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Dia 10 – Pequena vila de Belém (Miquéias 5.2, 4-5)
O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento
“E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade (…) Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra. Este será a nossa paz.” (Miquéias 5.2,4-5)
Setenta anos atrás, o pastor e tradutor da Bíblia J.B. Phillips fez uma série de palestras que mais tarde se tornaram um livro. Em uma delas, ele fez esta observação:
Enfrentamos hoje um mundo dilacerado e dividido. A angústia das nações é tão generalizada, os problemas enfrentados por todo cristão ponderado são tão complexos, que acho que podemos ser perdoados se nosso coração às vezes nos desanimar… Mas, para nosso consolo, podemos nos lembrar de que as tensões e os sofrimentos mundiais só nos parecem mais avassaladores do que eram para nossos antepassados porque estamos muito mais bem informados sobre eles em função dos meios modernos de transmissão de notícias do que jamais poderiam estar.[1]
Phillips estava se referindo à tecnologia como transmissões de noticiários radiofônicos. Você pode imaginar como ele lidaria com coisas como mídias sociais, smartphones e canais de notícias 24 horas? Nunca foi tão fácil se manter informado. De certa forma, isso é uma bênção; de outras maneiras, é algo opressor e um indutor de ansiedade. Cada avanço tecnológico vem com a promessa de unir as pessoas — e, no entanto, em todas as gerações, as pessoas ainda acham a paz ilusória, mesmo que anseiem por ela.
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A geração de Miquéias não foi diferente. O povo ansiava pela paz. Quase sete séculos antes do primeiro advento de Cristo, estrangeiros haviam sitiado Jerusalém, e o povo da cidade mal conseguia se defender. Eles eram um povo subjugado, incapaz de reunir tropas suficientes para lutar contra o inimigo. O cenário deles era uma desgraça absoluta.
Deve ter sido um tempo muito confuso para o povo de Deus. Eles deveriam ser um povo escolhido, separado para Deus, os portadores de sua grande promessa de abençoar e restaurar o mundo, mas agora parecia que tudo isso estava prestes a ser destruído. Eles provavelmente teriam pensado consigo mesmos: Onde estão as promessas de Deus? Será que algum dia encontraremos a paz novamente?
A resposta não foi o que eles esperavam.
Miquéias anunciou que a esperança estava chegando; mas a surpresa era de onde vinha essa esperança. O governante prometido, que reverteria as derrotas, curaria as divisões e traria paz, não viria de Jerusalém, mas de Belém.
Jerusalém era a cidade real, a localização do templo e o principal foco geográfico do povo de Deus. Belém, por outro lado, não estaria no radar de ninguém. Era “pequena demais para figurar como o grupo de milhares de Judá”. Não teria entrado na lista das cem melhores cidades, muito menos das dez melhores. No entanto, o significado de Belém é encontrado em sua insignificância.
Pensando no resto da história da Bíblia, percebemos que isso faz todo o sentido. É assim que Deus trabalha! Quando Golias zombou do povo de Israel, os soldados fortes e corajosos de Israel fugiram. Em vez disso, Deus usou um pequeno e insignificante menino pastor — vindo de Belém, em vez de qualquer outra cidade! — com cinco pedras e uma funda para libertar o povo de Deus. Esse é o método de Deus.
Miquéias anunciou mais uma vez um Pastor-Rei que viria da pequena cidade de Belém. Ele ficaria no lugar de autoridade, pastorearia seu rebanho na força do Deus vivo e concederia segurança àqueles que confiam nele. Miquéias profetizou que nele o povo de Deus finalmente encontraria paz duradoura.
Esta não é uma mensagem que qualquer um que queira ser aceito e crido pelas massas jamais inventaria! No entanto, foi a partir deste lugar insignificante que o Messias veio governar. Aquele que estava deitado em uma manjedoura em Belém era aquele com um reino sem fim que supera todos os outros reinos. O nascimento daquele por meio de quem todas as coisas foram feitas foi anunciado a alguns pastores insignificantes, em vez das elites culturais.
Reconhecer o padrão dos caminhos de Deus nos dias antigos nos permite reconhecer que esse é exatamente o tipo de coisa que devemos esperar no primeiro Natal, pois é assim que Deus trabalha: nos lugares tranquilos, nos lugares esquecidos e por meio daqueles que são fracos e inexpressivos. Ele nos prepara para a realidade de que aquele sobre quem todas as promessas de Deus repousavam morreria uma morte humilhante na cruz. Isso nos lembra que esse é e sempre foi o método de Deus. E isso muda a maneira como olhamos para nossas próprias vidas.
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Eu tenho um pequeno livreto chamado Five Minutes’ Peace.[2] Ele conta a história de uma mãe elefante que só quer cinco minutos de paz longe de seus filhos — mas assim que ela tenta obter paz, tudo fica mais caótico. Isso é certamente algo com o qual toda mãe pode se identificar! Em meio ao caos, ansiamos por alguns momentos de descanso, mas muitas vezes parece inatingível. Olhe ao seu redor e você verá que a verdadeira paz parece estar virtualmente ausente, de maneira global, nacional, local e pessoal. Mesmo apenas cinco minutos de paz estão além de nós e do nosso mundo — muito menos uma paz duradoura.
Sua vida neste Natal é marcada de uma forma ou de outra por relacionamentos fragmentados, dificuldades financeiras, perdas pessoais ou outras decepções? Se assim for, aqui está uma boa notícia para você: em Jesus, o Messias que nasceu na pequena cidade de Belém, você encontrará uma paz genuína e duradoura. Essa paz está em primeiro lugar com o próprio Deus, depois com nós mesmos e dentro de nossos relacionamentos e comunidades, à medida que aprendemos a refletir o Deus da paz na maneira como abordamos tensões, dificuldades e conflitos.
Deus está trabalhando, muitas vezes de maneiras invisíveis para a maioria e não relatadas em canais midiáticos — assim como nos dias de Miquéias e nos dias de Jesus. Mas este é um mundo no qual o Messias, o Príncipe da Paz, veio para trazer essa paz sobrenatural e eterna a todos os que confiam nele. Independente de tudo o que enfrentar, você pode desfrutar da paz com o Criador, pois ele morreu para conquistá-la para você. Ao saber que está em paz com o único cuja opinião importa eternamente, você estará livre, pela graça de Deus, para buscar viver em paz.
Para reflexão:
- Há algum relacionamento em que você possa buscar promover a paz hoje, fortalecido pelo fato de saber que já está em paz com Deus?
- A verdade de que Deus opera nos lugares silenciosos e esquecidos, por meio daqueles que são fracos e inexpressivos, é algo que anima ou humilha você?
Pequena vila de Belém, repousa em teu dormir
Enquanto os astros lá no céu estão a refulgir
Porém nas tuas trevas resplende a eterna luz
Incomparável, divinal: Nasceu o bom Jesus
Vós, anjos, dai real louvor ao Pai, eterno Deus
E ao mundo inteiro anunciai as novas lá dos céus
Estrelas matutinas, em hinos de louvor
Aos anjos e homens proclamai de Deus o eterno amor
O dom glorioso, divinal, nenhum alarde faz
Por Cristo aos homens nosso Deus concede graça e paz
Sereno e muito humilde, vem Ele ao mundo, assim
Trazendo a todos redenção, mostrando amor sem fim
Habita em nossos corações, infante e Rei Jesus
Pois desejamos contemplar visões da Tua luz
Nos céus proclamam anjos o amor do Deus fiel
Oh, vem, Senhor, em nós morar, eterno Emanuel!
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.
[1] J. B. Phillips, Making Men Whole (Eugene, Oregon: Wipf & Stock Publishers, 2012), p 13.
[2] Jill Murphy, Five Minutes’ Peace (Londres: Walker, 1986).


