A nova crise urbana: Jesus, a cidade e os pobres

Este post é o primeiro da série de uma análise em três partes do livro de Richard Florida, “The New Urban Crisis: Gentrification, Housing Bubbles, Growing Inequality and What We Can Do About It” (A Nova Crise Urbana: Gentrificação, Bolhas da Moradia, Desigualdade Crescente e o Que Podemos Fazer Sobre Isso).

Qualquer um que ler meu feed no Twitter nas últimas semanas terá visto estatísticas após estatísticas do livro de Richard Florida, “The New Urban Crisis: Gentrification, Housing Bubbles, Growing Inequality and What We Can Do About It”.  Eu nunca tinha ouvido falar de Florida ou de seu trabalho antes, mas devo dizer que acho seu tema infinitamente fascinante e seu estilo de escrita muito transparente e envolvente.

Esse é um livro sobre cidades, gentrificação[1] e pobreza e é um tesouro absoluto de estatísticas e informações. Ele fala principalmente sobre os EUA, mas ele faz referências ao Reino Unido ao longo do livro. (Na verdade, o meu exemplar tem um prefácio para a edição do Reino Unido.)

Richard Florida quer que entendamos as cidades. Ele quer que entendamos que há uma mudança global acontecendo diante de nossos olhos e muitos de nós (que não moramos nesses lugares) não temos consciência de quão tectônica ela é. Assim, por exemplo, Florida nos informa desde o início:

“Londres está se afastando do resto do Reino Unido e do resto do mundo. É quase um país em si mesmo; Os londrinos têm mais em comum com os ricos e conectados cidadãos globais de Nova York, Los Angeles, São Francisco, Paris, Tóquio, Cingapura e Hong Kong do que com pessoas de outras partes do Reino Unido”.

Voltaremos a esse pensamento mais tarde. Mas o que temos neste livro é um americano que vê claramente que o voto a favor do Brexit e os tumultos em todo o Reino Unido há alguns anos são um sinal da crescente distância econômica e da divisão social entre as classes no Reino Unido. Ele chama o Reino Unido de “um país tão desequilibrado que efetivamente caiu”. Foi nesse ponto que meus ouvidos começaram a tinir, e eu nem tinha saído da apresentação!

Para Florida, muitas pessoas em nossas cidades estão presas à pobreza e, surpreendentemente, um dos grupos mais atingidos, em sua opinião, é a classe média. Como ele monitorou as cidades globais, ele viu um padrão no qual os mais favorecidos e os menos favorecidos, estão se tornando muito mais separados geograficamente dentro da zona urbana. Assim, ele afirma, nós agora entramos em uma era que ele está chamando de “A Nova Crise Urbana”. É definida por cinco dimensões.

1. O crescente abismo econômico entre um pequeno número de “cidades-superstar” (Londres, Nova Iorque, LA, etc.) e o resto do mundo. Essas cidades têm uma quantidade desproporcional de empresas e talentos de alto valor do mundo. Ele aponta o Reino Unido como tendo a pior desigualdade de renda na Europa, com o centro de Londres massivamente rico em comparação com o resto do país, que vive com enormes faixas de decadência e declínio. Isso significa que agora existe um enorme e crescente abismo cultural e econômico entre Londres e o resto do Reino Unido. Assim, por exemplo, quando se tratou da recente votação na União Européia, ele observa que mais de 60% de Londres votaram pela permanência comparado a 70% das votações de East Midlands (os números são quase tão altos quanto em grandes partes do Norte).

2. Estas cidades superstar enfrentam custos de moradia exorbitantes que, mais uma vez, levam a uma enorme desigualdade. A maioria dos centros dessas cidades tem propriedades desocupadas que foram compradas apenas como investimentos de magnatas multimilionários/bilionários que não têm intenção de morar lá (mais de 750 propriedades avaliadas em £5 milhões em Londres atualmente estão desabitadas). Como essa prática elevou os custos de moradia, os operários e trabalhadores foram forçados a sair da cidade devido a moradias e aluguéis inacessíveis.

3. Os bairros de classe média agora diminuíram drasticamente como resultado dessas desigualdades. Segundo Florida, dois terços da população do Reino Unido identificaram-se como classe média nos anos 80. É menos da metade hoje. No mesmo período, a pobreza aumentou 10%, para 27% da população.

“No lugar da antiga divisão de classes das cidades pobres versus os subúrbios ricos, surgiu um novo padrão – uma metrópole de retalhos na qual pequenas áreas privilegiadas e grandes faixas de pobreza e dificuldades cruzam a cidade e o subúrbio”.

4. Os subúrbios estão se tornando lugares de alta criminalidade, pobreza e segregação racial e de classes. Assim, por exemplo, quase toda a pobreza em Londres se situava no centro urbano. De acordo com Florida, “Hoje, 60% da pobreza na Grande Londres está no subúrbio de Londres” (p. 8). Na velha ordem mundial, os pobres eram encontrados em cidades e centros urbanos, que eram um foco de crime etc. e a classe média emergente e os ricos se mudaram para os subúrbios para escapar dos problemas sociais. As estatísticas nos mostram que isso está sendo revertido, particularmente nas cidades superstar do mundo.

5. A crise da urbanização no mundo em desenvolvimento. Os países em desenvolvimento acham que, se construírem mais cidades, elas tornar-se-ão ricas como as cidades superstars ocidentais. Mas o problema é que isso nunca foi verdade para a maioria das cidades ocidentalizadas. Na verdade, a maior parte da produção global do Ocidente vem de apenas algumas das cidades superstar. “As cidades superstar, na verdade, formam uma associação própria, muitas vezes tendo muito mais em comum entre si do que com outras cidades em seu próprio país” (p. 19).

Essa Nova Crise Urbana também está alimentando grande parte da gentrificação que está ocorrendo dentro e ao redor de muitas cidades do mundo. Florida é fã de gentrificação, até certo ponto, e essa é a parte do livro que mais me agradou, porque está acontecendo com minha própria comunidade (e em toda a Escócia) enquanto conversamos. “Em geral, a gentrificação descreve um processo no qual uma vizinhança ganha riqueza e vê sua população tornar-se mais abastada, mais branca e mais jovem.” (P. 65) Coloque isso no contexto dos esquemas de moradia popular escocês e podemos ser ainda mais específicos. A gentrificação está ocorrendo nos esquemas de moradia popular quando pessoas jovens, ricas e de classe média de todas as etnias se mudam para nossas comunidades às custas da população nativa. Agora, tenho certeza de que a gentrificação é uma força econômica para o bem da nossa comunidade (e de outros), mas também está mudando de maneira indelével.

[1] Nota do editor: Gentrificação é um processo de transformação de centros urbanos através da mudança dos grupos sociais ali existentes, onde sai a comunidade de baixa renda e entram moradores das camadas mais ricas. (Fonte: Significados)

Igreja em Lugares Difíceis

Como a igreja local traz vida ao pobre e necessitado

Nos últimos anos, cristãos e organizações cristãs têm aumentado seu interesse em ajudar pessoas que sofrem com a miséria e a pobreza. Mas este interesse renovado em aliviar a pobreza está fadado ao fracasso se não tiver raízes na igreja local, que é o meio estabelecido por Deus para atrair pessoas miseráveis para um relacionamento transformador com ele.

Enfatizando a prioridade do evangelho, Mez McConnell e Mike McKinley, ambos pastores de igreja local em regiões de pobreza, oferecem direção bíblica e estratégias práticas para o trabalho de plantação, revitalização e crescimento fiel de igrejas em lugares difíceis, em nossa própria comunidade e em outros lugares ao redor do mundo.

CONFIRA

Por: Mez McConnell. © 20schemes. Website: 20schemes.com. Traduzido com permissão. Fonte: The New Urban Crisis: Jesus, The City & The Poor.

Original: A nova crise urbana: Jesus, a cidade e os pobres. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Paulo Reiss Junior. Revisão: Filipe Castelo Branco.

1 comentário
  1. Eunice Oliveira Diz

    Bom o texto, porém o título diz: (A nova crise urbana: Jesus, a cidade e os pobres), só falou da crise urbana, falou a parte: Jesus, a cidade e os pobres!

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