Um blog do Ministério Fiel
Qual deve ser a postura do cristão diante da legalização da maconha?
Episódio do Podcast John Piper Responde
Transcrição do vídeo
Por muito tempo, várias religiões usaram maconha em busca de um estado espiritual elevado — para criar uma conexão divina ou um estado alterado de consciência que, segundo elas, aprofunda a fé ou abre a mente para o sagrado. Não vamos falar hoje sobre o uso medicinal da maconha. Se você a usa sob cuidados médicos, essa não é a questão aqui, como você já disse no passado .
Nosso foco hoje é o uso recreativo — agora legal em 24 estados aqui nos EUA. Além disso, vários outros estados descriminalizaram o porte de pequenas quantidades de maconha. Você pode ver para onde a tendência está indo. Há pouco mais de uma década, o uso recreativo de maconha era ilegal em todos os cinquenta estados dos EUA. Não é mais. A cada ano que passa, essa conversa se torna mais urgente para cristãos, pastores, pais e igrejas. Então, Pastor John, quando você analisa tudo isso, o que lhe vem à mente?
As leis em mudança da nossa nação
O que eu quero chamar a atenção, por meio de exortação e encorajamento, mesmo que possa parecer pessimista para alguns, é que esse fato, a legalização da maconha, chama a atenção para algo que precisamos estar cientes e sobre o qual precisamos ajustar nosso pensamento — ou seja, que a igreja, por muito tempo, se apoiou demais na sobreposição entre o estado e a igreja para fortalecer nossa convicção sobre o que é certo e errado.
Em outras palavras, se o Estado considerou algo errado ou ilegal, a Igreja não precisou se esforçar muito para ensinar raízes profundas para a convicção, nem qualquer argumentação bíblica aprofundada, nem qualquer inspiração que fortalecesse a convicção, porque todos simplesmente presumem que o comportamento está fora dos limites. As expectativas do Estado e os costumes culturais se sobrepõem aos costumes cristãos, e assim podemos simplesmente nos manter à tona.
Agora, pare e pense na quantidade de comportamentos que antes eram ilegais e não são mais.
- O divórcio já foi ilegal.
- Adultério e fornicação eram ilegais.
- Práticas homossexuais eram ilegais.
- A indecência era ilegal, de tal forma que o que é considerado aceitável em filmes e praias hoje em dia seria proibido.
- Quebrar o sábado era ilegal.
- O aborto era ilegal em todos os estados.
E a lista poderia continuar indefinidamente.
Apoiando-se na cultura
Agora, a questão não é que essas coisas devam ou não ser ilegais. A questão é que, por serem ilegais, a igreja não precisava pensar muito, trabalhar muito, ensinar muito profundamente ou inspirar de forma muito eficaz para incutir convicções, atitudes e comportamentos em nossos jovens ou em novos convertidos. Simplesmente poderíamos presumir que nosso povo não faria essas coisas porque eram tabu e ilegais na cultura.
A igreja se apoiava na cultura para seu catecismo, seu ensinamento, sua inspiração, sua convicção. Assim, a igreja presumia tanta sobreposição entre convicções culturais e convicções cristãs que não se ouvia com frequência ensinamentos ou pregações que ensinassem a igreja a ser estrangeira, estranha, esquisita ou difamada. E usei a palavra difamada porque é a palavra que Pedro usa em 1 Pedro 4.3-4, quando diz:
Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão.
Em outras palavras, durante a maior parte da história americana, houve tanta sobreposição entre costumes culturais e comportamentos cristãos exteriores que este texto em 1 Pedro 4 parecia projetado para outro mundo — como: “O que esse texto tem a ver com qualquer coisa na América?” Durante séculos, muitos americanos iam à igreja, não apesar de serem difamados, mas porque não ir faria com que fossem difamados.
Responsabilidade negligenciada
Assim, a chamada ética judaico-cristã moldou leis e igrejas a tal ponto que a cultura, tanto quanto a igreja, discipulou nossos jovens. Eu cresci nesse mundo, de qualquer forma, quando era criança. E pouco esforço foi feito para cultivar a mentalidade de que os cristãos não são deste mundo, são peregrinos e exilados, e serão difamados se andarem em sintonia com Jesus. Pouco esforço foi feito para ajudar os cristãos a aprofundarem suas raízes morais em Cristo, no Evangelho, em sua Palavra e em seu caminho, de modo que pudéssemos nos posicionar a favor de alguma verdade, atitude ou comportamento quando ninguém mais estivesse conosco.
Essa é uma responsabilidade bíblica, espiritual e parental da igreja que tem sido significativamente negligenciada. E essa negligência está agora sendo exposta pela velocidade e flagrância da normalização cultural do pecado. Portanto, a desestigmatização e a legalização de atitudes e comportamentos que estão em desacordo com Cristo podem ser, penso eu, um caminho indireto para algo bom para a igreja. Não deveríamos ter nos apoiado tanto na cultura para sustentar o que considerávamos certo e errado.
Foco principal da Igreja
O que quero dizer é o seguinte: o foco e a energia moral da igreja, a grande maioria dos nossos esforços, não devem estar na busca de apoio político, legal e cultural para comportamentos e atitudes que queremos ver em nossas crianças e em nossas igrejas. Esse é um foco equivocado. Não estou dizendo que não haja papel para os cristãos na política ou no legislativo, onde possam defender o que consideram saudável para a sociedade. Mas estou dizendo que esse esforço nunca, nunca mesmo, deve chegar perto de ser o foco principal de pastores e pais.
O foco principal deve ser fazer o que somente a Bíblia, somente o Evangelho, somente o Espírito Santo, a verdade e Jesus podem fazer para transformar os seres humanos no tipo de pessoa que exalta a Cristo, depende do Espírito e glorifica a Deus, que escolhe livremente não usar drogas — seja cafeína, álcool, cannabis, cocaína, metanfetamina ou heroína — para fugir de um mundo onde Cristo é menos claramente percebido, as Escrituras são menos compreendidas e preciosas, o Espírito é menos pessoal, a glória de Deus é menos satisfatória, o caminho da justiça é menos definido e o caminho da obediência é menos convincente. Queremos cristãos que rejeitem livremente qualquer coisa que os coloque nesse tipo de mentalidade.
Ser um cristão, um verdadeiro cristão, é algo muito radical. É algo milagroso. É algo sobrenatural. Exige um esforço considerável enquanto tentamos trazer o mundo para o nosso lado (o que, por definição, nunca vai acontecer). Exige todo o foco do ministério pastoral — evangelizar, pregar, adorar, aconselhar, ensinar e dar exemplos radicais para as pessoas. Exige foco — esforços dos pais, dependentes do Espírito e saturados da Bíblia, para invocar o milagre, por meio da criação dos filhos e da igreja, da criação de jovens que estejam alegremente dispostos a estar fora de sintonia com o mundo.
Essa é a mensagem, creio eu, que Deus está nos enviando em relação à desestigmatização, normalização e legalização de comportamentos, atitudes e drogas que consideramos incompatíveis com o Evangelho. É um chamado para sermos a Igreja de Cristo e sermos famílias verdadeiramente cristãs.
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