O que você crê sobre o “livre-arbítrio” é importante: 6 razões práticas

Em “Livre-arbítrio”: um guia para iniciantes, eu tentei explicar os vários significados de livre-arbítrio e o que a Bíblia tem a dizer sobre isso. Dependendo da definição a que você se refere, nós temos ou não “livre-arbítrio”. Novamente, aqui estão as três definições de “livre-arbítrio”:

Definição 1: A nossa vontade é livre se as nossas preferências e nossas escolhas são realmente nossas, de tal forma que possamos ser justamente considerados responsáveis por elas, sejam boas ou más. De acordo com esta definição, o livre-arbítrio existe tanto nos seres humanos caídos quanto nos redimidos.

Definição 2: A vontade humana é livre quando não está sob a escravidão de preferência e escolha irracionais. A vontade é livre quando é libertada de preferir o que é infinitamente menos preferível do que Deus e de escolher o que levará à destruição. Com base nesta definição, somente aqueles que nasceram de novo por meio de Jesus Cristo têm livre-arbítrio.

Definição 3: Nós temos livre-arbítrio se, em última instância ou decisivamente, nos autodeterminamos, e as únicas preferências e escolhas pelas quais podemos ser responsabilizados são aquelas que, em última instância ou decisivamente, autodeterminamos. A partir dessa definição, nenhum ser humano tem livre-arbítrio em qualquer momento. Somente Deus tem livre-arbítrio.

Neste artigo, eu simplesmente desejo extrair algumas das implicações práticas de crer que a vontade humana é escrava quanto a preferir outras coisas antes de Deus. Somos libertados desta escravidão somente quando a soberana graça de Deus abre os olhos dos nossos corações de tal forma que percebemos Jesus Cristo como sendo a realidade mais bela e desejável no mundo. Isto é o que acontece quando nascemos de novo.

Que diferença faz se você realmente crê nisso? É um grande erro pensar que as questões sobre o livre-arbítrio são meramente acadêmicas, e que possuem pouco efeito prático. Aqui estão seis efeitos de perceber e sentir a realidade da nossa escravidão e o milagre da libertação divina.

1. Conhecimento do “grande amor” de Deus

Conhecer a sua morte espiritual e o milagre que salvou você é conhecer, como nunca antes, a grandeza do amor especial de Deus por você pessoalmente. Considere Efésios 2.4-5, a única passagem onde Paulo se refere ao “grande amor” de Deus: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo”.

Uma das coisas que torna este amor “grande” é que não é o amor geral de Deus por todos, mas o seu amor especial por você pessoalmente. Sabemos disso porque este amor ressuscita você dentre os mortos e lhe concede vida espiritual e fé. Se você não conhece a sua anterior condição de morto e o especial dom divino da ressurreição, você não conhece a “grandeza” do amor de Deus.

2. Maravilha

Se você realmente perceber e sentir a sua condição desesperada e a libertação de Deus, você se maravilhará por ser um cristão. Você ficará maravilhado por seu coração se inclinar para a beleza de Cristo. Você se maravilhará com toda a boa vontade, e cada desejo de louvar, e cada boa obra.

Você será inclinado a falar como Davi em 1Crônicas 29.14: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas?”. Cada uso da sua vontade de agir para a glória de Deus é uma maravilha. E é algo excelente viver uma vida de constante maravilha.

3. Humildade

Quando Davi disse: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas?”, ele não estava expressando somente maravilha, mas também humildade. Quem sou eu para que tal graça fosse minha? Eu não fiz nada para merecê-la. Se há algo digno de louvor na minha generosidade, isso é um dom. Mesmo quando eu estou agindo de uma maneira virtuosa, Deus permanece sendo o doador decisivo de toda a minha virtude. “…trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Coríntios 15.10).

Quando somos recompensados ao fim de nossa justiça imperfeita, a glória finalmente pertencerá a Deus, porque tudo o que fizermos é em sua raiz algo que recebemos: “Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?”. Resposta: Ninguém. Portanto, “a ele, pois, a glória” (Romanos 11.35-36). Conhecer e amar esta verdade é a essência da humildade. Nós fomos criados para isso.

4. Gratidão

Quando maravilha e humildade ocorrem enquanto estamos conscientes da presença de Deus, a gratidão é a emoção que nós sentimos. Quando Paulo estava explicando a libertação divina da vontade escravizada, ele transbordou em ações de graças a Deus: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração…” (Romanos 6.17).

Quanto disso nós sentimos quando estamos conscientes não apenas da libertação da escravidão em geral, mas de nossa própria desesperança em particular, e da bondade insondável de Deus para conosco?

5. Paciência

Saber que estávamos mortos e não podíamos nos ressuscitar – e sentir isso com humildade e maravilha – nos torna pacientes para com aqueles que ainda não viram a glória de Cristo no evangelho. É certo convocar as pessoas a verem e crerem. Mas também é certo que esta convocação seja feita com mais ternura e paciência pela consciência de que o nosso próprio ver e crer são devidos a um milagre divino. Nós temos uma percepção tremente de que não podemos salvar os pecadores, e eles não podem salvar a si mesmos. A paciência é o reflexo da maravilha humilde de que nós mesmos somos salvos.

6. Ousadia

Se nós sabemos, em nosso mais profundo íntimo, que a conversão do pecador mais difícil não é impossível para Deus, vamos testemunhar com coragem, não importa quão fracos e impotentes nos sentimos. Quando o jovem rico se afastou, Jesus disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!”. Seus discípulos ficaram sobremodo espantados e disseram: “Então, quem pode ser salvo?”. Jesus respondeu: “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (Marcos 10.23-27).

Em outras palavras, ninguém está além do poder de Deus para salvar. E o nosso testemunho de seu evangelho salvífico deve ser incansável e corajoso. Somente Deus pode abrir os olhos do coração, mas Deus ordena fazê-lo através do nosso testemunho. Ele nos chama para fazer o que somente ele pode fazer, pois, ele é o agente decisivo no nosso fazer. Por isso Jesus enviou Paulo “para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus” (Atos 26.18).

Maravilhosa graça

O que você crê sobre a liberdade da vontade não é uma mera questão acadêmica. Estes efeitos, e muitos outros, fluem da profunda convicção que nos leva a cantar:

Maravilhosa graça! Quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui encontrado;
Era cego, mas agora eu vejo
.

Por: John Piper. © 2016 Desiring God. Original: Six Practical Reasons ‘Free Will’ Matters

Tradução: Camila Rebeca Almeida. Revisão: William Teixeira. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: O que você crê sobre o “livre-arbítrio” é importante: 6 razões práticas

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