Um blog do Ministério Fiel
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Abordar o tema da solteirice é entrar em um debate acalorado. Argumenta-se que a solteirice prolongada na vida adulta hoje é apenas egoísmo — existe apenas para proteger as liberdades pessoais, preservar o avanço na carreira e criar uma vida confortável. Qualquer coisa aquém do casamento seria vista como uma forma de ruptura ou falha.
Hoje, temos a pergunta de uma ouvinte chamada Amy, que diz assim: “Pastor John, como uma mulher de 32 anos, estou ficando frustrada com a forma como minha igreja trata a nós, os solteiros, como se fôssemos imperfeitos. Todos presumem que o casamento é o ideal de Deus, mas tenho lido 1 Coríntios 7, onde Paulo deseja que mais pessoas fossem solteiras como ele! O senhor poderia explicar o que ele quis dizer sobre a solteirice proporcionar espaço para ‘devoção desimpedida ao Senhor’ [1 Coríntios 7.35]? Então, como deciframos este capítulo? Veja como o Pastor John aborda este texto:
Permita-me abordar 1 Coríntios 7 de uma maneira indireta. Acho que, se eu fizer isso, posso revelar às pessoas algumas coisas inesperadas no capítulo com as quais elas não estão tão familiarizadas.
Escravidão e Liberdade
Parece-me que estamos tentando evitar um mal-entendido em duas frentes. Uma delas é a incompreensão do casamento como escravidão e opressão, e a outra é a incompreensão da solteirice como libertação e liberdade. Mas a realidade é que buscar a autonomia irrestrita da solteirice pode ser uma escravidão mais profunda, e abraçar as tristezas de um casamento decepcionante pode ser uma liberdade mais profunda.
É claro que essa maneira de falar, essa maneira de ver o mundo, não faz sentido para quem define liberdade como fazer o que bem entender, quando bem entender. Mas pessoas sensatas não definem liberdade ou libertação dessa forma. Esse tipo de liberdade leva crianças à morte por correrem para a rua ou por colocarem o dedo em uma tomada simplesmente porque lhes dá na telha, sem se importar com o que os outros dizem. Esse tipo de liberdade leva milhares de pessoas livres a estarem em penitenciárias estaduais. Leva milhares a viverem em cativeiro, vítimas de doenças venéreas, e milhares a deixarem um rastro de destruição de relacionamentos.
Fazer o que você tem vontade, quando tem vontade, nunca se provou uma vida de libertação, mas sim de escravidão. A verdadeira liberdade não é apenas fazer o que você quer — ponto final. É fazer o que você quer fazer e querer o que você deveria fazer. Em outras palavras, há algo crucial que define a liberdade além do querer e do ter vontade — ou seja, o dever e a pessoa que você nasceu para ser.
E, claro, assim que você coloca em prática um “deveria” ou “a pessoa que você foi feito para ser”, somos imediatamente confrontados com uma autoridade superior ou mais profunda do que nós mesmos — ou seja, Deus. Não pode haver verdadeira liberdade quando uma pessoa tenta ignorar o propósito de Deus para sua vida, assim como não há verdadeira liberdade se você tentar ignorar a lei da gravidade. Se você pular de um penhasco, pode sentir a euforia da liberdade por três ou quatro segundos — depois você morre. E viver sua vida sem levar Deus em consideração é como pular de um penhasco. Só leva um pouco mais de tempo para você se esborrachar no chão, mas você vai se esborrachar.
Sim, isso tem a ver com 1 Coríntios 7, onde Paulo aborda duas questões. Uma é o casamento e a solteirice, e a outra são os escravos que se convertem a Jesus, e a questão é se eles devem permanecer em sua condição atual ou não. E acho muito interessante que essas duas questões acabem se entrelaçando no mesmo capítulo.
Verdadeira Liberdade
Ele diz aos escravos — e isso será relevante para o casamento e a solteirice — ele diz aos escravos: “Você era escravo quando foi chamado?” — isto é, chamado para ser cristão. “Não se preocupe com isso. (Mas, se puder obter a liberdade, aproveite a oportunidade)” (1 Coríntios 7.21). A razão pela qual você não deve se preocupar demais em passar a vida em uma situação difícil no presente (mesmo que tenha que passar por isso) é esta: “Aquele que foi chamado no Senhor como escravo é liberto do Senhor. Da mesma forma, aquele que era livre quando foi chamado [isto é, para ser cristão] é escravo de Cristo. Vocês foram comprados por um preço [isto é, o sangue de Jesus]; não se tornem escravos de homens” (1 Coríntios 7.22-23). Eis a chave para a vida cristã e para todos os nossos relacionamentos, incluindo a solteirice e o casamento.
O que realmente nos dá liberdade é pertencer a Jesus, que nos comprou com seu sangue, que nos possui por direito, que nos ama, que planejou a melhor vida para nós — a vida mais bela para nós — e que nos conduzirá à alegria eterna e mais profunda possível. Isso é liberdade, o que significa que, mesmo estando em um relacionamento doloroso como a escravidão ou um casamento profundamente decepcionante, e estando com Jesus, pertencendo a Jesus, sendo propriedade de Jesus, amados por Jesus, recebendo ajuda de Jesus, experimentando sua comunhão, desfrutando de sua orientação, seguindo sua vontade — estamos vivendo em plena liberdade. É por isso que eu disse no início que pode haver mais liberdade em abraçar um relacionamento doloroso do que em abraçar a autonomia irrestrita.
Significa também que, se estivermos livres de todos os compromissos e restrições humanas, e vivendo uma vida de autonomia irrestrita, sem nos submetermos a Jesus, sem desfrutarmos de sua comunhão, estaremos profundamente escravizados ao pecado e ao egoísmo, e mais cedo ou mais tarde chegaremos ao fundo do precipício.
Então, esse é o princípio que Paulo aplica em 1 Coríntios 7 ao casamento e à solteirice. Ele ama a sua solteirice. Ele deseja que outros possam ter essa vida particular de liberdade cristã. Foi isso que foi falado aqui no início, na pergunta, quando dissemos que as pessoas nem sabem que isso está na Bíblia, que a exaltação de uma vida de solteirice devotada está lá, em vez de idealizar o casamento como a única maneira de viver.
Devoção sem divisão
Surpreendentemente, ele diz em 1 Coríntios 7.7: “Quem dera todos fossem como eu!”. Ora, Paulo, você está louco? Não haveria bebês se todos fôssemos solteiros, mas ele diz isso. “Mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um tipo, outro de outro. Aos solteiros e às viúvas digo que é bom que permaneçam solteiros, como eu” (1 Coríntios 7.7-8). E então ele acrescenta — para que não tiremos conclusões errôneas — ele não está dizendo a ninguém para não se casar (1 Coríntios 7.9). Em 1 Coríntios 7.36 — é incrível como ele começa e termina com esse tipo de coisa — ele diz: “se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem”.
Então, ele não está condenando o casamento — ele apenas está se regozijando em sua solteirice e desejando que outros pudessem se juntar a ele nisso. Bem, aqui está a questão: o que torna sua solteirice tão grandiosa em sua mente? O que deveria torná-la grandiosa em nossas mentes? É porque a solteirice lhe ofereceu uma experiência única de devoção ao Senhor. Ele disse: “Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-vos, mas somente para o que é decoroso e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor.” (1 Coríntios 7.35).
A essência da liberdade reside em: devoção ao Senhor, pertencimento ao Senhor, viver em alegre submissão ao Senhor que nos amou e se entregou por nós. Quando Paulo diz que casar não é pecado e que a solteirice proporciona devoção integral ao Senhor, ele não está dizendo que o casamento significa não caminhar tão perto do Senhor, ou depender tão profundamente Dele, ou desfrutar do Senhor com menos doçura na comunhão. Ele quer dizer que os desafios em ambos os estados (casamento e solteirice) são diferentes, muito diferentes. Existem distrações únicas no casamento — é a isso que ele está chamando a atenção em particular — das quais devemos nos precaver, para que nossos corações não se dividam e o Senhor não fique em segundo plano.
Mas creio que, se insistíssemos com Paulo, ele diria que existem outros tipos de distrações para os solteiros que exigem vigilância semelhante. Portanto, a questão é a seguinte: a liberdade cristã, seja no compromisso vitalício do casamento ou na solteirice, significa pertencer completamente ao Senhor Jesus ressuscitado — confiar plenamente a Ele nossas vidas, submeter todas as nossas decisões à Sua vontade, desfrutar de toda a Sua comunhão, esperar todas as Suas promessas de ajuda e nos descobrir maravilhosamente úteis, seja no casamento ou na solteirice, servindo ao próximo.
Então, eu encorajo as pessoas a se aprofundarem em 1 Coríntios 7. Acho que há coisas profundas ali sobre o casamento e sobre a solteirice, porque há coisas profundas ali sobre o senhorio de Cristo e o que significa ser totalmente dele e totalmente livre.
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