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Preciso ser batizado de novo? (Visão Pedobatista)

Lynda M. da Irlanda do Norte pergunta,

Eu fui batizada com 13 anos antes de eu realmente caminhar com o Senhor. Isso aconteceu como resultado de uma classe bíblica de jovens cobrir o assunto depois da qual fomos perguntados se gostaríamos de ser batizados, e considerando que a maioria da classe estava querendo, eu decidi também. Lembro-me no momento de estar muita envergonhada para falar aos meus amigos da escola sobre isso, quanto mais chamá-los para ver.

O Senhor realmente trabalhou na minha vida quanto eu tinha 20 anos, e foi aí que eu diria que ele verdadeiramente abriu meus olhos para entender o que seguir Jesus se tratava. De preferência, é nesse momento que eu seria batizada, mas obviamente eu já havia sido. Eu estou interessada em ouvir suas considerações em ser batizada pela segunda vez, e se você acha que isso seria necessário.

Lançamos a pergunta para Jared Oliphint, coordenador regional e mestrando em teologia no Westminster Theological Seminary. Ele estudou filosofia no Gordon College e adquiriu seu Mestrado em Artes (Religião) no Westminster Theological Seminary na Filadélfia em 2005. Você também pode ler a resposta credobatista do Bobby Jamieson clicando aqui.


Eu humildemente encorajaria qualquer pessoa considerando essas questões a primeiro conversar com o seu pastor local. Esses tipos de questão estão raramente desconectadas de uma necessidade ministerial mais abrangente na caminhada de um cristão, mas talvez consigamos apontar para a direção correta aqui. Como uma pessoa aborda a questão do rebatismo depende em como ela compreende o batismo como um todo. Então vamos começar onde os apóstolos começaram, no Antigo Testamento. Podemos em primeiro perguntar se existia algum significado por trás e precedente do uso de água como um sinal da nova aliança no Novo Testamento. A primeira vez que a Escritura usa água como um sinal da aliança ocorreu bem antes da era do Novo Testamento. Recorde 1Pedro 3.20-21:

“…quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água, a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo…”

Deus usou julgamento por água na forma de enchente como o meio de separar o mediador da aliança (Noé) e o seu povo da aliança (sua família) das pessoas rebeldes e de fora da aliança. Anos depois, Deus usou julgamento por água novamente como meio de separar o mediador da aliança (Moisés) e seu povo da aliança (Israel) das pessoas rebeldes e de fora da aliança. Paulo escreve em 1Cor 10.1-2, “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar.” Em todos os casos acima, esses eventos batismais do Antigo Testamento incluíam não apenas as crianças da aliança, como também membros da aliança descrentes. Deus trouxe Cam, filho de Noé, através da enchente batismal, mas a descendência de Cam foi eventualmente amaldiçoada (Gn 9.18-27). Semelhantemente, alguns israelitas que escaparam dos egípcios verificaram-se membros infieis da aliança (Ex 32.25; veja também Josué 3, o segundo êxodo de Israel passando novamente pelas águas, nessa vez no Rio Jordão debaixo da mediação de Josué. Tempos depois, o Josué verdadeiro, Jesus, iria ser batizado nas mesmas águas). Avançando alguns séculos, vemos outro aviso de julgamento vindo de ninguém mais ninguém menos que João Batista, a figura do profeta Elias, acompanhada de batismo nas águas. “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Algo novo, mas com precendente, tinha acontecido (A vinda de Cristo), que demandava um novo, mas com precedente, sinal aliancista de julgamento (batismo nas águas). O próprio Jesus, cumprimento de Israel, também passaria pelas águas batismais (Mt 3.13-27) como Noé, Moisés e Josué fizeram como mediadores tipológicos dele.

Leitura Natural

Durante o começo dessa era da nova aliança, seria esperado que qualquer um, judeus, gentios e sim, suas crianças da aliança, que tinham fé no novo mediador da aliança, Cristo, receberiam o novo sinal da aliança de batismo. Enquanto nós não temos evidência bíblica na forma de versículos que diz “Vocês devem batizar as crianças da aliança” ou “Vocês devem batizar apenas adultos convertidos”, a Escritura como um todo como pode ser lida mais naturalmente se assumirmos uma perspectiva ou a outra. Porque isso seria esperado que adultos de todos os tipos receberiam o sinal do batismo da nova aliança enquanto eles viram membros da nova aliança, é de fato o que vemos em Atos enquanto os apóstolos são enviados com o Espírito. Mas também existem pistas na Escritura indicando que os novos membros da aliança não estão limitados a adultos que alegam uma experiência de conversão. Primeiro, o Novo testamento registrou um período singular na história redentiva. Não deveríamos esperar ou assumir que todos os padrões de comportamento daquele período (como por exemplo, conversões de adultos) seriam o exclusivo e permanentemente normativo padrão de comportamento, a não ser que a Escritura indicasse que esse é o caso. Segundo, passagens que indicam o batismo de famílias inteiras (At 16.15; 1Cor 1.16) não carregam evidência suficiente nelas mesmas para serem decisivas nessa questão. Ainda assim, seria incomum para os autores bíblicos (1) assumirem que não tinham crianças pequenas nas famílias, e, (2) se as crianças estivessem presentes, para assumirmos que eles estavam em silêncio se crianças foram excluídas do sinal da nova aliança. Tinha um precedente esmagador do Antigo Testamento para incluir as crianças como membros da aliança do povo de Deus que uma mudança nessa questão garantiria uma explicação extensiva e documentada.

Terceiro, enquanto os paralelos entre a circuncisão e o batismo podem não ser suficientes para carregar o peso total do argumento, Colossenses 2.11-12 faz uma clara conexão entre os sinais de aliança:

“Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.”

Semelhante ao elemento de julgamento no batismo, a circuncisão envolve um “despojamento” e um sinal de julgamento não por água mas por faca, tipologicamente demonstrada em Cristo “despojando” seu próprio corpo em julgamento através de sua morte na cruz. Quarto, existe evidência explícita em 1Cor 7.14 de um elemento biológico/físico na nova aliança: “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos.” A Escritura não fala de crianças da nova aliança como descrentes nem como de fora da nova aliança (At 2.36-39). A questão não é se o batismo de descrentes pode ser prevenido, ou como podemos estimar precisamente os eleitos. Tanto pedobatistas quanto credobatistas batizam descrentes. Pedobatistas batizam bebês que podem eventualmente não professar fé e adultos que a profissão não seja genuína. Credobatistas também batizam aqueles que professam fé mas que a profissão pode não ser genuína. Podemos seguramente assumir que Judas, o discípulo de Jesus, era batizado na nova aliança, com Jesus sabendo totalmente que ele era um descrente.

Não Baseado na Experiência

Voltando para a questão original do rebatismo, se nós entendemos o sinal do batismo nas águas como um sinal de julgamento que começa com Noé e seus filhos, continua com Moisés, Josué e Israel; melhora com João Batista e os membros da nova aliança; e continua através da igreja para os membros da nova aliança, não é difícil enxergar por que um segundo batismo seria desnecessário como suportar outra grande inundação, atravessar novamente o Mar Vermelho e Rio Jordão ou ressignificar você mesmo como um novo membro da aliança. A confusão nessa matéria começa quando identificamos o batismo apenas como um sinal da experiência de conversão de um crente de estar fora da aliança para ser um novo membro da aliança. (Também não existe nenhuma indicação na Escritura que todos os crentes conseguirão registrar um sentimento tangível e manifestado que temporariamente corresponda a conversão de estar debaixo da ira para estar debaixo da graça). A Confissão de Fé de Westminster (28.6) é útil aqui:

A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.

Para aqueles que estão considerando um segundo batismo por causa de uma experiência de conversão posterior e mais tangível, descanse assegurado que seu batismo original, que significa entrar na nova aliança, é eficaz baseada não na força da sua experiência de conversão, mas no poder de Deus em seu próprio tempo de conferir graça para os membros da nova aliança.

Por: Jared Oliphint. © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org. Traduzido com permissão. Fonte: You Asked: Should I Get ‘Re-Baptized’? (Paedobaptist Answer).

Original: Preciso ser batizado de novo? (Visão Pedobatista). © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Marcelo Rigo dos Santos. Revisão: Filipe Castelo Branco.

1 comentário
  1. sergio luis spalenza moulin Diz

    Excelente defesa da fé reformada quanto ao batismo infantil. Quanto a mim, bastaria o texto de 1Co 7.14 para justificar a prática adotada por nós, reformados.

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