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Fé cristã e arte: em busca da arte cristã

Ao final desta pequena série de textos sobre fé cristã e arte, a questão que colocamos é: como podemos contribuir para a produção de arte cristã? Que tipo de conselhos podem ser dados aos artistas cristãos e à igreja, visando que eles se tornem instrumentos para a promoção deste tipo de arte?

No livro A arte não precisa de justificativas, Rookmaaker menciona quatro atitudes fundamentais que os artistas cristãos deveriam tomar em nossos dias. A primeira delas é lamentar o estado de mediocridade estética no qual vivemos na atualidade. A segunda é orar, como resultado do reconhecimento de que este estado não poderá ser superado à parte da ação de Deus. Em terceiro lugar, Rookmaaker diz que os artistas cristãos devem entender como chegamos a este estado de mediocridade, bem como o que significa ser cristão nestes dias, para que possam trabalhar, num movimento que exige três coisas:

1. Coragem. Ser um cristão não implica ser genial. Por isso, o artista cristão precisa de coragem para experimentar, testar, errar, reconhecer equívocos, voltar atrás; coragem para encarar o processo de criação.

2. Perseverança. Afinal, mudanças culturais não acontecem da noite para o dia. É provável que muitos artistas nem vejam as mudanças que eles desejaram e trabalharam para realizar. Mas eles devem saber que é através de pequenos trabalhos, que contribuem para o fomento de uma cultura, que as grandes transformações acontecem.

3. Humildade. O artista cristão precisa ser humilde no sentido de reconhecer que não deve ignorar toda a tradição de pensamento e produção estética que veio antes dele. Reconhecer-se como parte de uma tradição é fundamental para que o artista cristão não se perca na síndrome de Messias. Além disso, a humildade é uma virtude necessária para que o artista cristão enfrente o ambiente contemporâneo no qual o reconhecimento pessoal costuma ser o alvo principal dos artistas. O desafio de um artista cristão é fazer com que sua obra seja mais conhecida do que seu nome; na verdade, fazer com que a beleza expressa por sua obra – a beleza de Deus – ocupe o lugar central. Ao artista cristão cabem bem as palavras de João Batista: convém que Cristo cresça e que eu diminua.

A igreja possui um lugar importante neste processo. Como dissemos antes, o caminho para a mudança nas artes é a mudança na cultura, e ninguém muda a cultura sozinho. Os artistas “precisam de escritores para os livros, pensadores que tenham novos pensamentos, políticos que ofereçam outras soluções e pregadores e pastores que os ajudem a ver o caminho e trilhá-lo” (ROOKMAAKER, A arte não precisa de justificativas, p.36). No caso da igreja, essa mudança cultural pode começar por um caminho bastante simples, embora difícil: a libertação do cristianismo do cativeiro utilitarista e a promoção de um cristianismo integral, que reconheça o senhorio de Cristo sobre o todo da vida.

É urgente e necessário apoiar as artes. As igrejas deveriam estimular as pessoas criativas dentro da comunidade, e não tentar força-las a justificar espiritualmente o que estão fazendo. Tampouco devem enfatizar o aspecto panfletário, reconhecendo a criatividade somente quando puder ser usada em uma programação. Ao contrário, ela deve ser apreciada por aquilo que é, um dom concedido por Deus (SCHAEFFER, F. Viciados em Mediocridade, p. 59).

Por: Filipe Fontes. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Fé cristã e arte: em busca da arte cristã.

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