Depois do Natal: uma cura para a tristeza pós-Natal

O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento

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“A minha alma engrandece ao Senhor,
 e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador (…)
 Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.” (Lucas 1.46-47, 53)

Os poucos dias entre o Natal e o Ano Novo nos ensinam algo profundo sobre os anseios de nossas almas. Na maioria das vezes, o júblio e a alegria do dia de Natal parecem ir e vir num piscar de olhos. Depois de tanta expectativa, podemos sentir como se nos restasse pouco mais do que fitas e embrulhos, limpeza e devoluções. Por que o Natal tem que chegar e passar tão rápido?!

O pastor e teólogo Sinclair Ferguson olha para trás, para sua juventude, e recorda:“Quando eu era criança, o Natal parecia morrer todos os anos na hora de dormir, no dia 25 de dezembro. A expectativa parecia longa; a percepção, muito breve. Eu até tentei embrulhar meus presentes novamente e abri-los na manhã seguinte.”[1]

Para crianças e adultos, a magia desta época de celebração e comoção nunca dura, porque o dia em si apenas nos aponta para o que C. S. Lewis descreveu como a “magia mais profunda de antes do início dos tempos”.[2]

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Quando a própria mãe de Jesus cantou louvores a Deus enquanto aguardava o nascimento de Cristo, ela proclamou: “Ele encheu de bens os famintos”. Esta sempre foi a experiência do povo de Deus: o salmista cantou sobre como o Senhor “dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta” (Salmo 107.9). Mas esta não é a experiência de todas as pessoas: sempre houve aqueles que “andaram errantes pelo deserto”, de modo que “famintos e sedentos, desfalecia neles a alma” (Salmo 10.4-5). Esta é a nossa condição longe de Cristo: errar sem rumo, “como terra árida, exausta, sem água” (Salmo 63.1). Sem ele, o alívio está fora de alcance, e o consolo e o conforto não são nada mais do que um sonho distante.

Não existe uma pessoa viva que não tenha sentido a pontada de uma expectativa e desejo não atendidos. É simplesmente assim que Deus nos projetou: para ansiar e suspirar por algo maior do que nós mesmos. O problema, claro, é que tentamos satisfazer esses anseios com algo que está bem na nossa frente. Alguns de nós contamos com o Natal para realizar esses desejos toda vez que o calendário muda de novembro para dezembro. Mas o Natal não vai resolver isso. Nossos anseios são mais profundos do que um único dia feliz ou as semanas que o acompanham.

A razão pela qual nem mesmo a alegria da época do Natal pode nos satisfazer é que nós mesmos fomos feitos para o Deus que torna o Natal significativo. Se tentarmos viver e celebrar longe dele — e todos nós conhecemos a tentação de cair no consumismo desta época! — nenhuma quantidade de alegria natalina poderá preencher o vazio que resta. Como Agostinho nos lembrou, Deus nos criou para si mesmo e nossos corações ficam inquietos até que possam encontrar descanso nele.[3]

A boa notícia é que Deus é especialista em mudar corações, oferecendo uma nova vida ao seu povo. Ele ilumina nossas mentes com a verdade do Evangelho (2 Coríntios 4.4-6). Não precisamos mais tentar e trabalhar para sermos aceitos por Deus de alguma forma, porque há em Cristo uma justiça que nos é creditada pela fé nele (Romanos 3.22). Ele liberta nossos corações da escravidão do pecado. Ele purifica nossos afetos desordenados e então nos motiva e nos capacita a viver na luz da verdade de sua Palavra, a descobrir que sua lei é, em Cristo, um caminho para a liberdade e a alegria, e não uma restrição.

Em outras palavras, Deus trabalha de tal maneira que começamos a amar o que ele ama. Tudo isso vem da cirurgia cardíaca divina, quando o Todo-Poderoso cumpre sua promessa: “Tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36.26).

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Segundo o cântico de Maria, num ato de ironia divina, enquanto Deus “encheu de bens os famintos… despediu os ricos de mãos vazias”, aqueles que não têm consciência da necessidade, que são complacentes e insistem: “Eu não estou com fome”, Deus os manda embora. Mas a todos os que admitem sua necessidade, que sentem sua fome, Jesus declara: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (João 6.35).

O grande dia já passou. Todo aquele trabalho de preparação durante dezembro (ou, talvez, desde setembro!) chegou ao seu ápice. Em breve, as luzes das casas serão apagadas, a árvore será guardada e janeiro chegará. E tudo isso está bem, pois não vivemos para o Natal, mas para aquele que nasceu no Natal. O maravilhoso de ser seu seguidor é que o que há de mais maravilhoso no dia de Natal permanece verdadeiro todos os dias. Jesus é o seu Emanuel. Jesus é aquele que lhe dá tudo o que você precisa — aquele que cumpriu todas as promessas de Deus e preenche plenamente cada um de seus seguidores. Então, com o dia de Natal ficando para trás e um novo ano prestes a amanhecer, talvez hoje seja um dia perfeito para dizer ao seu Emanuel: “Jesus, o Senhor é o único que pode preencher meu coração. Acima de tudo — mais do que os presentes e a comida desta época, mais do que as coisas que pretendo fazer e ser no ano que vem — quero que a sua alegria venha me encher e fortalecer.” Peça a Ele com fé, e Ele certamente o fará.


O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.

[1] Sinclair B. Ferguson, Child in the Manger: The True Meaning of Christmas (Carlisle, Pennsylvania: Banner of Truth, 2015), p. 41.

[2] C. S. Lewis, The Lion, the Witch and the Wardrobe (1950), Capítulo 15.

[3] Agostinho, Confissões, 1.1.1

Por: Alistair Begg. © Truth For Life. Website: truthforlife.org. Traduzido com permissão. Fonte: O Salvador chegou! | Todos os direitos reservados. Tradução: João Costa. Revisão e edição por Vinicius Lima.

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