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Dia 14 – Uma história sobrenatural (Lucas 2.1-6)
O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento
“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias.” (Lucas 2.1-6)
No primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, assim que o autor se apresenta como um historiador detalhista, somos imediatamente conduzidos a um ambiente repleto de ocorrências sobrenaturais. A história do nascimento de Jesus é repleta de anjos, previsões e milagres — e quando Lucas relata esses eventos, ele não os apresenta como histórias imaginativas ou especulações poéticas, mas como eventos reais: como história.
Hoje em dia, está na moda buscar a verdade, mas é um tabu dizer que a encontramos. Nossa cultura nos faz acreditar que, embora seja aceitável oferecer um conceito ou uma ideia, não devemos dizer que temos certeza. Lucas era diferente. Ele não estava satisfeito com nada menos do que saber com certeza — para si mesmo e para os outros.
É por isso que, em meio aos acontecimentos sobrenaturais, Lucas nos fornece observações políticas, sociais, geográficas e históricas. Elas podem parecer bem banais, mas todas são importantes. Estamos vendo que todos esses eventos ocorreram em tempo histórico real. Embora as pessoas naquela época não tivessem Google ou mídias sociais, elas saberiam quem havia servido como governador e quando. Eles poderiam ter ido ao arquivo público e procurado o nome de José. O escritor do Evangelho não estava fornecendo uma filosofia, uma ideia ou mesmo uma religião. Lucas, com cada palavra e cada detalhe, deixou bem claro que a história de Jesus não existe em um vácuo.
Os historiadores do primeiro e segundo séculos não tinham dúvidas quanto à realidade de Jesus. Tácito, um historiador romano que escreveu no início do século II, não tinha interesse em apoiar as alegações de Cristo, mas estava absolutamente convencido de que Jesus não era mitológico.[1] Josefo, um historiador judeu que escreveu em 93 d.C., afirmou o fato de que a vida, a morte e a ressurreição de Jesus foram proclamadas por seus seguidores.[2]
A questão é esta: quando lemos que Maria colocou seu filho primogênito em uma manjedoura, ela de fato fez isso. Quando lemos que o menino que ela deu à luz foi concebido pelo poder do Espírito Santo, ele realmente foi concebido assim. Esses elementos sobrenaturais são uma parte intrínseca do relato do Evangelho, e a inclusão dos detalhes históricos por Lucas serve para enfatizar sua afirmação de que seu Evangelho pertence à seção de história, não à estante de ficção.
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Em toda época de Natal, aparecem artigos em jornais e revistas que removem o elemento milagroso e prometem revelar a história “real” do primeiro Natal. Mas isso é impossível. Sem o sobrenatural, não há Natal e não há Evangelho. A história do Evangelho de Lucas é sobrenatural em sua totalidade, e não apenas em seu começo, porque é a história do Criador do universo entrando no tempo, revelando-se como Salvador e Rei. Certamente seria mais bizarro se o Deus Todo-Poderoso não entrasse e saísse do mundo de maneiras totalmente sobrenaturais que fariam meros mortais coçarem a cabeça de espanto! De fato, em cada um dos incidentes sobrenaturais registrados por Lucas, encontramos pessoas fiéis que refletiram nas Escrituras e estavam ansiosamente esperando que Deus irrompesse em seu ambiente de uma forma que nunca havia acontecido antes e nunca mais aconteceria. Quando Deus veio, essas eram as pessoas que estavam prontas para que em sua vinda fizesse o que somente ele poderia fazer; essas eram as pessoas que responderam cheias de fé e admiração, com jubiloso maravilhamento.
O cristianismo é, em última análise, sem sentido sem a intervenção milagrosa e onipotente de Deus no tempo. Deus veio ao nosso encontro e ele não veio às bibliotecas ou salas de aula — àqueles que descobrem o que é humanamente possível ou plausível. Ele também não chegou aos corredores do poder político ou ao palácio do Imperador Augusto. Ele veio nos encontrar em um estábulo em Belém. Ele veio ao nosso encontro numa cruz romana no Calvário. E, mesmo agora, ele nos encontra por meio do seu Espírito Santo. Ele trabalha de maneiras que não podemos explicar nem prever. Como consideramos há dois dias, o Natal nos mostra que Deus está envolvido de maneira sobrenatural em seu mundo. Vale a pena repetir isso porque vai contra a essência da nossa cultura, que tende a negar o sobrenatural e a condenar qualquer um que tenha certeza sobre o que é transcendente. Mas tanto a concepção virginal quanto a ressurreição do túmulo nos falam da realidade da atividade inexplicável de Deus e da possibilidade de certeza sobre quem ele é e o que ele fez. Na verdade, o orgulho não está em alguém que tem certeza sobre o que não viu e que se baseia no testemunho da Palavra de Deus; o orgulho está em alguém que se recusa a permitir que Deus interfira em sua Criação, com base na incompreensão de sua própria mente sobre como ele fez isso.
O tempo do Advento é um momento maravilhoso para considerar o mistério da obra de Deus na história. Ao fazer isso, nossos corações serão novamente tomados pelo amor sobrenatural do Deus trino por nós, e nossos olhos estarão preparados para ver maneiras surpreendentes nas quais Deus está trabalhando dentro e ao redor de nós — maneiras que não podemos explicar e não previmos, mas amamos desfrutar delas e louvá-lo por elas.
Para reflexão:
- Você corre algum risco de viver como se Deus não estivesse agindo sobrenaturalmente hoje?
- Que diferença você acha que faria em suas orações, suas decisões e sua visão cotidiana se lembrasse de que Deus continua trabalhando em seu mundo?
Longe numa manjedoura, sem berço ele deitou,
O pequeno Senhor Jesus ali repousou;
As estrelas no céu olhavam para ele, tão tenro,
O pequeno Senhor Jesus dormindo ali no feno.O gado muge, o bebê acorda,
Mas o pequeno Senhor Jesus não chora.
Eu te amo, Senhor Jesus, do céu a me olhar
E fique ao meu lado até o sol raiar.Esteja perto de mim, Senhor Jesus; te peço
Fique sempre perto de mim e me ame, te suplico.
Abençoe os pequeninos que carecem de cuidado,
E nos prepare para o céu, onde tu estás exaltado.
“Longe numa manjedoura”
Anônimo
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.
[1] Tácito, Anais, 15.44.
[2] Josefo, A História dos Hebreus, 18.3.3.


