Um blog do Ministério Fiel
Dia 19 – O dom da adoção (Gálatas 4.4-7)
O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento
“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus.” (Gálatas 4.4-7)
De maneira bem literal, o Natal é tudo sobre família. Mas não principalmente sobre nossas famílias humanas, por mais maravilhoso que seja relembrar as reuniões alegres ao redor da árvore ou da mesa nos natais passados, ou ansiar por estar na mesma sala com vários membros da família neste ano. Não, o Natal é sobre a família de Deus. Todo o propósito de Deus ao enviar seu Filho “a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.
~
Como vimos, Jesus se destaca entre todas as outras figuras da religião, da história e da humanidade porque somente ele possui as qualificações para ser o Salvador do nosso mundo. Sua vinda não é considerada pelo apóstolo Paulo como uma intervenção acidental; ela foi um compromisso divino. Quando Paulo diz que “Deus enviou seu Filho”, é um lembrete de que Jesus foi enviado de um estado de existência anterior. A vida de Jesus não começou quando ele “nasceu de uma mulher” como uma criança em Belém; ele é, foi e sempre será. O tempo não pode contê-lo. Sem deixar de ser o que era — ou seja, Deus — ele se tornou o que não era — ou seja, um homem.
Ele “nasceu sob a lei”, devendo ao Pai plena e perfeita obediência — o que ele, único entre a grande massa da humanidade ao longo dos tempos, conseguiu alcançar. E morreu em nosso lugar, para nos redimir. Se Deus quisesse salvar, então o Salvador deveria ser Deus. Se o homem deve suportar o castigo porque pecou, então o Salvador deve ser um homem. Se o homem que suporta a punição do pecado deve ser sem pecado, então quem além de Jesus Cristo preenche essas qualificações?
Não havia outro suficientemente bom
Para o preço do pecado pagar;
Só ele consegue destrancar o portão
Do céu e deixar-nos entrar.[1]
~
Mas Deus não enviou seu Filho simplesmente para nos salvar, por mais glorioso que isso seja. Ele o enviou para nos salvar para que pudesse nos adotar. Isto é ainda mais glorioso, conforme diz Packer: “A adoção é (…) o maior privilégio que o Evangelho oferece (…) Estar em paz com Deus, o Juiz, é uma grande coisa, mas ser amado e cuidado por Deus Pai é algo ainda maior.”[2]
No mundo romano, homens ricos ou poderosos às vezes adotavam um menino para ser seu herdeiro. O filho adotivo herdaria tudo dos pais adotivos. Ainda hoje, quando uma criança é adotada, toda a sua vida muda: ela ganha um novo nome, uma nova família, um novo lar e, muitas vezes, um modo de vida totalmente novo.
No entanto, embora tal adoção possa ser legalmente oficial, a legalidade pode existir sem que a criança sinta um verdadeiro senso de pertencimento à família. Muitas vezes, leva tempo para que a experiência subjetiva alcance a realidade objetiva. Uma coisa é uma criança vir morar em um lar; outra realidade mais profunda é vivenciar e expressar plenamente a união de uma família — chamar os novos pais de “mamãe” e “papai”.
A mesma coisa se aplica à nossa adoção espiritual quando professamos fé em Jesus Cristo. Embora nossa adoção mude nossa condição, ela não transforma de maneira completa e imediata o nosso caráter. Felizmente, Deus não se contenta com uma simples mudança de nome. Ele quer que saibamos o que significa ser seus filhos e filhas. Sua vontade é que tenhamos a experiência maravilhosa de pensar nele como nosso Pai celestial. Para fazer isso, ele “enviou o Espírito de seu Filho” para viver em nossos corações, permitindo-nos ver nosso relacionamento com ele como o de filho e Pai.
A experiência cristã não é simplesmente uma transação legal. A salvação não é apenas o perdão dos pecados; é também a acolhida da transformação capacitada pelo Espírito. O que Jesus realizou exteriormente na cruz, o Espírito continua interiormente em nossos corações. Somos resgatados, aceitos, adotados e amados. Com essa mudança, podemos esperar devoção, paixão, lágrimas, iluminação, envolvimento e, por fim, louvor.
~
Todos nós tendemos a esquecer nosso novo status como filhos de Deus. Quando o fazemos, o Espírito fica esperando para testificar: Não, você realmente é dele! Você foi comprado pelo maior preço. Você é amado e querido. Quando não fazemos o que Deus quer que façamos — quando nos sentimos feridos, quebrados e desanimados — o Espírito nos ajuda a clamar: Ó Pai, tu podes me ajudar, por favor? Tais apelos devem servir como lembretes da maravilhosa obra consumada de Jesus. “Quando chegou a plenitude dos tempos” ele assumiu a carne para que pudesse ser nosso sacrifício redentor e derramar seu Espírito para viver em nossos corações. Sem Jesus, nossos corações jamais poderiam clamar: “Aba! Pai!” Por causa dele, nossos corações sempre podem fazer esse clamor.
Deus sela nossa adoção como filhos e filhas não por algum sinal ou dom peculiar, mas pelo testemunho persuasivo de seu Espírito. À medida que falamos com Deus em oração, o ouvimos por meio de sua palavra e caminhamos com ele na vida, crescemos na consciência de seu poder e de sua obra dentro de nós. Porque fomos libertos da maldição do pecado e recebemos a bênção da adoção, podemos clamar a Deus, adorando em espírito e em verdade.
Foi por tudo isso que Jesus nasceu no momento certo: Deus enviou seu Filho a este mundo para viver, morrer e ressuscitar, para que você pudesse se tornar seu filho, desfrutando da intimidade e da segurança do relacionamento que Jesus tem com seu Pai. Não importa o que você esteja fazendo hoje, e como esteja se sentindo hoje, você pode saber disso: se você é de Cristo, você é adotado; e se você é adotado, você é amado com um amor divino tão profundo que nem mesmo a eternidade lhe dará tempo suficiente para compreender a profundidade desse amor.
Para reflexão:
- Você já considerou que a adoção divina é a maior maravilha do Evangelho?
- Que diferença faz para o seu coração saber que você tem um Pai celestial, que o ama profundamente e a quem pertence este mundo, na forma como você enxerga o seu dia hoje?
Contemple, em meio à neve invernal,
Nascido para nós em berço terreno,
Contemple o terno Cordeiro pascal,
Prometido desde anos eternos.Ó, manhã sempre com bênçãos!
Ó, feliz amanhecer de redenção!
Cantem por toda Jerusalém,
“Cristo nasceu em Belém.”Eis que dentro de uma manjedoura jaz
Aquele que criou os céus estrelados;
Aquele que nas alturas entronizado está,
Entre os querubins, está assentado!Dizei, santos pastores, dizei,
Quais são as suas boas novas de hoje?
Por que vocês deixaram suas ovelhas
Na íngreme montanha solitária?Enquanto observávamos na calada da noite,
Eis que vimos uma luz, quão grande esplendor;
Anjos cantando, Paz na Terra
Contou-nos sobre o nascimento do Redentor.Sagrado Menino, todo divino,
Que terno amor era o teu,
Assim, para vir da mais alta bem-aventurança
Até um mundo como este!Ó, manhã sempre com bênçãos!
Ó, feliz amanhecer de redenção!
Cantem por toda Jerusalém,
“Cristo nasceu em Belém.”
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.
[1] Cecil Frances Alexander, “There Is a Green Hill Far Away” (1848).
[2] J.I. Packer, Knowing God (InterVarsity Press UK, 2023), p 212, 214.


