Dia 20 – Ele se esvaziou (Filipenses 2.5-8)

O Salvador chegou! | Devocionais para o Advento

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“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo.” (Filipenses 2.5-8)

 

Jesus é eternamente, verdadeiramente e totalmente Deus: “o resplendor da glória de Deus e a expressão exata da sua natureza” — a “forma de Deus” completa e perfeita por toda a eternidade passada (Hebreus 1.3).

Essa realidade torna o que Paulo escreve aqui em Filipenses 2 ainda mais surpreendente.

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Jesus — este divino Filho de Deus pré-encarnado — “não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou”. Em outras palavras, em vez de se apegar à sua própria glória ininterrupta, ele escolheu deixá-la de lado e, embora não tivesse obrigação de fazê-lo, veio ao nosso mundo caído e indefeso — e o fez em nosso favor. Ele se esvaziou, tornando-se servo de sua própria criação. O sinal do Menino Jesus naquele primeiro Natal não foi uma carruagem, mas uma manjedoura; não foi um cetro, mas um estábulo. Ele se tornou tanto um servo terreno quanto havia sido (e é) um soberano celestial. Ao que tudo indica, ele não passava de um simples homem.

O que significa — e o que não significa — dizer que Jesus “se esvaziou”? Bem, isso não pode significar que Jesus deixou de ser Deus, ou desistiu de alguns de seus atributos divinos, porque Mateus nos diz em seu Evangelho que o nascimento de Jesus “aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: ‘Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel’ (que significa, Deus conosco)” (Mateus 1.22-23). Embora ele “tenha se esvaziado”, Jesus ainda era completamente “Deus conosco”! Ele não era alguém que parecia ser Deus conosco; Jesus realmente era Deus conosco.

Então o que Paulo quer dizer? “Esvaziou-se” não é o fim da frase, e as duas palavras seguintes descrevem outro aspecto da mesma ação: Jesus “se esvaziou, assumindo (…)” o “esvaziar” e o “assumindo” estão ligados. Alec Motyer, que foi um estudioso maravilhoso e um bom amigo meu, certa vez sugeriu que é mais útil perguntar: “Em que ele se esvaziou?” do que “Do que ele se esvaziou?” Fazer a pergunta dessa primeira maneira nos permite ver que foi o que o Senhor Jesus tomou para si que o humilhou, não o que ele deixou de lado. Foi ao tomar para si a humanidade que ele se tornou nada.

Agora, nenhum de nós conhece a mente de Deus, e não há nenhuma ilustração ou analogia que possa realmente nos ajudar a compreender o que ele fez, mas pense nisso: se você fosse Deus, nascesse por meio de um parto natural, da maneira como Jesus nasceu, vivesse como um pária, morresse como um estranho, suportasse o abuso e a maldição final da lei… isso soaria muito como se tornar “nada”.

Jesus comeu, bebeu, trabalhou, dormiu, descansou — assim como todo mundo. Contudo, embora ele fosse “semelhante aos homens”, Jesus não era meramente o que aparentava ser. Havia algo mais nele. Ele provou sua humanidade desde seu nascimento até sua morte. Mas ele também provou sua divindade durante aqueles mesmos dias. Pense em como ele pôde controlar o vento e as ondas por meio de sua palavra. Pense em como ele trouxe os mortos de volta à vida.

No coração do Natal está a verdade de que Jesus é totalmente Deus e totalmente homem. E assim devemos evitar dois perigos iguais e opostos. Alguns de nós corremos o risco de deificar Cristo a ponto de não termos mais um Cristo humano. Outros de nós estamos tão preocupados com sua humanidade que podemos perder de vista sua divindade. As Escrituras, no entanto, mantêm ambas em perfeita tensão. E é quando fazemos o mesmo que somos levados a nos maravilhar com esse Deus, que se tornaria “nada” ao se tornar uma criatura — ao assumir um corpo humano.

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Quando o grande teólogo do século V, Agostinho de Hipona, foi questionado: “Quais são os princípios centrais da vida cristã?”. Ele respondeu (e estou parafraseando um pouco): “O número um é a humildade, o número dois é a humildade e o número três é a humildade.”[1] No âmago de Filipenses 2 está um apelo à humildade. O apóstolo Paulo aponta para Cristo encarnado como o ápice da humildade, e então ele essencialmente diz: Sua atitude deve ser a atitude do Natal. Jesus não abordou a encarnação perguntando: O que eu ganho com isso? Mas sim: O que eles precisam que eu faça por eles? Ele se aproximou da encarnação dizendo: Porque eles importam tanto para mim, viverei como se não importasse. Eu darei a minha vida por eles.

Aquele que era alguém se tornou ninguém para que nós, que não somos ninguém, pudéssemos nos tornar alguém em Cristo. Jesus nunca deve ser menos que nosso Salvador, mas ele também é nosso exemplo. O que a igreja requer — o que este mundo requer — não é que busquemos ser alguém, mas que aceitemos ser ninguém que crucificou seus egos e encontrou sua nova identidade somente em Cristo. Aqui está o nosso Deus — aquele que se tornou servo pelo bem de outros. Somos chamados a nos maravilhar com essa verdade e a fazer o mesmo.

Para reflexão:

  • Você tende a se concentrar muito pouco na divindade de Jesus ou em sua humanidade? Que diferença um foco maior pode fazer no seu relacionamento com ele?
  • Como a leitura de hoje moldará a maneira como você vê o serviço aos outros?

Era uma vez, na cidade real de Davi

Havia um humilde estábulo,

Onde uma mãe colocou seu bebê

Em uma manjedoura ali deitado:

Maria, essa mãe servil,

Jesus Cristo, seu filhinho amado.

Ele desceu do céu à Terra

Ele é Deus e Senhor de todos,

E seu abrigo era uma cocheira,

E seu berço era uma estrebaria:

Com os pobres, os mansos e os humildes,

Viveu na terra o nosso santo Salvador.

E nossos olhos o verão, enfim,

Por meio de seu próprio amor redentor;

Pois aquele bebê tão querido e gentil

É nosso Senhor no céu exaltado,

E ele conduz seus filhos

Ao lugar de onde vem seu reinado.

Não naquele pobre e humilde lugar,

Com os bois ao lado,

Nós o veremos, mas no céu,

Nas alturas, à destra de Deus;

Como estrelas, seus filhos coroados

Com vestes alvas, que dia esperado.

 

“Era uma vez, na cidade real de Davi”
Cecil Frances Alexander


O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.

[1] Agostinho, Carta 118, trad. Wilfrid Parsons, FOTC 18 (The Catholic University of America Press, 1953), p. 282.

Por: Alistair Begg. © Truth For Life. Website: truthforlife.org. Traduzido com permissão. Fonte: O Salvador chegou! | Todos os direitos reservados. Tradução: João Costa. Revisão e edição por Vinicius Lima.

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