Preparando-se para o Casamento – Casamento, Celibato, e a Virtude Cristã da Hospitalidade

 

Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração. Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! —1 Pedro 4:7-11

O que motiva este capítulo é um desejo de que Cristo seja magnificado na maneira pela qual os que são casados e os que são solteiros demonstrem hospitalidade uns aos outros. Ou, para colocar de outra maneira, se é verdade — e acredito que seja — que a família de Deus, que é gerada pelo novo nascimento e pela fé em Cristo, é mais central e mais duradoura que as famílias que são geradas a partir do casamento e da procriação e adoção, então como esta família espiritual e eterna (a igreja) se relaciona cada um com o outro (casados e solteiros) é uma testemunha crucial para o mundo de que nossas vidas são orientadas pela supremacia de Cristo e que nossos relacionamento são definidos não apenas pela natureza, mas por Cristo. Eu anseio por ver Cristo magnificado através de aqueles que são casados envolvendo solteiros em suas vidas, e aqueles que são solteiros envolvendo casados em suas vidas por amor de Cristo e do evangelho.

“Por Ser Este Meu Discípulo”

Jesus disse: “E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mateus 10:42). É claro, Jesus também disse que devemos amar nosso inimigo (Mateus 5:44), e Paulo disse para dar um copo de água ao nosso inimigo (Romanos 12:20). Este tipo de amor receberá sua recompensa. Mas aqui Jesus diz: Demonstre singela bondade para com as pessoas precisamente por serem elas seguidoras de Jesus. E isto também receberá sua recompensa.

Em outras palavras, quando você olha nos olhos de uma pessoa solteira ou uma pessoa casada e você vê o rosto de um seguidor de Jesus — um irmão ou irmã de sua própria família eterna — aquele relacionamento com Jesus que você vê deveria extrair de seu coração uma bondade prática — como hospitalidade — por amor de Jesus. Jesus é o foco aqui. Ele diz: “Faça isto ‘por ser este meu discípulo’. Eu serei honrado de uma maneira especial se você der de beber a um discípulo meu por esta razão. Se você recebê-lo em sua casa, faça isso por amor a mim”. É isso que quero dizer quando falo que anseio por ver Cristo magnificado através de aqueles que são casados envolvendo solteiros em suas vidas, e aqueles que são solteiros envolvendo casados em suas vidas.

O Mundo Material — para a Glória de Deus

Apenas mais algumas palavras de introdução antes de olharmos para o texto de 1 Pedro. Você já se perguntou por que Deus nos deu corpos e criou um universo material? E porque ele ressuscita nossos corpos e os torna novos e então liberta esta terra para que ela seja uma nova terra na qual possamos viver para sempre em nossos novos corpos? Se Deus queria ter grande louvor (“Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado”, Salmo 96:4), por que não apenas criar anjos sem corpos mas com grandes corações que pudessem apenas falar com Deus e não um com o outro? Por que todos estes corpos e por que as pessoas deveriam ser capazes de se comunicarem umas com as outras? E por que árvores, terra, água, fogo, vento, leões, cordeiros, lírios, pássaros, pão e vinho?

Há diversas profundas e maravilhosas respostas para estas perguntas. Mas a que eu desejo mencionar é esta: Deus criou corpos e coisas materiais porque quando eles são corretamente vistos e corretamente usados, a glória de Deus é mais plenamente conhecida e demonstrada. Os céus estão anunciando a glória de Deus (Salmo 19:1). Considere os pássaros no ar e os lírios do campo e você conhecerá mais da bondade e do cuidado de Deus (Mateus 6:26-28). Veja nas coisas que ele criou seus atributos invisíveis — seu eterno poder e sua natureza divina (Romanos 1:20). Olhe para o casamento e veja Cristo e a igreja (Efésios 5:23-25). Sempre que você comer este pão e beber deste cálice, você declara a morte do Senhor até que ele venha (1 Coríntios 11:26). Quer você coma ou beba ou qualquer coisa que você faça, faça tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31). O mundo material não é um fim em si mesmo; ele é projetado para demonstrar a glória de Deus e despertar nossos corações para conhece-lo e valorizá-lo mais.

Tornando Santos a Comida e o Sexo

A realidade física é boa. Deus a criou como uma revelação de sua glória. E ele tem em mente que a santifiquemos e o adoremos com ela — ou seja, vê-la em relação a ele e usá-la de uma maneira que dê muito valor a ele e que o fazer isto nos dê alegria. Tudo isso tem influência direta no casamento e no celibato. Isso nos protege de idolatrar o sexo e a comida como deuses. Eles não são deuses; são feitos para Deus para honrar a Deus. E isso nos protege de temer o sexo e a comida como se fossem malignos. Eles não são malignos; são instrumentos de adoração — são maneiras de dar muito valor a Cristo. Eis aqui o texto chave: 1 Timóteo 4:1-5. Este é um dos mais importantes textos na Bíblia quando se trata de apetites físicos ou sexo.

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.

Sexo e comida — dois grandes ídolos na Ásia Menor do primeiro século e dos Estados Unidos do século 21. E a resposta de Deus àqueles que resolvem o problema da idolatria do sexo e da comida meramente renunciando-os ou evitando-os é dizer que estes mestres são demoníacos — “ensinos de demônios” (v. 1). Qual é a solução de Deus? Tudo criado por Deus é bom; nada deve ser rejeitado se for recebido com ação de graças e santificado pela palavra de Deus e pela oração. Você santifica a comida usando-a de acordo com a palavra de Deus em oração dependente de Cristo. Você santifica o sexo usando-o de acordo com a palavra de Deus em oração dependente de Cristo.

Dando Muito Valor a Cristo — Solteiro ou Casado

Tudo isso é uma simples introdução para deixar claro que na beleza do casamento como uma parábola física do amor pactual entre Cristo e a igreja, e a beleza do celibato como uma parábola física da natureza espiritual da família de Deus que cresce por regeneração e fé, não procriação e sexo — para deixar claro em todas estas coisas que nem o casamento nem o celibato são idolatrados ou temidos. Casamento e celibato podem ser idólatras. Cônjuges podem idolatrar um ao outro, ou idolatrar o sexo, ou idolatrar seus filhos, ou idolatrar o poder de compra que se tem ao possuir duas rendas e nenhum filho. Solteiros podem idolatrar a autonomia e a independência. Solteiros podem olhar para o casamento como um compromisso cristão de segunda classe com luxúria. Aqueles que são casados podem olhar para o celibato como uma marca de imaturidade ou irresponsabilidade, ou incompetência, ou até mesmo homossexualidade.

Mas o que estou tentando esclarecer é que há maneiras que exaltam a Cristo de ser casado e há maneiras que exaltam a Cristo de ser solteiro. Há maneiras de usar nossos corpos, nossos apetites no casamento e no celibato que dão muito valor a Cristo.

Aquela Infame Frase em 1 Coríntios 7:9

E penso que eu deveria apenas fazer um breve comentário sobre aquela infame frase em 1 Coríntios 7:9: “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.” Lembre-se, isto se dirige explicitamente a homens e mulheres (v. 8). E aqui está a única coisa que eu quero dizer a respeito disso: Quando uma pessoa busca se casar, sabendo que como solteira viveria “abrasada”, isso não precisa significar que o casamento se torna um mero canal para a luxúria.  Paulo nunca quereria dizer isso em vista de Efésios 5.

Ao invés disso, quando uma pessoa se casa — deixe-me simplesmente usar o homem como um exemplo — ele toma seu desejo sexual, e ele faz a mesma coisa com ele que todos nós devemos fazer com todos nossos desejos físicos se queremos torná-los meios de adoração — 1) ele o traz à conformidade da palavra de Deus; 2) ele o subordina a um padrão mais alto de amor e cuidado; 3) ele transpõe a música do prazer sexual pela música da adoração espiritual; 4) ele ouve os ecos da bondade de Deus em cada nervo; 5) ele busca dobrar seu prazer tornando a alegria dela sua própria alegria; e 6) ele dá graças a Deus do fundo de seu coração porque ele sabe e sente que ele nunca mereceu um minuto sequer deste prazer.

Magnificando a Cristo ao Demonstrar Hospitalidade

Agora ao texto, 1 Pedro 4:7-11, e o que está estimulando este capítulo, a saber, o desejo de que Cristo seja magnificado na maneira pela qual aqueles que são casados e aqueles que são solteiros demonstrem hospitalidade uns aos outros. Vamos passar pelo texto rapidamente com breves comentários e então retiraremos simples e óbvias implicações — e oraremos para que Deus use esta palavra poderosamente para nos mudar para sua glória e nossa alegria.

O Fim Está Próximo

Versículo 7: “O fim de todas as coisas está próximo”. Pedro sabe que com a vinda do Messias, o fim dos séculos chegou (1 Coríntios 10:12; Hebreus 12:2). O reino de Deus chegou (Lucas 17:21). E portanto, a consumação de todas as coisas poderia varrer o mundo em muito pouco tempo.

Portanto, assim como Jesus nos ensinou a sermos vigilantes quanto às nossas vidas e observar, Pedro diz (v. 7): “Sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações”. Ou seja, cultive um relacionamento muito pessoal com aquele que você espera ver face a face em sua vinda. Não seja um estranho a Cristo. Você não irá querer encontra-lo como um estranho. E busque em oração toda a ajuda que você irá precisar nestes últimos dias para que você permaneça de pé nos dias de grande tribulação (Lucas 21:36). E não dependa de sua espontaneidade para trazê-lo à oração. “Sede criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações”.

O Amor é Acima de Tudo

Então, versículo 8: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados”. O amor é acima de tudo, e ele será ainda mais necessário conforme o fim se aproxima. Por que? Porque as pressões, tensões e tribulações destes últimos dias colocarão os relacionamentos sob tremendo estresse. Mas nestes dias nós precisaremos uns dos outros, e o mundo estará observando para ver se somos reais: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35). Nós cobriremos, carregaremos e suportaremos as faltas e fraquezas uns dos outros ou deixaremos nossos corações serem dominados pera raiva?

Hospitalidade sem Murmuração

O versículo 9 dá uma forma deste amor, e estaria dizendo que tal amor lembra de fazê-lo sem murmurar?  “Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração”. Se estamos amando ardentemente e o amor cobre multidão de pecados, então nós não resmungaremos tão facilmente, não é mesmo? O amor cobre muito do que nos faz murmurar. Então a hospitalidade sem murmuração é o chamado dos cristãos nos últimos dias. Justamente nos dias em que seu estresse está alto, e há pecados que precisam ser cobertos, e razões para a murmuração são abundantes — justamente em tais dias, Pedro diz, o que precisamos é praticar hospitalidade.

Nossos lares precisam estar abertos. Porque nossos corações estão abertos. E nossos corações estão abertos porque o coração de Deus está aberto a nós. Lembra-se de como o apóstolo João conectou o amor de Deus com o nosso amor uns pelos outros em relação à hospitalidade? Ele escreveu em 1 João 3:16-17: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão [solteiro ou casado!] padecer necessidade, e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?”

Despenseiros da Multiforme Graça de Deus

Temos espaço para ir apenas até aqui neste texto. Exceto simplesmente apontar a o que acontece quando nos reunimos em nossos lares. Versículo 10: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. “Despenseiros da multiforme graça de Deus!” Eu amo esta frase. Todo cristão é um despenseiro — um zelador, um gerente, um tutor, um distribuidor, um servo — da multiforme graça de Deus. Que grande razão para estar vivo! Todo cristão vive em graça. “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8). Se você tem medo da hospitalidade — que você não tem muita força pessoal ou muitos bens pessoais — bom. Então você não intimidará ninguém. Você dependerá ainda mais da graça de Deus. Você irá olhar ainda mais para a obra de Cristo e não para a sua própria obra. E, ah, que bênção as pessoas terão em seu simples lar. Seu pequeno apartamento.

Acolhei Uns aos Outros Como Também Cristo vos Acolheu

Então aqui está: a virtude cristã da hospitalidade — uma estratégia de amor nos últimos dias que exalta a Cristo.

Agora algumas aplicações para fechar: Primeiro, para todos. Se você pertence a Cristo, se você tem pela fé recebido sua hospitalidade salvífica, que ele comprou com seu próprio sangue, então estenda esta hospitalidade a outros. Romanos 15:7: “Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus”. Você vive em livre graça todos os dias. Seja um bom despenseiro dela na hospitalidade.

Segundo, para os casados. Planejem que sua hospitalidade inclua solteiros — pequenos grupos, jantares de domingo, piqueniques, festividades. E não faça uma exibição disso. Apenas aja naturalmente. E não se esqueça de que há solteiros de oito anos de idade e solteiros sessenta anos de idade, e solteiros de cinquenta, quarenta, trinta e vinte anos de idade, homens e mulheres, que já foram casados e que nunca se casaram, divorciados e viúvos. Pense como um cristão. Esta é sua família, mais profundamente e mais eternamente que seus parentes.

Terceiro, para os solteiros. Demonstrem hospitalidade para outros solteiros e para casais casados. Talvez isso pareça estranho. Mas deveria parecer estranho? Não seria uma marca da graça de Deus em sua vida?

Eu oro para que o Senhor faça esta linda obra em nosso meio — em todos nós. O fim de todas as coisas está próximo. Sejamos sóbrios pelo bem de nossas orações. Amemos uns aos outros. Sejamos bons despenseiros da multiforme graça de Deus, e mostremos hospitalidade sem murmuração. “Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu”.

 

Tradução: voltemosaoevangelho.com

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12 Comentários
  1. George Lucas Diz

    Esse é o ultimo post da série ou terá mais um?

    1. Guest Diz

      Esse é o último, George. Em breve teremos o e-book.

    2. alancristie Diz

      Esse é o último, George. Em breve teremos o e-book.

    3. George Lucas Diz

      Massa!
      Valeu, Alan.

    4. George Lucas Diz

      Aproveitando aqui, vocês vão lançar também o e-book do livro “A verdade sobre o homem” do Paul Washer?

    5. alancristie Diz

      Sim, também será lançado.

  2. Rufino Bongue Diz

    Brigado pela Permissão, Deus os abençoe.

  3. Veridine Diz

    Ótimo! Lindo ensino!

  4. Marcelo Costa Diz

    Perfeito, muito boa reflexão!

  5. mychelle Diz

    Reflexão Ótima !

  6. Fabrício Diz

    Já postaram o e-book? Onde posso aixá-lo?

  7. Karen Marinho Maciel Diz

    Onde posso conseguir o e-book?

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