Um blog do Ministério Fiel
Sexo, ser templo do Espírito e adoração — o que tudo isso tem a ver?
Episódio do podcast John Piper Responde
Transcrição do vídeo
O que sexo, adoração e o fato de sermos templo do Espírito Santo têm a ver entre si? Qual é a diferença entre o que a sociedade usa para determinar o que é certo e errado e o que a Bíblia apresenta como padrão moral, especialmente nas questões sexuais?
Uma ouvinte do podcast, chamada Sarah, nos escreveu com a seguinte pergunta: “Pastor John, li em 1 Coríntios 6.18-20 Paulo advertindo os crentes a fugirem da imoralidade sexual, enfatizando que nossos corpos são templos do Espírito Santo e devem ser honrados como tal. A palavra ‘templo’ me chama a atenção. Como e por que sexo e adoração se unem na visão de Paulo neste texto?”
Acho que Sarah tocou num ponto realmente significativo neste texto ao usar a palavra adoração, embora a palavra adoração não apareça no texto em si. O que o texto diz em 1 Coríntios 6.18-20 é o seguinte: “Fujam da imoralidade sexual. Qualquer outro pecado” — essa é a tradução da ESV, essa palavra “outro ”; voltarei a isso mais tarde — “o homem o comete fora do corpo; mas aquele que pratica imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo. Ou vocês não sabem que o corpo de vocês é templo do Espírito Santo, que habita em vocês, o qual vocês receberam de Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês.”
“Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica imoralidade sexual peca contra o próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos?” Falarei mais adiante sobre esta palavra “outro”.
Sarah está inferindo que a atividade sexual é adoração porque Paulo relaciona essa ação corporal da imoralidade sexual com Deus — o Espírito de Deus, a glória de Deus, o templo de Deus. Quando Sarah percebe essa conexão, ela conclui: “Bem, isso tem a ver com adoração. Quer dizer, templo de Deus, certo? Isso tem a ver com adoração.”
E de fato, isso é verdade, porque adoração é o ato de glorificar a Deus, louvar a Deus, honrar a Deus, amar a Deus, valorizar a Deus, deleitar-se em Deus. Isso é adoração, e é aí que o texto termina — ou seja, “glorifiquem a Deus [adorem a Deus] em seus corpos”, ou com seus corpos. E Sarah está perguntando: “Como e por que sexo e adoração se unem na mente de Paulo?”
Significado Corporal
Uma maneira de responder a essa pergunta é focar por um momento no versículo 18, que é extremamente difícil de interpretar. Ele diz: “Fujam da imoralidade sexual”. Essa parte é clara. Não é difícil de interpretar. Parem de ter relações sexuais com várias pessoas; fujam da imoralidade sexual. Depois, ele diz: “Todo pecado”, e a palavra “outro” não está presente no original. Paulo não diz “Qualquer outro pecado”. Diz apenas: “Todo pecado que alguém comete é fora do corpo” (1 Coríntios 6.18). Ora, se essas são as palavras de Paulo, o que ele quer dizer? Francamente, nunca li nenhuma interpretação satisfatória desse texto que considere essas palavras como sendo do próprio Paulo.
Eis o que vou sugerir: creio que essas palavras, no meio do versículo 18, são um slogan usado pelos falsos mestres em Corinto para dizer que o corpo é insignificante quando se trata de moralidade e pecado.
A paráfrase seria algo como: “Fujam da imoralidade sexual” — essas são as palavras de Paulo — “e sim, eu sei que alguns de vocês em Corinto estão dizendo: ‘O pecado não tem nada a ver com o físico ou o corpo. É apenas espiritual e moral, e o corpo não tem nenhuma consequência moral.’ Estou ciente desse ensinamento em sua igreja. Já me referi a ele no versículo 13. E então, estou lhes dizendo agora…” E então ele continua e dá seu conselho sobre a importância do corpo. Ele diz: “Mas a pessoa sexualmente imoral peca, de fato, contra o seu próprio corpo. O corpo realmente importa moralmente.” E então ele demonstra isso introduzindo a questão da adoração.
O Corpo para Deus
Permitam-me explicar por que interpreto o meio do versículo 18 como uma citação dos vilões — os falsos mestres de Corinto — em vez das próprias palavras de Paulo. Apenas cinco versículos antes, se você tiver a versão NAA (Nova Almeida Atualizada), poderá ver as aspas onde os tradutores, de fato, citaram slogans dos falsos mestres. Aliás, não existem aspas no grego original. Essas são decisões editoriais de tradução que consideram que algo deve ser colocado entre aspas. Não sabemos, a partir do texto grego original, onde estavam as aspas, se é que havia alguma na mente de Paulo.
Aqui está o exemplo. Há aspas em torno deste trecho: “O alimento é para o estômago e o estômago para o alimento” (1 Coríntios 6.13). Portanto, há aspas em torno disso. Concordo. Acho que esse é um lema dos falsos mestres em Corinto, e eles estão dizendo algo muito semelhante a “Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo” (1 Coríntios 6.18). Em outras palavras: “O corpo não importa quando se trata de moralidade e imoralidade. O estômago é para o alimento. Não se trata de pecado, Paulo. Pelo amor de Deus. Relaxa.”
Ao que Paulo responde exatamente da mesma forma que no versículo 18. Ele diz no meio do versículo 13: “O corpo é… para o Senhor”. Esse é o mesmo ponto que ele está enfatizando no versículo 20, quando diz: “Glorifiquem a Deus no corpo de vocês”: “O corpo é para o Senhor. Ele realmente importa. E vocês, falsos mestres, estão errados ao pensar que todo pecado está fora do corpo e não tem nada a ver com o corpo”.
A vida como adoração
Assim, a razão pela qual Paulo introduz a realidade da adoração no contexto da imoralidade sexual — e aqui chegamos à resposta da pergunta dela — é que havia pessoas em Corinto (e há pessoas hoje) que usam o corpo na fornicação e dizem: “Isso é apenas recreação, pelo amor de Deus. Certamente não foi feito para adoração, como no culto. Fornicação é recreação, não adoração, Piper, Paulo e mestres da Bíblia! Ter relações sexuais ao final de um encontro não é mais moral nem imoral do que jantar ou sair para correr. O uso do corpo para se envolver sexualmente na cama simplesmente não é uma questão moral. Matar pessoas é uma questão moral. Roubar é uma questão moral. Mentir é uma questão moral. O que fazemos com nossos corpos — seja comer, correr ou ter relações sexuais — simplesmente não tem significado moral algum.”
E em resposta a isso — tanto naquela época quanto agora — Paulo relaciona o uso do corpo — comer, beber, ter relações sexuais e em todas as outras formas — com o Espírito de Deus, o templo de Deus, a glória de Deus, e transforma toda a vida em um ato de adoração. “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” ( 1 Coríntios 10.31 ). Façam tudo como um ato de adoração.
Templo Sagrado
O que precisamos entender é que a Bíblia introduz um aspecto da moralidade que as pessoas seculares modernas não reconhecem — a saber, o aspecto do sagrado, do que é santo. As pessoas seculares modernas se concentram em uma moralidade que simplesmente diz: “Se não prejudica ninguém, não é errado”. Portanto, não pode ser errado dois adultos que consentem em ter relações sexuais fora do casamento.
Claro, seria possível argumentar contra o sexo extraconjugal nos próprios termos do mundo, dizendo: “Ah, sim, prejudica. Prejudica as pessoas. Por exemplo, 87% de todos os abortos nos Estados Unidos são realizados em mulheres solteiras. Portanto, o sexo fora do casamento é responsável pelo assassinato de 870.000 bebês por ano.” Então, há muita dor envolvida, relacionada ao sexo extraconjugal, apesar de toda a conversa sobre “sexo seguro” — muita mesmo. Mas não é assim que Paulo está argumentando aqui.
Paulo, assim como o restante da Bíblia, introduz uma dimensão da moralidade que afirma que algo pode ser imoral independentemente de causar ou não dano a alguém. Essa dimensão é sugerida pelo fato de nosso corpo ser um templo. É um templo do Espírito Santo. O templo era um lugar sagrado de adoração. A questão no templo não era se você estava matando pessoas ou não; mas se você era puro. Se você era santo. Se você tinha reverência.
Portanto, o aspecto da moralidade que Paulo introduz não é se o seu comportamento fere alguém, mas sim se é impuro, sacrílego, corrompido, profano, iníquo, irreverente. Os cristãos seguem um ritmo diferente do mundo. Não medimos nosso comportamento apenas pelos padrões mundanos de certo e errado. Buscamos, em tudo o que fazemos, glorificar a Deus com nossos corpos, e medimos essa adoração pelo que Deus declara ser puro.
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