Um blog do Ministério Fiel
Transcrição do vídeo
Seja bem-vindo a mais um episódio de John Piper responde! Vamos aproveitar que ainda estamos no começo do ano para falarmos sobre planejamento de vida e com isso auxiliarmos nossos ouvintes a viverem sabiamente seu novo ano.
Hoje, vamos nos concentrar em criar uma declaração de missão pessoal ou um plano de vida, porque Deus é um planejador. Portanto, devemos planejar — e para fazer esse planejamento, precisamos discernir primeiro o propósito final de Deus no universo. Abordamos tudo isso a partir desta pergunta de um ouvinte chamado Paul: “Olá, Pastor John, e obrigado por este podcast!Já vi você mencionar a importância de escrever uma declaração de missão pessoal para nossas vidas com o objetivo de aumentar a produtividade pessoal. Concordo plenamente. E acho essa tarefa extremamente desafiadora. Então, como um cristão leigo comum pode elaborar uma declaração de missão pessoal? Devemos nos concentrar em nossos pontos fortes e talentos? Em nossos papéis? Ou devemos focar principalmente nas necessidades espirituais da igreja, tanto local quanto globalmente? E como evitar que essa declaração se torne tão ampla a ponto de nos sobrecarregar e, de fato, não nos ajudar a concentrar nossas energias? Qualquer ajuda será bem-vinda.”
Deus, o Planejador
Ao ler a Bíblia, não consigo escapar do ensinamento incessante de que Deus tem propósitos. Ele tem objetivos em tudo o que faz. Ele não é um Deus que vagueia sem rumo. Ele não fica dando voltas em círculos. O Deus da Bíblia está constantemente empenhado em realizar os Seus próprios planos .
- “… desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.” (Isaías 46.9, 10)
- “Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará.” (Isaías 14.24).
- “… já desde os dias remotos o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar…” (Isaías 37.26).
Não creio que haveria Evangelho, salvação ou alegria eterna se Deus não fosse um planejador — alguém que vive com propósitos e objetivos. Atos 4.27-28 diz que todos os inimigos de Deus estavam reunidos em Jerusalém na crucificação de Jesus “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.”
Unindo-se ao Objetivo Final
Agora, quando me distancio dessa visão do Deus que planeja e tem propósito, o efeito que isso tem em mim é o de suscitar perguntas realmente sérias, como: “Bem, qual é o objetivo final de Deus, então?” Tenho certeza de que Ele tem milhões de subobjetivos e subpropósitos em tudo o que faz. Gosto de dizer que Deus está fazendo dez mil coisas sobre as quais não sabemos nada. A maioria desses objetivos e propósitos está oculta para nós. Mas o que Ele revelou como Seu propósito principal ou final? Para onde tudo está caminhando? Essa é a pergunta que me atormenta desde os 22 anos, quando me tornei devoto do Deus que tudo ordena e planeja.
E então a próxima pergunta se torna — se eu pudesse discernir qual é o Seu objetivo final — “Como posso me unir a Ele nisso?” Quero me encaixar em Seu propósito final. Não quero lutar contra Ele — quero estar em perfeita sintonia com o que Deus está buscando no mundo. Nada me parece mais obviamente razoável, ou esperançoso, do que o fato de que as criaturas de Deus deveriam se encaixar alegremente em Seus propósitos. Então, certamente esse é o Seu chamado para nós; é para isso que Ele nos convida: “Encontre o Meu propósito; junte-se a Mim nele.” Essa é a minha segunda pergunta, então: Existe uma maneira de eu me unir ao propósito de Deus depois de descobrir qual é o Seu propósito final?
E então a questão passa a ser: “Como faço tudo o que faço para ajudar a alcançar esse objetivo final, ou para que eu possa ser usado por Deus para que ele se concretize?” Quero que tudo — não apenas algumas coisas, mas tudo — que eu faça contribua de alguma forma para esse propósito.
Por isso, as declarações de missão me parecem úteis. Elas me mantém focado nas coisas boas da vida.
Suficientemente grande para durar
Mas permitam-me fazer uma ressalva: acredito que as particularidades da vida são muito variáveis para que nossa declaração de missão seja muito detalhada. Sei que nosso amigo pediu que não fosse muito genérica, e ainda assim posso desapontá-lo, pois considero objetivos amplos e gerais muito úteis, desde que sejam do tipo certo.
Portanto, quanto mais detalhes sobre você e suas circunstâncias você incluir, mais efêmera será sua declaração. Porque tanta coisa muda, não é? Você muda, seu emprego muda, você tem filhos, fica doente, se muda de casa. Nossa, a vida é tão variável que, se você fizer sua declaração de missão incluindo coisas sobre si mesmo — coisas sobre suas circunstâncias que vão mudar relativamente rápido — você terá que ficar mudando sua declaração de missão o tempo todo. E isso provavelmente não é muito útil.
Se você quer que sua declaração de missão dure mais do que alguns anos, ela precisa ser abrangente e geral. E é principalmente isso que tenho em mente quando penso nas minhas próprias declarações que guiam minha vida. Preciso ser lembrado regularmente do panorama geral da vida. Qual é o sentido de tudo? Quais objetivos posso ter que estejam em sintonia com os objetivos de Deus e que sejam tão claramente bíblicos que não mudem?
Visto, saboreado, exibido
Permita-me apresentar um breve resumo do processo que me levou a essa conclusão, e então você poderá adaptá-lo à sua situação. Naqueles anos cruciais de descoberta para mim — anos que mudaram minha vida, dos 22 aos 25 anos — o que eu vi e não pude negar, e sobre o qual nunca mudei de ideia desde então, foi que Deus era infinitamente pleno de toda perfeição, e que Ele não podia ser aperfeiçoado, e que Ele era a soma de toda excelência — toda beleza, todo valor, toda grandeza — de modo que Seu propósito nunca incluiu pessoas aconselhando-O, acrescentando algo a Ele, aprimorando-O ou suprindo Suas necessidades (já que Ele não tem nenhuma).
O que eu vi, na verdade, foi que Deus era o tipo de Deus cujo objetivo final era que a sua plenitude — a sua completude, a sua perfeição — transbordasse, comunicando a mim toda a sua grandeza, beleza, valor e excelência que me satisfazem. Em outras palavras, o propósito final de Deus é ser visto, apreciado e demonstrado — essas são as minhas três palavras favoritas para descrevê-lo — como infinitamente glorioso. Esse é o seu propósito final.
Isso não é megalomania, aliás, porque a comunicação de si mesmo em toda a sua glória é o que a alma humana foi criada para satisfazer. Portanto, Deus é o único ser em todo o universo — e ele é o único — para quem a autocomunicação e a autoexaltação são a virtude suprema e o ato mais amoroso: “Trazei meus filhos de longe, e minhas filhas dos confins da terra, todos os que são chamados pelo meu nome, os quais criei para a minha glória” (Isaías 43.6-7).
E assim, a primeira coisa que Ele nos ensina a orar, repetidamente, é “Santificado seja o teu nome” — isto é, glorificado, valorizado, amado, honrado, louvado, admirado e apreciado: “Santificado seja o teu nome” (Mateus 6.9). Esse é o primeiro e principal clamor de todo santo, todos os dias: “Faze-me um instrumento, Deus, por favor, faz-me um instrumento para a comunicação e a manifestação da tua beleza, do teu valor e da tua grandeza”. Ou seja, que outros santifiquem o teu nome porque eu existo. É para isso que existimos. Essa é a essência de toda declaração de missão pessoal bíblica, creio eu, se estiver ligada ao propósito final de Deus. Então, é por aí que eu começo.
Auxiliando na conquista
E então a pergunta se torna: “Como?” Ou seja, “Como posso viver dessa maneira? Como posso participar da realização desse propósito?” E a Bíblia parece oferecer inúmeras respostas:
- “Portanto, quer comais, quer bebais… fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).
- Dê graças à glória de Deus (1 Tessalonicenses 5.18).
- Confesse Jesus para a glória de Deus (Romanos 10.9).
- Façam boas obras para que Deus seja glorificado (Mateus 5.16).
- Acolham-se uns aos outros para a glória de Deus (Romanos 15.7).
- Sejam generosos com os pobres para a glória de Deus (Hebreus 13.16).
Tudo o que fizermos com nossos corpos, nossas mentes e nossos corações deve glorificar a Deus — porque Ele realmente o é. Estamos ajudando as pessoas a vê-Lo, a apreciá-Lo, a mostrar-Lhe como Ele realmente é.
Então, finalmente, a pergunta se torna: “Existe um denominador comum que permeia todas essas ações, todas essas atitudes, todas essas palavras que as transformam em atos que glorificam a Deus? Como tudo o que eu faço se torna adoração? Como tudo o que eu faço se torna uma demonstração da grandeza, da beleza e do valor de Deus?”
E a resposta é dada, por exemplo, em 1 Pedro 4.11: “Se alguém serve, sirva com a força que Deus lhe dá, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo”. Portanto, se tudo o que você faz é um serviço, então ele diz: “Que o serviço seja prestado confiando na plena suficiência da graça de Deus em sua vida, para que, ao realizar o que você acabou de tentar fazer, seja feito com a força dele, para que ele receba a glória”. Você recebe a capacitação, o poder, a orientação e a força, e ele recebe a glória.
Portanto, quando confiamos alegremente em Deus em tudo o que fazemos a serviço dos outros, Deus se manifesta gloriosamente em nossas vidas. Vemos o mesmo em 2 Tessalonicenses 1.11-12: “Toda obra que procede da fé seja realizada pelo poder de Deus, para que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vocês”. Fazemos o que fazemos confiando alegremente em Deus para tudo o que precisamos para amar as pessoas. Em outras palavras, vivemos pela fé nas promessas de Deus a serviço do amor.
Analisando os detalhes
Eu diria que você deve construir a sua declaração de missão de vida refletindo sobre isso antes de se aprofundar nos detalhes dos seus dons e da sua vocação. Deus é infinitamente glorioso. Deus deseja comunicar essa glória ao seu povo — para que a vejam, a saboreiem e a demonstrem. Ele quer que nos unamos a Ele nesse propósito. Isso se aplica a absolutamente tudo o que fazemos. E fazemos isso com humilde confiança na sua graça e no seu poder, que vêm por meio de Jesus Cristo, a serviço dos outros. Isso o fará parecer grandioso.
Então, depois de elaborar uma declaração de missão abrangente baseada nesses propósitos de Deus, você pode criar algumas declarações de missão de curto prazo, digamos, para um ano. Você vai escrever um livro, ou vai mudar de emprego, ou vai se casar, ou o que for — algumas metas de curto prazo que, então, vão sendo detalhadas e incorporadas à declaração de missão de acordo com a fase da sua vida.
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