Dia 22 – O berço e a cruz (1João 4.10)

O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento

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“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4.10)

Por que tantos de nós aguardamos o Natal todos os anos com tanta alegria? Para o crente, a resposta certamente deve estar, acima de tudo, na consciência de que Jesus Cristo veio para tirar os nossos pecados. Se dissermos que Deus demonstrou seu amor por nós na encarnação, isso é exato, mas não é tudo. João não escreveu “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho”, apenas para concluir sua frase; ele continuou lembrando-nos de que Deus “enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. Jesus foi enviado a este mundo para morrer, não apenas para viver — para ir para a cruz, não apenas para deitar na manjedoura. Apoiando-nos no antigo hino “Ó amor que não me deixarás ir” como nosso guia, vamos considerar três conclusões deste versículo bíblico curto, mas teologicamente significativo.[1]

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O amor de Deus por nós é, antes de tudo, um amor que toma iniciativa e não nos deixa ir. É algo que nos é graciosamente revelado e descoberto por nós. É um mistério mesmo. Não é algo que podemos criar sozinhos. Não é que fomos enviados ao mundo para tentar interagir com a divindade; não, ao contrário, algo muito mais maravilhoso aconteceu. João diz que isso é amor, pois Deus tomou a iniciativa em Cristo. E Deus então nos convida a aceitar seu dom gratuito de salvação.

No livro de Judas, há uma justaposição incrível entre uma exortação para “manter-se no amor de Deus” e um lembrete maravilhoso de que Deus “os guardará de tropeçar e… os apresentará irrepreensíveis diante da sua glória, com grande alegria” (Judas 21, 24). É um lembrete de que um relacionamento amoroso envolve ambos. Se Deus é seu amigo e o abraçou, então ele não o deixará ir. Mas mesmo o abraço mais amoroso é desconfortável se uma das partes estiver lutando contra ele, tentando constantemente se afastar.

Jesus, em certa ocasião, disse sobre seus seguidores: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10.28). E poderíamos acrescentar que não somos fortes o suficiente para escapar de sua mão quando ele decidiu nos segurar até o fim. Seu amor não nos deixará ir; foi esse amor que levou o velho fazendeiro escocês a orar diariamente: “Querido Senhor, cuida de mim.”

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Em segundo lugar, Deus faz brilhar uma “luz que acompanha todo o meu caminho”. Muito nas Escrituras tem a ver com luz e escuridão. O apóstolo Paulo descreve clara e incisivamente os cristãos usando a imagem da luz e da escuridão: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor” (Efésios 5.8). Ele não diz: “Outrora, vocês viviam nas trevas”; mas: “vocês eram trevas”. Esse é um julgamento e tanto. Por natureza somos escuridão, por isso precisamos que Deus brilhe em nossa escuridão, que nos mostre a extensão de nossa depravação e que nos inunde com sua luz vivificante. E quando esse holofote brilhar, nos tornaremos testemunhos vivos da profecia de Isaías que estudamos algumas semanas atrás: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz; aqueles que habitavam numa terra de densas trevas, sobre eles a luz brilhou” (Isaías 9.2). E, como consideramos no dia 7 de dezembro, o próprio Jesus é “a luz dos homens” e aquele que “brilha nas trevas”, para que “quem o segue não ande nas trevas, mas tenha a luz da vida” (João 1.4-5; 8.12).

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Em terceiro e último lugar, somente Deus concede alegria duradoura que pode “me buscar através da dor”. Um dos verdadeiros desafios da comercialização do Natal é que há muitas tentações e incentivos para tentar esconder qualquer sentimento de dor, decepção, arrependimento ou tristeza. Achamos que podemos deixar tudo de lado por enquanto e apenas comer um pouco mais de panetone, tocar alguma música festiva, saborear mais algumas guloseimas ou dançar uma canção de Natal favorita. Dizem-nos que esta é uma época de alegria, sem que nos lembremos de onde essa alegria pode ser encontrada. O problema é que não existe forma de escapismo fácil que possa lidar com a dor que todos nós enfrentamos em algum momento da vida. Há uma razão pela qual Jesus foi “homem de dores e que sabe o que é padecer” — porque esse é o jeito deste mundo caído (Isaías 53.3).Mas essa não foi a única razão, pois foi também para que ele pudesse suportar nossas tristezas e sofrimentos, ao carregar nossos pecados, para que pudéssemos conhecer a alegria eterna.

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É por isso que, repetidamente, notamos que o Natal e a Páscoa — o berço e a cruz — não podem ser compreendidos da maneira correta separadamente. Deus demonstrou seu amor por nós não simplesmente enviando Jesus como um bebê em Belém para que ele pudesse crescer e nos mostrar como viver uma vida boa; ao contrário: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).

As pressões e a correria da época do Natal muitas vezes trazem à tona o que há de pior em nós. Raro é o homem ou a mulher que diria que não lutou contra a inveja, o engano ou a raiva e não falou palavras amargas, impacientes ou impuras durante dezembro! Mas a Palavra de Deus vem a nós e nos lembra que esta é a razão do Natal: que Jesus nasceu para que pudesse morrer. Aqui está a boa notícia: nisto está o amor: que Cristo apareceu neste mundo para tirar todo e qualquer pecado de vocês. Então hoje, agarre-se a esta mensagem de amor, luz e alegria com renovada gratidão. E que estas palavras sejam o ponto alto da sua época de Natal: “Ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”.

Para reflexão:

  • Como você pode ter certeza de que lembrará desse versículo todos os dias durante o resto de dezembro?

Ó amor, que não me deixarás ir,

Eu descanso minha alma em ti;

Eu devolvo a vida que te devo,

Para que em teus profundos mares, seu fluir

A faça mais rica, mais plena.

Ó luz, que me segues por todo o meu caminho,

Eu entrego meu fôlego vacilante a ti;

Que meu coração possa ser transformado,

Para que, no brilho do seu sol, seu dia

Possa ser mais belo e mais iluminado.

Ó alegria, que me procuras em meio a dor,

Eu não posso fechar meu coração para ti;

Eu sigo o arco-íris através da chuva,

E sinto que a promessa não é vã,

E que a manhã será sem lágrimas.

Ó cruz, que levanta minha cabeça,

Eu não ouso pedir para fugir de ti;

Eu derramo a glória morta da vida,

E, desse chão, irá florescer

A vida que será eterna.

“Ó amor, que não me deixarás ir”
George Matheson


O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.

[1] George Matheson, “O Love That Wilt Not Let Me Go” (1882).

Por: Alistair Begg. © Truth For Life. Website: truthforlife.org. Traduzido com permissão. Fonte: O Salvador chegou! | Todos os direitos reservados. Tradução: João Costa. Revisão e edição por Vinicius Lima.

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