deus poderia permitir que essa garota fosse sacrificada em seu nome? Ela parece tão corajosa e justa. Ao considerarmos o contexto mais amplo das Escrituras, porém, vemos que o sacrifício dela não é nobre, mas trágico. Há evidências claras de que Jefté cumprir sua promessa não agradou ao Senhor, porque Deus se opõe ao sacrifício de crianças (Lv 18:21) e já havia providenciado uma saída para promessas tolas (Lv 5:4-6). Se essa família conhecesse e seguisse as Escrituras, a filha poderia ter percebido que sua morte nessa situação não honraria a Deus, e Jefté poderia ter honrado seu voto por meio dos meios alternativos que Deus permitiu.

Estudar Juízes pode ajudar as mulheres a crescerem na fé e no conhecimento de Deus.

Muitas histórias em Juízes, como esta, são descritivas (não prescritivas). A questão não é que devemos agir como Jefté e sua filha agiram, mantendo votos tolos a qualquer custo. Em vez disso, a história deles é um conto de advertência. Eles não conheciam a Palavra de Deus. Eles pensavam que estavam fazendo a coisa certa porque não conheciam a verdade. Vemos que mesmo pessoas que desejam sinceramente obedecer a Deus podem ser mal orientadas sem a compreensão e o conhecimento adequados das Escrituras. E podemos nos consolar sabendo que Deus não aprova esse evento horrível.

Depravados sem Deus

Em Juízes 19, encontramos uma história comovente em que um levita oferece sua concubina a um grupo de homens inúteis, maus e lascivos para proteger a si mesmo e a um hóspede. Os homens perversos a estupram e abusam dela violentamente, deixando-a para morrer na porta da casa de seu senhor. Choramos com essa mulher e outras que foram abusadas e abandonadas por homens que falharam em protegê-las. E podemos nos perguntar sobre Deus — essa história significa que Deus não valoriza ou não se importa com as mulheres?

Mas quando olhamos para essa história triste e complicada no contexto do restante das Escrituras, vemos que ela revela a depravação do caráter humano, em vez de refletir o caráter de Deus. Entregue ao pecado, a humanidade não reflete o coração de Deus para com seu povo. Nossa natureza pecaminosa nos leva a explorar os vulneráveis, os fracos e os marginalizados, em vez de protegê-los, como Deus chama seu povo a fazer repetidamente nas Escrituras. O livro de Juízes fica pior quanto mais você lê, porque o povo está vivendo mais entrincheirado no pecado a cada ano que passa.

Embora seja difícil compreender os horrores desse caso específico, todos nós enfrentamos a tentação fundamental de negar e desonrar a imagem de Deus em outras pessoas. Podemos reconhecer momentos em nossas vidas em que escolhemos proteger a nós mesmos ou nossa reputação às custas de outra pessoa. Quando somos deixados à nossa própria sorte, o pecado pode levar a atos cada vez mais horrendos. Esta passagem nos faz confrontar a profunda depravação do pecado e nos adverte para não nos tornarmos insensíveis aos seus efeitos ao nosso redor ou preguiçosos em combater suas tentações dentro de nós.

Sem esperança sem Cristo

Em meio às histórias tristes registradas em Juízes, encontramos o refrão “Não havia rei em Israel” (Juízes 17:6; 18:1; 19:1). E é aí que termina este livro sombrio, sem esperança e cheio de suspense: “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos” (21:25). A repetição dessa frase nos leva a concluir que, se houvesse um rei, essas atrocidades não teriam acontecido. Ela nos leva a esperar que um rei entre na história, que não apenas faça o que é certo, mas também corrija todas as coisas erradas.

Ler Juízes nos leva a nos ajoelharmos, implorando a Deus por algo melhor. Isso nos força a avaliar se realmente acreditamos na bondade de Deus e no cuidado soberano para com o seu povo e nos compele a olhar holisticamente para as Escrituras em busca de uma resposta. Precisamos de Juízes, porque em nossos dias mais sombrios, essas histórias nos lembram que existe um Rei: Jesus Cristo.

Precisamos de Juízes, porque em nossos dias mais sombrios, essas histórias nos lembram que existe um Rei: Jesus Cristo.

Quer você ou uma irmã tenham sofrido injustiça, abuso ou traição, tenha bom ânimo: servimos a um Rei cujo amor, justiça, poder e compaixão são ilimitados. Ele curará os quebrantados, consolará os oprimidos e corrigirá os erros (Apocalipse 21:4).

Enquanto Israel ansiava por seu Rei prometido, nós nos alegramos porque ele veio. Jesus viveu, morreu e ressuscitou para que, em nossos momentos mais sombrios, possamos nos voltar para Aquele que nunca falhará, abandonará ou nos prejudicará. Ele é nosso Salvador compassivo, Senhor ressuscitado e Rei reinante.

Juízes está repleto de más notícias sobre a humanidade, mas nos aponta para as boas novas de Jesus Cristo.

Por: Moriah Lovett © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org. Traduzido com permissão. Fonte: Don’t Skip Judges in Women’s Bible Study | Revisão e edição por Renata Gandolfo.

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