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Dia 1 – A Palavra no princípio (Gênesis 1.1)
O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento
“No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1.1)
Quando pensamos em Jesus, é inevitável que certas imagens venham à mente — especialmente durante a época do Natal. Parece que já passamos da época em que a maioria das representações ocidentais dele apresentava um Jesus de cabelos loiros, com arrebatadores olhos azuis, segurando um cordeirinho nas mãos enquanto passeava por uma terra feliz onde fluem rios pacíficos. Mas, embora possamos ter abandonado a ideia de um Jesus de olhos azuis e cabelos loiros, ainda pode ser que a maioria de nossas imagens mentais deva mais à liberdade artística do que à teologia bíblica.
É impressionante que nenhum dos escritores do Novo Testamento — nem o próprio Deus, que inspirou as palavras dos escritores — achou importante descrever a aparência de Jesus. Tudo o que sabemos é que ele “não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse” (Is 53.2). Por que essa descrição está ausente de maneira tão notável? Bem, talvez uma das principais razões seja que todo retrato humano de Jesus perde o que o Pai deseja que saibamos sobre seu Filho. Mesmo as maiores pinturas e produções cinematográficas não nos permitirão conceber Jesus da maneira impressionante como ele é apresentado a nós no Evangelho de João, onde somos convidados a não nos perguntar sobre como ele poderia ter sido, mas a nos maravilhar com sua eternidade, personalidade e divindade: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.1-3)
Não importa o quão longe consideremos o início dos tempos e não importa o modelo que possamos ter em nossas mentes de como o tempo começou, lá encontraremos o Filho de Deus pré-encarnado já existente. “No princípio”, já havia Deus — e já havia Deus Filho, o “Verbo”. João conecta os pontos a Gênesis 1 para nós. Este Jesus não foi criado, pois ele é o próprio criador do universo. A criança na manjedoura era a mesma pessoa que colocou as estrelas no céu — incluindo a própria estrela que levou os magos do Oriente a vir e adorá-lo.
Em sua eternidade, esta Palavra, Jesus, é distinta do Pai e do Espírito, não em essência, mas em pessoa. Ele “estava com Deus”, mas “era Deus”. Ambas as afirmações são verdadeiras. Embora possa parecer intrigante, João não estava escrevendo em abstrações. Ele estava apresentando uma pessoa com quem riu, chorou, ceou, orou, serviu, viajou e muito mais — contudo, uma pessoa que também estava presente na criação do mundo, como o Criador do mundo.
Isso está um pouco obscurecido em nossas traduções, mas o uso dos tempos verbais por João é magistral. Ele usa o tempo imperfeito (indicando uma ação contínua) ao descrever a localização preexistente do Filho: Ele “estava com Deus e… era Deus”. Mas então ele muda para o tempo aoristo (indicando um momento decisivo no tempo) quando diz: “E o Verbo se fez carne.” (João 1.14)
Houve um momento, há mais de dois mil anos, quando a segunda pessoa da Trindade, Jesus, que existia antes do início dos tempos, foi entregue a este mundo como bilhões de outros bebês. Isso é o que chamamos de primeiro Advento de Cristo e o que milhões celebram a cada Natal. Houve um momento em que ele obedientemente abriu mão de sua vida para suportar a penalidade de nossos pecados. Houve um momento em que seu corpo morto voltou à vida. Houve um momento em que seu corpo ressuscitado ascendeu ao céu. E haverá um momento em que esse mesmo Jesus voltará para fazer novas todas as coisas.
Sendo assim, a divindade de Cristo não tem ponto de partida no tempo. Ele sempre foi. Ele era Deus antes do início dos tempos. Ele é Deus neste exato momento. E ele continuará a ser Deus para sempre.
Para ser honesto, acho fácil cair na armadilha de passar cada época do Advento tão ocupado com os preparativos ao ponto de não me debruçar sobre a verdade de que o Criador se tornou um homem e viveu neste mundo. Talvez você enfrente isso também. Há uma maneira melhor — não apenas durante o mês de dezembro, mas todos os dias: “Somos chamados a adorá-lo sem cessar, obedecê-lo sem hesitação, amá-lo sem reservas e servi-lo sem interrupção.”[1] Na medida em que garantirmos que paramos para olhar com os olhos da fé para o Verbo que se fez carne, nos sentiremos movidos a adorar, obedecer, amar e servir ao Senhor.
O Natal ganha vida quando reservamos tempo para pensar no Senhor Jesus. Lembre-se, sua aparência física não importava nem um pouco — mas, ao mesmo tempo, aproveite o fato de que ele apareceu fisicamente, naquele primeiro Natal, para ser nossa grande esperança na vida e na morte.
Para reflexão:
- Como as verdades sobre a divindade e a humanidade de Jesus o levam a adorá-lo agora?
Antes que estendessem os céus azuis,
Desde a eternidade era a Palavra, Jesus;
Com Deus ele estava, o Verbo era Deus,
E deve ser divinamente adorado pelos seus.Por seu próprio poder todas as coisas foram feitas;
Por ele são sustentadas de maneira perfeita;
Ele é a cabeça de toda a criação,
e sob seu comando os anjos voam.Eis que ele deixa essas formas celestiais;
O Verbo desce e habita em barro,
Para que possa estar entre reles mortais,
Tão fraco quanto eles, se fez encarnado.Os homens com alegria contemplaram a ti,
O Filho unigênito do Pai eterno, Deus:
Quão cheio de graça, quão cheio de verdade,
O brilho da Divindade resplandeceu!Os anjos deixam sua alta morada,
Para contar a verdade que foi revelada
O amor do nosso Deus desceu do céu,
As glórias de Emanuel.
“A Divindade e a Humanidade de Cristo”
Isaac Watts
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.
[1] Bruce Milne, The Message of John: Here Is Your King! The Bible Speaks Today (Lisle, Illinois: InterVarsity Press Academic, 1993), p. 36.


