Dia 17 – Uma luz na escuridão (João 1.5)

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“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (João 1.5)

Em sua transmissão de Natal de 1939 para a nação britânica, o rei George VI leu o preâmbulo de um poema de Minnie Louise Haskins:

Eu disse ao homem que estava junto ao portão de entrada do ano:

“Dê-me luz para que eu caminhe em segurança rumo ao desconhecido.”

E ele respondeu: “Vá para a escuridão e coloque sua mão na Mão de Deus.

Isso será para você melhor que a luz e mais seguro que um caminho conhecido.”[1]

Embora essas palavras tenham sido obviamente e particularmente significativas para o rei e seus súditos em meio a uma guerra crescente com a Alemanha, elas encontrarão eco nos corações e mentes de homens e mulheres de hoje, pois vivemos em uma época de grande incerteza e ansiedade.

E é quando consideramos a escuridão deste mundo que estamos mais prontos para celebrar a mensagem central da época do Natal: a verdadeira luz veio ao mundo (João 1.9). E a luz não é uma filosofia. Não é uma ideologia política. Não é um sentimento ou um conceito. A luz é uma pessoa: Jesus Cristo. Jesus veio para iluminar nosso caminho, nos guiando para fora de um mundo de morte e para uma vida com ele.

Jesus é a luz pela qual podemos enxergar muito melhor do que por meio de qualquer luz que este mundo possa oferecer. Ou, para usar a metáfora de Haskins, ele é a mão de Deus estendida a nós. Como, então, podemos viver pela sua luz em um mundo de escuridão?

~

Não é normal que ladrões gritem no meio da escuridão do quintal: “Com licença, você poderia ligar as luzes? Estou tentando roubar a sua casa!” Eles são ladrões! Eles fazem seu trabalho no escuro. A pior coisa que pode acontecer a eles seria as luzes se acenderem e revelá-los. Da mesma forma, a Bíblia diz que, longe de Cristo, estamos nas trevas. Não podemos ver a verdade. Não podemos discernir o que é bom. Não podemos ver o pecado como ele é, nem resistir a fazer o que é errado. O fato é que nossa sociedade está tão acostumada à escuridão que muitas vezes nem percebemos que as luzes estão apagadas. Como escreveu C.S. Lewis, o grande mal é frequentemente “concebido e ordenado… em escritórios limpos, acarpetados, aquecidos e bem iluminados, por homens discretos, de colarinho branco, unhas cortadas e rostos bem barbeados, que não precisam levantar a voz”.[2] Se formos capazes de ver a escuridão, perceberemos que ela não está presente apenas nas coisas obviamente ruins que acontecem. Ela está dentro dos nossos corações. É a disposição natural que diz: “Eu mando na minha própria vida.” E está profundamente enraizada em todos — mesmo nas pessoas mais “honestas”.

No primeiro Natal, quando a luz veio e brilhou em um mundo em trevas, ficou claro o quão escuras as coisas estavam. Herodes odiava a ideia de ter um rei sobre ele porque queria estar no trono, por isso matou crianças para resistir a Jesus. Mais tarde nos Evangelhos, os fariseus rejeitaram o Messias porque eles tinham sua própria maneira de garantir a salvação, e então mataram o próprio Jesus. E dois mil anos depois, ainda querendo ter a palavra final sobre nossas próprias vidas, ainda querendo ser os heróis da nossa história, nós também, por natureza, escolhemos viver na escuridão, apesar de toda a incerteza e caos que ela traz. Nós rejeitamos a mão que nos tirará da escuridão e nos levará para a luz.

Mas a escuridão não vence a luz.

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A obra do Espírito de Deus é entrar em nossas vidas e dizer: Aqui está escuro. Por natureza, não percebemos que está escuro. No geral, achamos que está tudo bem, porque é tudo o que conhecemos. Mas quando percebemos que está escuro, podemos buscar uma luz. E luz é o que Jesus trouxe e o que o Espírito traz (2 Coríntios 3.17-18; 4.4).

A mensagem de Natal é fundamentalmente esperançosa. Mas se deve ser esperançoso para nós, deve ser mais do que sentimental. A esperança gira em torno do cerne da verdade. Se nos apegarmos à esperança enquanto olhamos para o próximo ano, nossos próprios propósitos para nossas vidas não nos farão muito bem. Não podemos tornar nada verdadeiro acreditando nisso e não podemos tornar nada certo querendo isso. Se quisermos manter a esperança, precisamos ouvir a voz falando em nossos corações e dizendo: Aqui está escuro e nos apontando para “a verdadeira luz”, que veio ao mundo.

Então, faça uma pausa agora. O Espírito de Deus está dizendo sobre uma área da sua vida: Aqui está escuro. Você precisa andar na luz; você precisa deixar Jesus guiá-lo. Ou talvez esteja olhando para o que o próximo ano pode em termos de ansiedade e medo, e o Espírito de Deus está lhe dizendo: Coloque sua mão na mão de Jesus e confie que ele o guiará. Jesus veio ao mundo para nos transformar, guiando-nos para fora da escuridão da falsidade egoísta e para a luz do verdadeiro propósito de Deus: através de muitos perigos, esforços e armadilhas, para a luz gloriosa da presença eterna de Deus. É quando você “coloca sua mão na Mão de Deus” que ele provará ser melhor do que o melhor que este mundo tem a oferecer. Tenha certeza de que a luz que nasceu no Natal ainda brilha na escuridão, escuridão que jamais poderá vencê-la.

Para reflexão:

  • Ao refletir sobre o parágrafo anterior, o que o Espírito de Deus pode estar lhe dizendo agora?

 

Eis dos anjos, a harmonia
Cantam glória ao Rei Jesus
Paz aos homens! Que alegria!
Paz com Deus em plena luz
Ouçam, povos exultantes
Ergam hinos triunfantes
Aclamando o seu Senhor
Nasce Cristo, o Redentor
Toda a Terra e os altos céus
Cantem sempre glória a Deus!

Cristo, eternamente honrado
Do seu trono se ausentou
E entre nós foi humanado
Deus conosco se mostrou
Que gloriosa divindade!
Que sublime humanidade!
Salve, glória de Israel
Luz do mundo, Emanuel!
Toda a Terra e os altos céus
 Cantem sempre glória a Deus!

Cante o povo resgatado
Glória a Deus, Senhor da paz
Pois, em Cristo revelado
Vida e luz ao mundo traz
Nasce, a fim de renascermos
Vive, para revivermos
Rei, profeta e salvador!
Louvem todos, o Senhor!
Toda a Terra e os altos céus
Cantem sempre glória a Deus!

“Eis dos Anjos, a Harmonia”
 Charles Wesley


O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.


[1] Minnie Louise Haskins, “God Knows” (1912).

[2] C. S. Lewis, prefácio de The Screwtape Letters (1961).

Por: Alistair Begg. © Truth For Life. Website: truthforlife.org. Traduzido com permissão. Fonte: O Salvador chegou! | Todos os direitos reservados. Tradução: João Costa. Revisão e edição por Vinicius Lima.

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