Um membro da igreja caiu em adultério! – Como a igreja deve agir?

Episódio do Podcast John Piper Responde

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Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast John Piper Responde! O assunto “igreja local e como ela deve agir” tem sido recorrente em nosso podcast. A pergunta de hoje é sobre membros da igreja que caem em adultério e em como a igreja deve agir em situações como estas. Vamos ao e-mail de uma ouvinte anônima, que contempla um caso bem específico: 

“Pastor John, olá. Meu genro cometeu adultério e mentiu para os presbíteros da igreja sobre isso. Por isso, eles o removeram da membresia da igreja. Desde sua transgressão, ele terminou o relacionamento adúltero, se arrependeu e tem se esforçado para restaurar a confiança em seu casamento. Mas a igreja não entrou em contato com ele para restaurar sua membresia. Ele continuou a frequentar a igreja e não tem participado da Ceia do Senhor. A igreja não permite que ele participe do pequeno grupo do qual faziam parte nem vá aos jantares em comunidade que a igreja organiza para os membros. Como e quando uma igreja restaura sabiamente o arrependido? Como pastor, que fruto você espera ver? Quais medidas você já tomou em seu ministério? Como aqueles que são espirituais podem “restaurá-lo com espírito de mansidão”, como diz Paulo em Gálatas 6.1?”

Bem, é sempre perigoso dar conselhos à igreja local à distância, não é? Nossa, há tanta coisa assim na internet, e muitas vezes é bastante prejudicial quando as pessoas se pronunciam à distância sobre o que está acontecendo em uma igreja local a milhares de quilômetros de distância. À distância, raramente vemos todos os fatores que influenciam as escolhas que os presbíteros e membros estão fazendo. Portanto, sem dizer a essa igreja o que fazer em nenhum caso específico, deixe-me dar talvez — não sei — cinco ou seis diretrizes ou princípios bíblicos que acho que fornecerão alguma orientação nessa situação. Tenho uma opinião, mas hesito em apresentá-la como algo absoluto.

1. A bondade da disciplina

Aqui está o princípio número um: a disciplina da igreja é algo bom. As diretrizes para praticá-la são dadas em Mateus 18.15-17. Exemplos disso são dados em 1 Coríntios 5.1-13 e 2 Tessalonicenses 3.6-15. O princípio por trás disso é que a igreja é composta por crentes batizados em Jesus — pessoas nascidas de novo, habitadas pelo Espírito e obedientes a Cristo. A expectativa é que a igreja seja, nas palavras de Pedro em 1 Pedro 2.9, “uma raça escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo de propriedade exclusiva [de Deus], para que [nós] proclamemos as excelências daquele que [nos] chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

E na medida em que uma igreja local deixa de ser um povo distinto e santo, nessa mesma medida deixamos de ser uma igreja verdadeira que testemunha nosso chamado das trevas para a luz, a luz da santidade. A disciplina é a maneira pela qual a igreja se exorta a andar em santidade e expulsa da igreja aqueles cuja impureza traz reprovação sobre Cristo. Portanto, princípio número um: a disciplina é boa.

2. Objetivo da disciplina

O objetivo de toda disciplina na igreja não é a destruição, a condenação ou a alienação, mas sim a restauração e a salvação. Vemos isso repetidamente em Mateus 18, onde o objetivo é ganhar o irmão que pecou. Vemos isso em Gálatas 6.1, onde o objetivo é restaurar aquele que foi vencido pelo pecado. Vemos isso em 1 Coríntios 5.5, onde a esperança é que, mesmo no último dia, após a morte, a disciplina tenha levado alguém ao arrependimento e à salvação. Portanto, esse é o número dois: o objetivo é a restauração e a salvação.

3. Níveis de restauração

A restauração da membresia da igreja não implica que os pecados não tenham repercussões contínuas. Existem vários níveis de restauração. Sabemos disso porque os padrões para se tornar um presbítero — por exemplo, em 1 Timóteo 3.1–7 e Tito 1.5–9 — são mais elevados do que para um membro comum da igreja. Agora, isso implicaria, ao que me parece, em princípio, que existem vários papéis de liderança na igreja para os quais uma pessoa pode não se qualificar, mesmo que seja restaurada à membresia na igreja.

Acho que o Novo Testamento mostra que a porta para a membresia é muito ampla, e a porta para o presbiterato, por exemplo, é muito estreita. E acho que a implicação disso é que não devemos excluir da membresia uma pessoa que dá evidência genuína de arrependimento, mesmo que pensemos que a confiabilidade dessa pessoa esteja manchada o suficiente para que ela ainda não se qualifique para certas funções até que recupere a confiança que um dia teve, mas que desperdiçou por meio de algum pecado.

4. Graus de traição

Existem graus de traição, graus de falha, graus de rebeldia. Não adianta dizer que todos os pecados são igualmente graves, igualmente prejudiciais. Eles não são. Por exemplo, em 1 Coríntios 6.7, Paulo acredita que a reação ideal para uma pessoa que foi injustiçada não é levar o irmão ao tribunal. Ele diz: “Por que não simplesmente ser injustiçado?” (ver 1 Coríntios 6.7). Mas quando eles falham nesse ideal, a segunda melhor opção é dizer: “Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos!” (ver 1 Coríntios 6.5–6).

Em outras palavras, Paulo não recorre imediatamente à disciplina da igreja no primeiro nível de falha. Ele vê graus de falha. Levamos isso em consideração quando restauramos um crente.

5. Arrependimento verdadeiro e falso

Existem lágrimas de arrependimento genuínas e falsas, o que implica que os líderes devem ser perspicazes ao avaliar a prontidão de uma pessoa para a restauração. Sempre fico impressionado quando me deparo com isso, toda vez que leio a Bíblia, em 2 Coríntios 7.10-11, onde Paulo diz: “A tristeza segundo Deus produz arrependimento para salvação, não remorso; a tristeza do mundo,” — agora, pense nessa tristeza do mundo: lágrimas, lágrimas do mundo — “porém, produz morte. Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês.” (NVI)

A maioria de nós, que lidamos com pessoas arrependidas ao longo de décadas, descobrimos que há lágrimas que são apenas por causa das consequências do pecado, não da maldade do pecado — lágrimas pela miséria que o pecador sente, não lágrimas porque eles desonraram a glória de Deus. Portanto, os líderes precisam ser muito perspicazes quanto ao que realmente é o arrependimento, se a contrição e as lágrimas são realmente sinais de que o coração está quebrantado pela pecaminosidade do pecado, e não apenas pela vida desastrosa em que ele os levou.

6. Espírito divisivo

E, finalmente, isso implica que líderes espiritualmente perspicazes podem ver em uma pessoa um espírito tão divisivo que incentivam a igreja a não ter mais nada a ver com ela como crente. Tito 3.10: “Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez”.

Então, esses são os meus seis princípios. Minha conclusão é que, embora eu não conheça suficientemente os detalhes da situação sobre a qual estamos sendo questionados, eu diria que, no que diz respeito à membresia, a porta deve estar aberta para a restauração, a menos que haja alguma razão muito boa para pensar que o arrependimento de uma pessoa não é sincero.

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Por: JOHN PIPER. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Restoring a Repentant Adulterer | Revisão e edição por Vinicius Lima.

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