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A vontade de Deus pode ou não ser frustrada?

A Bíblia diz:

• Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. (Jó 42:2).

• Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Dn. 4:35)

• No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115:3; cf Ef. 1:11).

E por outro lado diz:

• Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. (Mt 6:10)

É a vontade de Deus feita ou não? Como conciliar essas duas verdades?

Outro exemplo:

• O assassinato não é a vontade de Deus (Ex 23.7);

• O assassinato na cruz do Filho de Deus era a vontade de Deus (At 4.27-28).

A morte de Cristo era ou não a vontade de Deus?

A Bíblia é, então, contraditória? Não! O que acontece é que o termo vontade pode ser usado de formas diferentes. No vídeo abaixo, R. C. Sproul explica a diferença entre a vontade secreta (ou decretiva – de decreto) e a vontade revelada (ou preceptiva – preceitos, mandamentos).

Transcrição

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus” [Dt 29:29]. Isso se refere ao que chamamos de “vontade oculta” de Deus. Agora, geralmente quando falamos da ”vontade oculta de Deus” temos em nossas mentes a “vontade decretiva” de Deus. E quando as pessoas me dizem: “Qual é a vontade de Deus para minha vida?”, eu digo: “lembre-se que a Bíblia usa a expressão ’a vontade de Deus’ de várias formas diferentes”. A primeira forma que falamos sobre a vontade de Deus é o que chamamos de ”vontade decretiva”; e a ”vontade decretiva” de Deus é a vontade de Deus pela qual Ele soberanamente faz acontecer tudo o que quer. Às vezes ela é chamada de “a vontade absoluta de Deus”, ou simplesmente de “a vontade soberana de Deus”, ou, na teologia, de “a vontade eficaz de Deus”. Mas, normalmente, falamos sobre “a vontade decretiva” de Deus. Ou seja, quando Deus decreta soberanamente que algo deve acontecer, tal evento deve certamente acontecer.

A Bíblia frequentemente fala sobre o determinado conselho de Deus. Quando Deus decretou, desde toda eternidade, que Cristo teria que morrer em uma cruz em Jerusalém, em um momento da história particular, tal evento certamente teria que acontecer. Ele acontece pelo determinado conselho ou vontade de Deus. É sobre isso que estamos falando ao nos referirmos à ”vontade decretiva” de Deus. Essa vontade que Deus faz se concretizar pelo poder absoluto da Sua soberania. É irresistível, tem que acontecer. Quando Deus chama o mundo à existência, ele vem à existência. Ele não pode não começar. As luzes não podem deixar de existir quando Deus diz: “Haja luz”. Essa é a vontade decretiva de Deus.

Agora, nós também falamos sobre “a vontade preceptiva de Deus”. Nós entendemos que a ”vontade decretiva” de Deus não pode ser resistida. Já a vontade preceptiva de Deus, não só pode ser resistida por nós, como é resistida todo o tempo. A ”vontade preceptiva” de Deus é uma referência à lei de Deus; aos Seus mandamentos. Esta é a vontade de Deus que você não tenha nenhum outro deus diante dele. Agora, quando as pessoas me chamam e dizem: “Como posso saber a vontade de Deus para minha vida?”, eu quero lhes perguntar: “a que vontade você se refere? Você está falando sobre a ”vontade decretiva” de Deus? Você está falando sobre a ”vontade oculta” de Deus? Se você está falando sobre a ”vontade oculta” de Deus, a primeira coisa que você precisa entender sobre ela é que ela é oculta”.

E quando as pessoas me dizem: “O que Deus quer que eu faça neste tipo de caso?”, eu digo: “como vou saber disso? Eu estudo teologia, mas não posso ler a mente de Deus. Tudo o que posso fazer é ler a Palavra de Deus. E o que a Palavra de Deus faz é me dar a Sua vontade revelada. E isso é uma tarefa suficiente para, durante a minha vida inteira, tentar descobrir tudo o que está neste livro que Deus revelou. Se você está me perguntando sobre isso, eu posso ajudá-lo, mas se você está me perguntando sobre a vontade oculta de Deus, você está perguntando à pessoa errada, porque eu não tenho ideia do que está na mente de Deus a respeito daquilo que Ele não revelou”.

Calvino fez seu comentário neste ponto, ele diz: “onde Deus fechar Sua santa boca, eu desistirei do inquérito”. Eu vou dizer isso de novo: “onde Deus fechar Sua santa boca, eu desistirei do inquérito”.  Agora, traduzindo isso para a linguagem moderna, diríamos algo como: “A vontade oculta de Deus não é da sua conta, é por isso que está oculta”.

Por: R. C. Sproul. Original: What’s the Difference Between the Decretive and the Preceptive Wills of God? Extraído do site ligonier.org. © 2012 Ligonier Ministries

Tradução: Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados

 Website: www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com. Original: A Glória de Deus no Julgamento – R. C. Sproul

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12 Comentários
  1. Rogerio Mari Diz

    Queridos irmãos, a Paz do Senhor…
    Obrigado pelo post, é realmente muito propício, visto que tenho me debatido nesta questão. Porém, quero fazer uma pergunta: Dentro da nossa vida, no nosso dia-a-dia, tentamos, muitas vezes, descobrir qual é a Vontade de Deus para nós, justamente por querer obedece-La… então como fazer? Usamos muitas vezes o exemplo de Jonas, que desobedeceu a Deus embarcando no navio, e não indo para Nínive, e que Deus fez cair a tempestade sobre o navio justamente para que Jonas O obedeça… Mas fica a pergunta, e se Jonas ainda assim não quisesse? Moreria afogado? Nós lemos a história com começo meio e fim, ou seja, sabemos como termina e tiramos nossas conclusões, ou tiram a conclusão e nos ensinam assim, mas qual é a verdade nela (tomando como exemplo, é claro…)? Nossa vida não é formatada ou ainda não chegou ao final, como a história dele, então, como agir, como saber realmente?
    Muito obrigado, desejo-lhes um dia de paz.

  2. Vinícius Musselman Pimentel Diz

    As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei. (Deuteronômio 29:29)

    Ou seja, basta a nós sabermos a vontade perceptiva, os mandamentos do Senhor e nos cumpre obedecê-la. A vontade secreta de Deus não nos compete.

    Quanta a tomar decisões, sugiro o livro do Heber Campos Jr.: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/02/tomando-decisoes-segundo-a-vontade-de-deus/

  3. aasdasdas Diz

    Gostaria que falassem mais sobre a graça preveniente e porque os
    calvinistas nao acreditam nela. posso achar de tudo facilmente na
    internet mas quando o assunto é graça preveniente raramente acho algo
    pra lera

    1. Vinícius Musselman Pimentel Diz

      Não creio pois não a vejo em nenhum lugar na Bíblia. Não há nenhum texto que dê base para um entendimento de que o homem recebe uma graça para entender o evangelho e então deixe o homem em um ponto onde pode escolher buscar a Deus ou não.

    2. Adson Diz

      Eu nuca vi um calvinista explicar Hebreus, principalmente o cap. 6, sempre e feito muita ginastica mental.

    3. Vinícius Musselman Pimentel Diz

      Já li vários. Mas para um arminiano se lá está falando sobre perda de salvação, então não há mais como se arrepender, né (Hb 6.6)? Você acredita que desviados podem voltar à fé? Se sim, gostaria de ver sua ginástica mental para explicar o texto.

      Mas respondendo rapidamente, é só ver que para o autor de Hebreus são dois tipos de pessoas diferentes (dois solos):

      Pois a terra que absorve a chuva, que cai freqüentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada. Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas próprias da salvação. (Hebreus 6:7-9)

      Há terra boa e terra má. Coração bom e mau.

      Ou seja, na mentalidade dele não é uma terra boa que ficou ruim, mas uma terra ruim. Não é alguém que era realmente salvou e se perdeu, mas alguém que sempre foi terra ruim.

      Paz

    4. João Victor Diz

      Certa vez, tive a oportunidade de ouvir o Dr Augustus Nicodemos Lopes em congresso aqui no Rio, e ele estava falando dobre perseverança e usando o texto de Hb 6, uma ilustração que ele usou que pra mim encerrou o assunto, foi a dos 12 espias que foram, viram, andaram e trouxeram os frutos da terra prometida e não creram. Da mesma forma os de Hb 6 experimentam tudo aquilo e não creram. Não se trata de pessoas convertidas, mas sim daquelas que chegam no ponto de manifestar fé não manifestam.

    5. Anderson da Paola Diz

      Na verdade existem muitos arminianos que creem na perseverança dos santos, esse ponto nunca foi explanado pelo próprio Armínio. Quem trouxe uma explanação da “queda” foi Wesley, pois para ele uma pessoa que não permanecia em uma vida de santidade não poderia de forma nenhuma ser um salvo. Mas claro que irão dizer que essa pessoa nunca nasceu de novo. Nunca me aprofundei sobre isso, mas claro que este ponto dá um nó na cabeça de qualquer um. Pois por um lado pode levar ao antinomismo, e esse era um ponto que Wesley não aceitava.

      Não estou para debater, mas só para esclarecimento.

    6. João Victor Diz

      Dois textos (estou usando estes, não como isolados, mas porque em seus respectivos contextos podemos ver claramente o assunto da graça salvadora) são:

      Romanos 6:16-18 e II Co 4:3-6

    7. Anderson da Paola Diz

      A graça preveniente vem da teologia de Agostinho, o mesmo pai da igreja que deu toda base da teologia de Calvino. Quando Armínio trouxe novamente a luz o conceito de graça preveniente, não havia na história ainda nenhum conceito contrário a isso, pois havia se passado 100 anos de Calvino apenas. Sobre a graça preveniente não aparecer nas escrituras com o próprio termo, muitos termos teológicos também não aparece, como trindade, graça evanescente, entre outros. Agora a graça preveniente é sim vista quando vemos pessoas resistindo a ação da graça como no caso de Atos 7:51, Se estudarmos os pais da igreja pré agostinianos iremos descobrir que TODOS eram sinergistas, o monergismo veio somente com Agostinho, nos debates com Pelagio. Dá-nos a entender que a escolha por essa linha monergista se deu unicamente para combater os conceitos de Pelágio, pois o proprio Agostinho tinha um pensamento sinergista no início, como podemos bem observar em seu livro Livre arbítrio.

      Um texto clássico que Wesley usa para graça preveniente é João 1:9, onde o mesmo crê que a graça preveniente é de alguma forma concedida e não inerente a todos os homens. Mediante a pregação ou leitura da palavra essa mesma graça atua, manifestando mais graça de Deus para conduzir essa pessoa a salvação, se esta pessoa se rende, por própria ação da graça, Deus derrama a graça regeneradora, onde o maior milagre acontece, um pecador nasce de novo!

      Não estou aqui para debater, e respeito demais os calvinistas, tenho muitos amigos e conversamos muito sobre isso. Estou mais para esclarecer os fatos!

      Um grande abraço fraterno!

  4. Rodrigo Nunes Diz

    Interessante, mas tem alguns textos que dão a entender que podemos e devemos buscar entender algumas coisas que não estão tão às claras assim:

    Por exemplo:
    A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las. Provérbios 25:02

  5. Vandeberg Rodrigues Diz

    assim como Deus endureceu o coração de Faraó no Egito ele poderia por o coração de Jonas naquela causa, a história de Jonas só nos consolida que a vontade de Deus não pode de maneira nenhuma ser frustada.

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